Gabriel Jesus ganha vaga e decide, mas ainda sofre com jejum de gols

Criticado por passar Mundial em branco, atacante busca 1º gol na Copa América

Belo Horizonte

Quando foi definida a ordem das cobranças de pênalti após o 0 a 0 entre Brasil e Paraguai, na última quinta (27), em Porto Alegre, Thiago Silva correu para passar confiança a Gabriel Jesus, o responsável pela quinta batida da seleção. O beque disse ao atacante que ele seria decisivo no desempate —o que de fato ocorreu—, mas sem convicção nenhuma.

“Vou ser bem sincero: não tinha certeza”, admitiu o zagueiro. Ele tinha visto o companheiro abatido no jogo anterior, justamente por ter perdido um pênalti, e resolveu lhe transmitir uma energia positiva antes do chute que acabou definindo o triunfo verde-amarelo por 4 a 3 nos tiros da marca penal. “A fé me fez dar esse recado para ele.”

A situação chegou ao campo da fé pela dificuldade que Jesus vem encontrando para colocar bolas na rede em torneios pela seleção. Muito criticado pelo desempenho na última Copa do Mundo, na qual passou em branco, ele ainda não conseguiu ir à rede na Copa América –exceção feita ao tiro na disputa por pênaltis, que não é computado para a artilharia.

“Entro em todos os jogos para fazer gol, ajudar minha equipe a vencer. É óbvio que quero fazer gol, não só em copas. Cara, eu quero fazer gol. Mas isso não me assombra nem tenho que deixar me assombrar. Eu me sinto tranquilo assim. Às vezes, não acontece. Estou trabalhando para melhorar”, disse o atacante de 22 anos.

De acordo com os companheiros, Jesus não está tão tranquilo assim. Foi por isso que ele pediu para cobrar o pênalti no finalzinho da tranquila vitória por 5 a 0 sobre o Peru. Parou no goleiro Gallese e se mostrou chateado no vestiário do estádio de Itaquera, em São Paulo, apesar dos elogios que recebeu do técnico Tite.

“Ele fez uma partida extraordinária. Só faltou o gol”, recordou Thiago Silva. “Após a perda do pênalti, ele ficou muito abalado, triste. Sabia que tinha feito um grande jogo, mas o fato de ter perdido aquela chance o deixou um pouco para baixo. Cheguei para ele e falei: ‘O futuro a Deus pertence, você pode decidir depois’”, relatou o zagueiro.

O chefe também tem procurado valorizar o trabalho do camisa 9. Depois de começar a Copa América como reserva de Richarlison, o atacante do Manchester City foi acionado no segundo tempo das duas primeiras partidas da competição e agradou a ponto de ganhar uma vaga entre os titulares.

O espaço que ele cavou foi na ponta direita, não mais no comando do ataque. O jovem tem liberdade para se aproximar do centroavante Roberto Firmino, porém menos chances de se ver de frente para o gol. É algo que ele procura encarar com naturalidade, pois já atuou com alguma frequência nessa posição.

Gabriel Jesus, do Brasil, comemora seu gol em cobrança de pênalti, que deu a classificação da seleção brasileira contra o Paraguai, durante partida válida pelas quartas de finais da Copa América 2019, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)
Gabriel Jesus, do Brasil, comemora seu gol em cobrança de pênalti, que deu a classificação da seleção brasileira contra o Paraguai - Gustavo Granata/Uaifoto/Folhapress

“Eu me sinto confortável jogando como ponta ou como centroavante. Sempre joguei aberto na base, comecei assim no Palmeiras, cheguei a jogar de ponta no City também. Jogo em qualquer lugar, não tenho o que escolher. Estou à disposição do treinador para fazer o melhor, seja qual for a opção”, afirmou o atleta.

Gabriel Jesus tentará novamente encerrar seu jejum na próxima terça-feira (2), no Mineirão, na semifinal da Copa América. Se for à rede em Belo Horizonte, ajudar a eliminar a rival Argentina e se colocar na decisão, o jogador não precisará ser consolado por Thiago Silva ou por qualquer outro companheiro.

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