Brasil desafia histórico de fracassos seguidos sem Neymar

Na ausência do atacante, seleção somou quedas em Mundial e Copa América

Marcos Guedes
Porto Alegre

Tite chamou Neymar de "imprescindível", mas tomou o cuidado de dizer que o craque não era "insubstituível". Agora, com o jogador cortado da seleção brasileira por causa de uma lesão no tornozelo direito, o treinador terá de mostrar que é mesmo possível trocá-lo e obter sucesso na Copa América.

O histórico sugere que não será fácil. Se nem sempre foram positivos com o atacante em campo, os resultados foram desastrosos nas experiências sem ele.

Tite conversa com o elenco no gramado do Beira-Rio, em Porto Alegre, onde o Brasil enfrenta Honduras
Tite conversa com o elenco no gramado do Beira-Rio, em Porto Alegre, onde o Brasil enfrenta Honduras - Diego Vara/Reuters

Nos números, a diferença não chega a ser gritante. Desde que Neymar estreou, em 2010, marcando um gol na vitória por 2 a 0 sobre os Estados Unidos, o Brasil o teve em campo 97 vezes, com 70 vitórias, 18 empates e 9 derrotas, com 78,4% de aproveitamento. Nesse período, o time atuou sem o atleta em 26 oportunidades, com 16 vitórias, 4 empates, 6 derrotas e 66,7% de aproveitamento.

Alguns dos fracassos na ausência do atacante, porém, foram marcantes. Após a lesão na coluna que o tirou da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, nas quartas de final, a equipe verde-amarela viveu seu maior vexame. Levou 7 a 1 da Alemanha, nas semifinais, e ainda tomou 3 a 0 da Holanda na disputa pelo terceiro lugar.

Na Copa América, o time também teve dificuldade para se virar sem o camisa 10. 

Na edição de 2015, o jogador foi suspenso por quatro jogos após confusão com jogadores da Colômbia, ainda na primeira fase. Ele nem mesmo permaneceu no Chile com os companheiros, que acabaram sendo eliminados pelo Paraguai nas quartas de final: 4 a 3 nos pênaltis, após empate por 1 a 1.

Na edição do ano seguinte, que celebrava o centenário da competição, Neymar não atuou. A prioridade foi dada aos Jogos Olímpicos e à conquista inédita da medalha de ouro, obtida contra equipes de segundo escalão.

Nos Estados Unidos, o time de Dunga conseguiu ser eliminado ainda na primeira fase, o que custou o emprego do treinador e abriu espaço para outro gaúcho.

Agora, é Tite que precisa se virar sem o craque. De acordo com os atletas, a ordem do chefe é manter o padrão estabelecido para o time. Se antes o plano era desenvolver uma equipe sólida, para que Neymar e outras individualidades aparecessem, não há motivo para eleger agora alguém que deva carregar a seleção brasileira sem aquele que é sempre chamado de "líder técnico".

Em amistoso contra Honduras, no Beira-Rio, em Porto Alegre, a partir das 16h deste sábado (8), o comandante terá a oportunidade de fazer os últimos ajustes para a estreia na Copa América, marcada para sexta (14), no Morumbi, em São Paulo, contra a Bolívia.

No treino deste sábado (8), aberto ao público, os cerca de 4.500 torcedores presentes no estádio do Internacional viram o técnico Tite escalar a equipe com David Neres na vaga que seria de Neymar.

O jogador do Ajax (HOL), que entrou no segundo tempo da vitória por 2 a 0 sobre o Qatar, em Brasília, deverá fazer companhia a Richarlison e Gabriel Jesus no ataque titular contra Honduras.

O atacante do Manchester City (ING) chegou a se revezar com Roberto Firmino durante o treino, mas Tite avisou que, mesmo com Firmino à frente na disputa, há um temor de lesão com o atleta do Liverpool (ING), que acaba de chegar da Europa após conquistar a Champions League.

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