Descrição de chapéu Copa América

Tímido, zagueiro de R$ 200 mi da seleção sofre para explicar ascensão

Surpreso com a própria carreira, beque do Real Madrid odeia entrevistas

Marcos Guedes Diego Garcia
Teresópolis (RJ)

Para quem não suporta conceder entrevistas, a quarta-feira (29) não foi fácil para Éder Militão. Em um rodízio promovido antes do treino da seleção brasileira na Granja Comary, o zagueiro de 21 anos teve de atender três diferentes grupos de repórteres, engasgando em várias respostas e fazendo os jornalistas aproximarem bastante os microfones de sua boca para que sua voz, baixinha, pudesse ser captada.

“Deu branco, esqueci”, afirmou, em determinado momento, interrompendo a si mesmo e virando o rosto, envergonhado. “A gente está na seleção e, tipo… A palavra me fugiu, não sei”, disse, em outro, ansioso para que a assessoria de imprensa acabasse com a tortura e anunciasse o fim da entrevista.

Fora de campo, Militão mostra uma dificuldade de adaptação que não exibe dentro dele. O jogador já se ajustou à lateral direita para ter um ótimo início como profissional, no São Paulo, em 2017, e precisou se reacostumar ao miolo da zaga enquanto tentava se encaixar no futebol europeu, com a camisa do Porto.

O zagueiro Eder Militão concede entrevista na Granja Comary
O zagueiro Éder Militão concede entrevista na Granja Comary - Carl de Souza/AFP

O paulista de Sertãozinho se saiu tão bem na tarefa que se firmou na seleção e se tornou o zagueiro mais caro da história do Real Madrid. O clube espanhol, ao qual o jogador vai se apresentar após a Copa América, pagou 50 milhões de euros (R$ 222 milhões) para bancar sua multa rescisória e levá-lo ao Santiago Bernabéu.

“Eu realmente não imaginava isso tudo, não. As coisas estão acontecendo muito rapidamente na minha vida. Fui para o profissional com o Rogério [Ceni, técnico]. Quando vi, já estava no Porto. Porto, seleção. Seleção, Real Madrid. Tudo muito rápido. Mas eu me mantenho tranquilo para não dar nada de errado, para eu continuar no caminho certo”, disse.

“Eu não tenho muita noção das coisas, não. Não tem noção de que… Tipo, quando saiu que o Real Madrid me queria ainda e tal, quando se trata de coisas assim, fico perdido ainda”, acrescentou, chocado com o valor de sua transferência. “Nem sei como falar. Quando vi, fiquei muito feliz de estar na história do Real Madrid, o maior clube, sem dúvida.”

Ansioso por vestir a camisa branca e atuar ao lado de Sergio Ramos, Militão encontrará na Espanha uma dificuldade que ainda não precisou enfrentar na carreira. Se falar com desenvoltura em português é um problema para o beque, arriscar-se em outro idioma é algo que ele só fará quando tiver maior segurança.

“Estou treinando o espanhol, mas, de primeira, vou no português mesmo, porque não dá para chegar de primeira e tentar, porque vai sair errado. Vou chegar e aprender bem antes de ter coragem de falar”, avisou, também um pouco assustado por ser atleta do Real. “Não vejo a hora de me apresentar. Só mesmo chegando lá para ver como vai ser minha reação. É tudo novo para mim, né?”

Se der sequência ao sucesso que conseguiu em pouco mais de dois anos como jogador profissional, ele terá de acostumar com os microfones. Talvez seja até necessário contratar um assessor de imprensa, algo que ele até agora preferiu não fazer com uma justificativa bem simples: “Não gosto muito de falar, não”.

A dificuldade não tem freado a carreira de Militão, que, terminada a tripla entrevista de quarta, respirou aliviado e se preparou para mais um treinamento com a camisa da seleção brasileira. Por ora, o tormento passou. Mas virão novas entrevistas. “É uma coisa que vou ter que superar. Vou ter que ir aprendendo”, concluiu.

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