Brasil deslancha após vaias e vence na abertura da Copa América

Seleção bate a Bolívia por 3 a 0, com dois de Coutinho e um de Everton

Marcos Guedes Toni Assis Carlos Petrocilo
São Paulo

A seleção brasileira encontrou dificuldades e chegou a ser vaiada em sua estreia na Copa América, nesta sexta (14), no Morumbi, em São Paulo. Após um primeiro tempo digno de reclamações, no entanto, o time abriu o placar em um pênalti apontado após consulta ao VAR (árbitro assistente de vídeo) e construiu uma vitória tranquila por 3 a 0 sobre a Bolívia.

Na ausência de Neymar, cortado por lesão no tornozelo direito, Philippe Coutinho assumiu o papel de protagonista da equipe, que jogou de branco, em referência ao uniforme com o qual ganhou o Sul-Americano cem anos atrás.

O meia marcou duas vezes e tranquilizou o público, ansioso até as bolas na rede no início da etapa final.

Os primeiros minutos davam a impressão de que seria cumprido o protocolo de uma estreia tranquila. O Brasil envolveu a Bolívia, chegou com facilidade à região próxima à meia-lua, rondou a meta defendida por Lampe e criou oportunidades, animando o público.

A melhor chance da etapa inicial surgiu logo aos cinco minutos, em escanteio batido por Philippe Coutinho, desviado no primeiro pau e concluído por Roberto Firmino. Lampe fez boa defesa e viu, pouco depois, cabeceio perigoso de Thiago Silva após nova cobrança precisa de escanteio de Coutinho.

Estar perto da rede nessas jogadas teve um efeito negativo. A seleção passou a abusar dos cruzamentos, especialmente depois de que o adversário conseguiu encaixar a marcação de maneira mais eficiente. Foram mais de 20 bolas alçadas à área ao longo dos 45 minutos iniciais, receita pouco apropriada contra um rival tecnicamente inferior.

As dificuldades ficaram tão claras que o público, animado no início do confronto, não teve pudor de demonstrar seu descontentamento com firmes vaias ao final do primeiro tempo. A empolgação do começo mingou, e a torcida foi se calando até explodir em descontentamento quando o apito decretou o intervalo.

No primeiro tempo, parte da torcida brasileira gritava "bicha" quando o goleiro da Bolívia cobrava o tiro de meta. Em 2017, a CBF foi multada pela Fifa e teve de pagar cerca de R$ 400 mil pelas ofensas homofóbicas durante a campanha nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.

Everton comemora com Filipe Luís depois de marcar o terceiro gol da seleção brasileira
Everton comemora com Filipe Luís depois de marcar o terceiro gol da seleção brasileira - Pedro Ugarte/AFP

No começo da etapa final, o pênalti apontado após consulta ao VAR diminuiu a ansiedade de quem estava dentro e fora de campo. O juiz argentino Néstor Pitana não tinha visto o toque de mão de Jusino, mas consultou as imagens e apontou a infração, aproveitada em boa batida de Coutinho, aos cinco minutos.

Aos nove, jogada bem tramada por Richarlison acabou em cruzamento preciso de Firmino para Coutinho marcar de novo, de cabeça. Aí, ficou claro que a estreia do Brasil terminaria em vitória, e Tite respirou aliviado, sabendo que as vaias do intervalo não seriam repetidas no momento do apito derradeiro.

Com o triunfo assegurado, o treinador começou a promover alterações, pensando em dar descanso a quem precisava e oportunidades a quem ainda não tinha vestido a camisa do Brasil em uma competição.

Firmino, desgastado após uma longa temporada europeia, deu lugar a Gabriel Jesus. Everton teve sua chance, substituindo Neres. Depois, Willian entrou no lugar de Richarlison.

Quem mais bem aproveitou a oportunidade foi Everton. Aos 40, o atacante do Grêmio fez boa jogada pela esquerda, cortou para o meio e bateu com precisão, no canto esquerdo de Lampe, para marcar pela primeira vez com a camisa da seleção e fechar a vitória em sua estreia na Copa América.

As vaias do intervalo deram lugar até a alguns gritos de “olé” nos instantes derradeiros.

Bolsonaro consulta o relógio antes do início da partida
Bolsonaro consulta o relógio antes do início da partida - Pedro Ugarte/AFP

Entre os torcedores que foram da preocupação ao alívio no Morumbi estava Jair Bolsonaro (PSL). Conforme protocolo da Conmebol, o presidente não fez discurso de abertura, e sua presença foi discreta.

Bolsonaro chegou ao Morumbi às 20h30, acompanhado do filho e senador Flávio Bolsonaro e dos ministros Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Osmar Terra (Cidadania), Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança). A comitiva ficou em uma área isolada para autoridades.

No intervalo, ele saiu da tribuna a para fazer fotos e, por meio de uma escada, foi até o gramado. Quando apareceu, um pequeno grupo gritou: “Mito, Mito, Mito!”.

Bolsonaro foi o único chefe de Estado no Morumbi e deixou o estádio pouco antes do terceiro gol, marcado por Everton. O Comitê Organizador Local informou que o emir do Qatar, Tamim bin Hamad al Thani, havia confirmado presença, mas, segundo a Conmebol, ela não se concretizou.

Ao fim do duelo, Bolsonaro e o público deixaram o estádio celebrando o triunfo que fez o Brasil largar na liderança do Grupo A, que tem ainda Venezuela e Peru. A seleção terá o seu segundo compromisso na terça-feira (18), contra a Venezuela, em Salvador.

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