Liverpool vira contra o Barcelona e vai à final da Champions

Equipe inglesa goleou os espanhóis por 4 a 0 mesmo sem dois atacantes titulares

Origi (à dir.) comemora o quarto gol do Liverpool contra o Barcelona, que selou a classificação
Origi (à dir.) comemora o quarto gol do Liverpool contra o Barcelona, que selou a classificação - Paul Ellis/AFP
São Paulo

Jurgen Klopp é um treinador moldado para partidas como a dessa terça-feira (7), em Anfield. 

Emotivo, elétrico, a versão punk rock do futebol, ele precisava que seus jogadores acreditassem no que dizia: mesmo sem Salah e Roberto Firmino, dois dos melhores atacantes do futebol europeu na temporada, era possível fazer quatro gols no Barcelona, não levar nenhum e ir à final da Champions League. Fora do grupo de atletas, quase ninguém levava fé nisso.

Era improvável. Mas o Liverpool jogou 90 minutos como se fosse a última partida da história. Goleou o Barcelona por 4 a 0 e avançou à final do torneio de clubes mais importante do planeta.

No próximo dia 1º, enfrenta o vencedor do confronto entre Ajax (HOL) e Tottenham Hotspur (ING), em Madri. 

As duas equipes se enfrentam nesta quarta (8), em Amsterdã. Na ida, os holandeses ganharam por 1 a 0.

O Liverpool havia perdido por 3 a 0 no Camp Nou, mas tinha jogado sem medo. Faltou aproveitar as chances criadas. 

 

Com as costas contra a parede, Jurgen Klopp dobrou a aposta. Bem ao seu estilo, era tudo ou nada. Mesmo desfalcado, seu time partiu para o abafa. 

Com Mané liderando o ataque e a dupla Origi e Shaqiri, que esquentou o banco de reservas quase toda a temporada, nas pontas, o Liverpool precisava de algum sinal de que o improvável era possível.

Este veio logo aos 7 minutos. O Liverpool rezava pela aparição de heróis inusitados. Um deles foi Origi, que abriu o placar. Ele ainda protagonizaria o lance mais surreal de todos no segundo tempo.

Quando o primeiro tempo terminou, o Barcelona perdia por 1 a 0, mas tinha motivos para otimismo. Por que não? 

O jogo era aberto e o time havia criado chances para marcar. Isso teria acontecido se Suárez, ex-ídolo do Liverpool e xingado pela torcida em Anfield, e Messi não tivessem sido displicentes na finalização. E se Jordi Alba não vivesse uma noite inesquecível de tão ruim.

À beira do campo, Klopp pulava, jogava junto. Ele sempre faz isso porque é parte de sua personalidade. Mas contra o Barcelona, isso parecia ser ainda mais necessário. 

A sorte sorriu para o Liverpool em alguns momentos, mas nenhum time já conquistou algum título sem a boa fortuna. O lateral Robertson se machucou e saiu ao final do primeiro tempo. O treinador alemão, fiel ao seu estilo, foi para a jugular.

Mandou a campo Wijnaldum, um volante. Repetiu o que já havia feito no Camp Nou. Colocou-o como falso centroavante, um homem-surpresa na área do Barcelona. O holandês marcou duas vezes em três minutos.

Lionel Messi, tão decisivo na primeira partida, entrou em seu modo “Copa do Mundo da Rússia”. Cada vez que recebia a bola, tentava entrar com ela no gol, sem passar para ninguém. Era desarmado sem grande dificuldade.

O Barcelona tentou ir para o ataque, talvez com a cabeça na temporada passada, quando apesar de todo o favoritismo, perdeu para a Roma por 3 a 0 e acabou eliminado nas quartas de final.

 

Em uma situação dessas, seria normal o Liverpool tirar o pé. O normal não é normal na filosofia de Jurgen Klopp.

Os ingleses continuaram pressionando e oferecendo o contra-ataque para o adversário. Era arriscado, mas... 

Mesmo naquela situação, era preciso algo mais para a história ficar completa.

Faltava Origi colocar seu nome na história do torneio. A zaga do Barcelona ficou parada após conceder o escanteio, mas o lateral Trent-Alexander Arnold percebeu que o belga ainda corria por algum motivo. Foi o que lhe deu a ideia de fazer a cobrança rápida e rasteira.

O lance colocou o Liverpool na final. 

Quando acabou a partida, Klopp correu para a torcida. Abraçou todos os jogadores. Não parava de sorrir. 
Agora ele coloca em campo a fama de costumar perder finais. Foi derrotado nas decisões da Champions League de 2013 (pelo Borussia Dortmund) e 2018 e na Liga Europa de 2016 (ambas pelo Liverpool). Mas o que ele fez, já está na história.

Pela primeira vez, desde 2013, quando o Bayern de Munique derrotou o Dortmund de Klopp, um time espanhol não será campeão europeu.

De forma diferente, o Liverpool, equipe inglesa com mais títulos no torneio continental (cinco) repetiu 2005, quando foi para o intervalo da final perdendo por 3 a 0 para o Milan. Reagiu nos 45 minutos finais, empatou em 3 a 3 e foi campeão nos pênaltis. 

Nas tribunas do estádio de Anfield, Salah assistiu ao jogo com uma camisa em que estava escrito “nunca desista”.

Foi a frase que Jurgen Klopp disse sem parar para seus jogadores na última semana.

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