Descrição de chapéu Copa do Mundo Feminina

Como o futebol virou uma pauta feminista na Argentina

Seleção tenta classificação para as oitavas de final da Copa

Sylvia Colombo
Buenos Aires

A Argentina vive com animação a disputa da Copa do Mundo deste ano. Embora com menos visibilidade que o futebol masculino, os jogos da seleção feminina são notícia e as atuações são discutidas no país.
Na estreia, as argentinas empataram em 0 a 0 com o Japão, um resultado comemorado. No segundo jogo, perderam de 1 a 0. Nesta quarta (19), a equipe enfrenta a Escócia, às 16h.

A moda do futebol feminino na Argentina começou a ganhar força com as manifestações no #NiUnaMenos, em 2015. A princípio, o grupo se reuniu e organizou atos pela luta contra a agressão às mulheres. Logo as bandeiras se estenderam, incluindo a defesa da lei do aborto, a igualdade salarial e também o futebol. 

Neste meio, a maior referência é Macarena Sánchez, chamada de “Maca” Sánchez, 27, que não está na seleção mas foi a primeira jogadora a assinar um contrato profissional com um clube, o San Lorenzo. Seu rosto estampa camisetas de várias garotas e adolescentes nos protestos feministas.


Neste mesmo espírito, surgiram campanhas como “Equilibrá la Cancha”, uma iniciativa do site RED/ACCIÓN com a Wikipedia, para construir mais perfis de jogadoras argentinas de futebol na base de dados —quando começaram havia apenas 33 perfis femininos contra 5.343 masculinos. Agora já são centenas de perfis de mulheres.

Também nessa onda, jogadoras de futebol passaram a estimular um grupo de apoio e até de ajuda financeira às atletas mais velhas, que deram os primeiros passos no futebol argentino.

Surgiu assim o grupo Pioneras, que vem realizando encontros para contar histórias do futebol feminino, como em 1971, quando um time sem técnico e sem uniforme padronizado venceu a Inglaterra por 4 a 1 em pleno estádio Azteca. Essa partida é tida como mítica pelas jogadoras e fãs do futebol feminino local.
Com a nova visibilidade, as Pioneras, hoje senhoras de idade avançada, têm dado entrevistas e participado como comentadoras em alguns dos jogos da seleção atual.


A ex-goleira da seleção argentina, Lucila Sandoval, está recolhendo as histórias do futebol argentino desde a década de 1950 para um livro e um projeto para a internet

Desde o ano passado, a AFA (Associação do Futebol Argentino) destina 24 milhões de pesos (cerca de R$ 212 milhões) anuais para ajudar no salário de oito jogadoras profissionais de cada um dos 16 times da primeira divisão.

 

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