Exaltado por antecessores, Daniel Alves tenta igualá-los na seleção

Lateral diz ter técnica de Jorginho e raça de Cafu, mas lhe falta sucesso em Copas

Marcos Guedes
São Paulo

Daniel Alves, 36, não gosta de passar despercebido. O jogador, que se coloca como um ícone no mundo da moda, diverte-se ao deixar sua marca com declarações quase tão chamativas quanto suas roupas.

Nesta semana, o lateral direito se apresentou como uma mistura dos dois últimos jogadores da posição que conquistaram a Copa do Mundo pelo Brasil. “Acredito que eu tenha a raça do Cafu e a qualidade do Jorginho”, disse o baiano, capitão da equipe verde-amarela na Copa América.

Daniel Alves no duelo contra a Venezuela, em Salvador
Daniel Alves no duelo contra a Venezuela, em Salvador - Rodolfo Buhrer/Reuters

Houve críticas à autoavaliação, mas os próprios ex-atletas citados na frase não o censuraram. O paralelo técnico não parece mesmo absurdo, ainda que o currículo do atual camisa 13 do time nacional tenha uma lacuna inexistente na ficha dos antecessores.

“O que falta para ele é ser campeão do mundo”, afirma Jorginho, 54, que teve participação importante na conquista do tetra em 1994. “Eu me sinto honrado com a comparação. Ele é tecnicamente muito bom, dificilmente erra um passe ou um cruzamento.”

Cafu, 49, reserva no tetra e capitão do penta, em 2002, também não recebeu a frase de maneira negativa, procurando fazer elogios ao atual dono da posição. “Ele é bom menino. Vai longe, é um profissional exemplar”, afirmou.

Ir longe é um requisito para que Daniel Alves, nem tão menino assim, tente obter o título que lhe falta. O jogador terá 39 anos na Copa do Mundo de 2022 e será o mais velho a vestir a camisa do Brasil em um Mundial se for convocado para disputar a competição no Qatar.

“É um objetivo, mas não me permito olhar tão à frente. Não posso me esquecer do agora”, disse o baiano, concentrado em vencer a Copa América pela segunda vez. Ele triunfou em 2007 e ganhou também duas edições da Copa das Confederações (2009 e 2013), sucesso que não conseguiu repetir na disputa mais importante.

Na Copa de 2010, na África do Sul, Daniel atuou adiantado, como um ponta-direita, assumindo o posto do contundido Elano e parando diante da Holanda, nas quartas de final. Em 2014, no Brasil, começou o torneio como titular da lateral direita e, após as oitavas de final, perdeu a posição para Maicon –escapando de fazer parte da derrota por 7 a 1 para a Alemanha, na semifinal.

A chance seguinte teria aparecido em 2018 se ele não tivesse sofrido a lesão grave no joelho direito que o afastou do Mundial. Agora, há um caminho longo para o que pode ser a última oportunidade, porém o atleta tem a seu favor a confiança depositada pelo técnico Tite, que lhe deu a faixa de capitão.

Por enquanto, das 110 partidas que o jogador disputou com a camisa da seleção, nove foram em Copas do Mundo. Se seu currículo é fantástico em clubes, com oito títulos nacionais, três europeus e três mundiais, falta-lhe uma memória como o cruzamento de Jorginho para Romário, contra a Suécia, na semifinal de 1994, ou o levantamento da taça de 2002 por um Cafu “100% Jardim Irene”.

O tempo está se esgotando, mas ainda não acabou. Tite, que já era o técnico no último Mundial, afirmou que seu sonho era conquistar a taça e ver Daniel Alves a erguendo na Rússia. Idade avançada à parte, não há motivos para crer que o treinador não tenha o mesmo desejo para o Qatar. Antes, o atleta tentará mostrar a raça de Cafu e a técnica de Jorginho para ganhar a Copa América. 

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