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Por F-1, União já gastou R$ 830 milhões com autódromo de Interlagos

Valor foi investido para adequar autódromo e receber o GP Brasil desde 1990

São Paulo

Sob risco de perder o status de casa da F-1 no Brasil para o Rio de Janeiro, o autódromo de Interlagos recebeu investimento público de ao menos R$ 830 milhões (em valores corrigidos pela inflação) ao longo dos últimos 29 anos em que sediou o GP Brasil, segundo levantamento realizado pela Folha com base em informações de contratos publicados no Diário Oficial e também por jornais da época.

O levantamento considera os valores que foram direcionados para obras realizadas no local para atender a exigências da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e da FOM (Formula One Management, administradora da F-1) para manter no autódromo as provas da categoria.

O montante é superior aos R$ 697,4 milhões que deverão ser gastos para a construção do autódromo do Rio, na região de Deodoro. A intenção nesse caso é que o custo seja arcado pela iniciativa privada.

No período, Interlagos passou por profundas mudanças. Na primeira delas, para voltar a sediar a corrida, que durante a década de 1980 foi disputada no autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, o traçado foi reduzido de 7.960 metros para 4.325 metros --uma tendência mundial para atrair direitos de transmissões das emissoras-- e ganhou o "S do Senna", uma sugestão do próprio Ayrton.

Também foram construídos 23 boxes, salas de apoio para equipes, imprensa e prestadores de serviços, além da torre de cronometragem da prova e um centro médico. Um novo autódromo foi inaugurado no dia 25 de março de 1990, com a vitória de Alain Prost. Gerhard Berger e Senna terminaram, respectivamente, na segunda e terceira colocação.

 

Essa primeira reforma, uma das maiores pela qual o autódromo já passou, custou aos cofres públicos R$ 61 milhões (valores atualizados), segundo a própria Folha noticiou. As obras foram coordenadas pela Prefeitura de São Paulo, então sob a administração da prefeita Luiza Erundina.

"Interlagos era um casarão abandonado. A prefeitura não tinha todo esse dinheiro, mas contou com concessões com empreiteiras e outras empresas", afirmou Erundina, atualmente deputada federal pelo PSOL (na época ela era do PT).

 

Em 2000, após exigências da FIA, a organização precisou refazer o traçado, que passou a ter 4.309 metros.

Além disso, as antigas caixas de brita foram substituídas por áreas de escape asfaltadas, que permitiam aos pilotos voltar à pista após uma escapada. Nessa nova reforma, mais R$ 139 milhões saíram dos cofres públicos.

A partir de 2005, a prefeitura de São Paulo repassou a administração do autódromo para SPTuris (empresa municipal de turismo e eventos), que concentrou os investimentos para atrair mais público. Entre eles, a construção de arquibancadas fixas cobertas, banheiros de alvenarias, acessibilidade para deficientes físicos e construção de um novo hospital com 5.000 m².

Visão de trecho do autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo
Visão de trecho do autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo - Jorge Araújo-8.nov.15/Folhapress

Em 2007, por exemplo, a construção de arquibancadas permanentes em frente ao pit lane e as obras para troca do asfalto e melhoria da área dos boxes geraram um custo de cerca de R$ 80 milhões, pagos, novamente, pelo erário.

Por outro lado, a realização do GP Brasil em São Paulo ajudou a movimentar a economia da cidade. Em 2018, estima-se que o evento movimentou cerca de R$ 334 milhões com turismo, um crescimento de 19,2% frente aos R$ 280 milhões registrados em 2017, segundo dados da SPTuris.

Não à toa, com a ameaça de perder a F-1 depois que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou termo de cooperação com objetivo de levar as provas para o Rio, o prefeito Bruno Covas e o governador de São Paulo, João Doria (ambos do PSDB), tentam renovar por mais dez anos o contrato com a F-1, vigente até 2020.

Projeto para o autódromo do Rio, a ser construído na região de Deodoro
Projeto para o autódromo do Rio, a ser construído na região de Deodoro - Reprodução

Atualmente, o projeto de privatização de Interlagos está congelado, à espera do início das discussões sobre a Operação Urbana Jurubatuba na Câmara Municipal.

O primeiro GP Brasil de F-1 foi realizado em 1972, em Interlagos. Nos anos 1980, a prova se mudou para o Rio de Janeiro, no autódromo de Jacarepaguá, onde ficou até 1989. No ano seguinte, voltou para Interlagos, circuito em que permanece até hoje.

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