Polícia prende jogadores na Espanha por suspeita de fraude

Atletas e dirigentes teriam combinado resultados em partidas do Espanhol

São Paulo

A polícia da Espanha prendeu 21 pessoas, nesta terça (28), acusadas de formar uma organização criminosa que teria arranjado resultados de três partidas de futebol para beneficiar apostadores. Entre os presos estão o ex-jogador do Real Madrid Raul Bravo, apontado como o chefe do esquema, e o presidente do Huesca, Augustín Lasaosa. 

Os investigados são acusados de fraudar os resultados dos jogos entre Valladolid e Valencia no último dia 18 de maio, Huesca e Nàstic,  no dia 27 de maio de 2018, da segunda divisão, e Sariñena contra o Cariñena da terceira divisão, em 13 de abril de 2017. 

A investigação começou após suspeitas no jogo entre Huesca e Nàstic. Durante o jogo disputado em 27 de maio de 2018, os palpites foram suspensos porque em 30 das 57 casas de apostas foram detectadas a entrada de grande quantia de dinheiro (14 vezes maior do que o normal) no placar de empate sem gols e na vitória dos visitantes no final por 1 a 0, como aconteceu.

Nàstic, que estava lutando para evitar o rebaixamento para a terceira divisão da Espanha, estava a 29 pontos do Huesca, que havia conseguido o acesso à primeira divisão no dia anterior. O gol foi marcado por Uche, aos 28 minutos do segundo tempo.

 
 

Na vitória do Valencia, por 2 a 0, sobre o Valladolid, no dia 18 de maio, última rodada do Campeonato Espanhol,  o time vencedor conseguiu se classificar para a Liga dos Campeões, enquanto o adversário, na penúltima rodada, escapou do rebaixamento.

Presente nessa partida, o ex-capitão do Borja Fernández, que se aposentou após este jogo, é um dos detidos na operação. 

O Valladolid confirmou que Borja Fernández tinha agendada uma reunião nesta terça-feira com o ex-atacante Ronaldo, que é um dos donos do clube. Ele, que se aposentou no dia 18 de maio, começaria a negociar a permanência em um cargo fora dos gramados.

Fernández ficou surpreso com a prisão e, a princípio, não quis ser acompanhado por um advogado, mas já na delegacia foi assessorado por um. O funcionamento do Comissariado Geral da Polícia Judiciária contou com o apoio da Polícia de Valladolid.

Em nota, o Valladolid afirmou que "mantém seu compromisso e luta contra a corrupção ou qualquer tipo de crime que prejudique a integridade das competições esportivas".

Segundo o diretor-geral do Comissariado Geral da Polícia Judiciária, Francisco Pardo, mais detalhes não puderam ser dados porque a investigação corre em sigilo de justiça.

“Devo ter cuidado, confirmo que uma operação policial foi realizada contra uma organização de manipulação de resultados que afeta as partidas de primeira, segunda e terceira [divisões do futebol espanhol]”, afirmou o chefe da investigação.

O meia Borja Fernandez, capitão do Valladolid, foi um dos detidos na Espanha acusado de envolvimento em esquema de manipulação de resultados.
O meia Borja Fernández, capitão do Valladolid, foi um dos detidos na Espanha acusado de envolvimento em esquema de manipulação de resultados. - Sajjad Hussain - 28.mai.16/AFP

 Estamos obtendo grandes resultados. Eu não posso dar mais informações porque seguimos as ordens do tribunal de Huesca, que é o que conduz esta operação ", concluiu Pardo.

Foram feitas buscas e apreensões de documentos e computadores em vários locais nas cidades de Valladolid, A Coruña, Madri, Huesca e Málaga. Os detidos vão passar 72 horas no tribunal.

O advogado de Huesca, Pedro Camarero, deu poucas informações na sede do clube.

“A decisão das prisões foram tomadas pelo tribunal de Huesca e nós temos que nos submeter ao tribunal."

“Do clube não há preocupação e estamos disponíveis para aqueles que nos pedem a partir do tribunal", completou Camarero.

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