Brasil culpa inexperiência de substitutas e VAR por derrota

Seleção sofre após trocas e reclama de pênalti não marcado

Lucas Neves
Montpellier (França)

Depois da derrota por 3 a 2, de virada, para a Austrália, duas das veteranas da seleção de futebol apontaram o VAR (árbitro assistente de vídeo) e a inexperiência das substitutas como responsáveis pelo revés.

O resultado complica a situação do Brasil no Grupo C, no qual três equipes têm 3 pontos –mas só duas avançam automaticamente para as oitavas de final. Itália e Jamaica se enfrentam nesta sexta-feira (14), e a primeira pode chegar ao fim da segunda rodada com 6 pontos.

Irritada com o fato de a arbitragem não ter recorrido ao sistema de vídeo para reavaliar uma jogada em que, nos minutos finais, Andressa Alves teria sofrido pênalti, a atacante Marta disse que “todos nós vimos [a falta], menos o VAR”. Um pouco depois, novamente inquirida sobre o tema, afirmou: “Quero quebrar o VAR”.

 

A atleta, que foi poupada na vitória sobre as jamaicanas por causa de uma lesão na coxa esquerda, voltou a campo fazendo o primeiro gol brasileiro, numa cobrança de pênalti –foi o 16º dela em um Mundial.

A abertura do placar aliviou momentaneamente a pressão que as australianas vinham exercendo e abriu caminho, cerca de dez minutos depois, para o belo gol de cabeça de Cristiane (o quarto dela na França), após cruzamento certeiro de Debinha.

Marta, em sua quinta Copa, foi substituída no intervalo pela estreante Ludmila, que correu muito, mas sem efetividade.

A equipe voltou para a segunda etapa também sem seu nome mais experiente, a meia Formiga (sete Mundiais), que sentiu o pé depois de uma pancada.

Mais adiante, a artilheira Cristiane, com cãibra na panturrilha, daria lugar a Bia Zaneratto, que tinha estreado em sua terceira Copa com atuação apagada contra a Jamaica.

 
A camisa 13 do Brasil, Leticia Santos, é derrubada dentro da área durante a partida contra a Austrália na Copa do Mundo de 2019
A camisa 13 do Brasil, Leticia Santos, é derrubada dentro da área durante a partida contra a Austrália na Copa do Mundo de 2019 - Pascal GUYOT/AFP

“Saí porque estou voltando agora, estava combinado de jogar só um tempo”, disse Marta. “Preferia que uma atleta com todo gás, 100%, entrasse para ajudar. Foi uma combinação de sentimento com razão.”

Para ela, “todas as meninas precisam ter consciência de que precisamos delas”. “A gente deveria ter voltado com o alerta ligado [depois do primeiro gol australiano, nos acréscimos do primeiro tempo]. Perdemos o foco, colocamos algumas atletas que não têm tanta experiência em Copa. Abrimos o meio-campo e demos a elas a chance de nos sufocar.”

Cristiane fez diagnóstico parecido. “A gente deu uma desligada. Não sei se, com as trocas, as meninas que entraram ficaram um pouco perdidas na hora de se encaixar no lugar das outras.”

Na visão da atacante, “se saio eu, a Marta ou a Formiga, todo mundo tem que entender o que  se deve fazer”.

“Apagamos, paramos de jogar bola. Sabíamos que elas iam jogar com ‘chuveirada’, bola alta. A proposta era partir no contra-ataque. Mas, em vez de dar o bote [no contra-ataque], começamos a correr para trás”, afirmou.

Andressa Alves também viu perda de controle por parte da equipe brasileira. “Perdemos um jogo que estava na nossa mão, não conseguimos reagir ao primeiro gol da Austrália, nos fechamos.”

E foi mais uma a se queixar do assistente de arbitragem por vídeo. “Tomei um cartão [amarelo] não sei por quê. Agora, com esta história de VAR, qualquer coisa [situação em] que você abre a mão [uma falta é marcada].”

Sobre o VAR, o técnico Vadão se limitou a dizer, após o jogo, que o lance do suposto pênalti em Andressa Alves “merecia uma consulta” ao sistema de vídeo.

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