Pista que forjou equipe medalha de prata em Sydney espera por reforma

Mantenedores buscam opções para financiar obra de equipamento em Presidente Prudente

Emerson Voltare
Presidente Prudente

"Vamos que é prata. É prata, é prata, é prata, é prata, é praaata!"

Sob narração de Galvão Bueno, numa manhã de sábado, em 30 de setembro de 2000, o atletismo de Presidente Prudente (cidade a 556 km de São Paulo) alcançava a glória em rede nacional com a medalha de prata no revezamento 4 x 100 m dos Jogos de Sydney.

O trabalho ali laureado, com Vicente Lenilson, Edson Luciano, André Domingos e Claudinei Quirino, começou na pista de atletismo da Unesp (Universidade Estadual Paulista), que continua em funcionamento até hoje, mas de maneira bastante precária.

O equipamento público está degradado, com falhas que impossibilitam o uso completo da pista de atletismo.

Pista de atletismo da Unesp, em Presidente Prudente
Pista de atletismo da Unesp, em Presidente Prudente - Estevão Salomão/Folhapress

A última grande reforma aconteceu em 2002, quando o mesmo material que seria utilizado no estádio Ninho de Pássaro, sede dos Jogos de Pequim-2008, foi instalado ali.

"Nossa equipe é basicamente de velocistas. Dificilmente conseguimos realizar exercícios de tiro longo, que utilizam os 400 m [da pista]. Precisamos nos concentrar em espaços que não estejam tão danificados", conta Inaldo Sena, técnico da equipe de atletismo da FCT (Faculdade de Ciências e Tecnologia) da Unesp.

Sena também lamenta o baixo orçamento para o dia a dia da equipe e em viagens para competições. "Hoje basicamente nossa equipe é formada por jovens promessas. Contamos com a colaboração da faculdade, do [Claudinei] Quirino [secretário de Esporte da cidade], mas falta investimento privado", afirma.

Os administradores do equipamento haviam firmado um convênio com o antigo Ministério do Esporte para reformar a pista em 2013. Pelo acordo, o governo federal custearia 90% da obra orçada em R$ 12,6 milhões, com o restante sendo pago pela Unesp.

Com dificuldades para levantar recursos e pagar a sua parte da reforma (R$ 1,26 milhão), a universidade viu o convênio expirar em junho deste ano e agora busca um novo acordo com o governo.

Da esquerda para a direita, Edson Luciano, Claudinei Quirino, André Domingos e Vicente Lenílson comemoram a medalha de prata no revezamento 4 x 100 m, em Sydney (Austrália). Jeff Haynes/AFP Photo.

O vice-diretor da FCT (mantenedora da pista), Aldo Eloizo Job, esteve em Brasília no fim do mês passado para convencer o Ministério da Cidadania, que absorveu a pasta de Esporte no governo de Jair Bolsonaro, a liberar um novo repasse, desta vez pagando integralmente a reforma.

Caso não consiga um sinal verde de Brasília, a opção é firmar uma PPP (parcerias público-privada) para captar investimentos e custear a obra. A medida era proibida na universidade, mas uma mudança recente na regulamentação da instituição permitiu a realização desse tipo de parceria.

Não é a primeira vez que o local de treino se encontra em condições precárias às vésperas de uma Olimpíada. Faltando pouco menos de um ano para os jogos de 2000, placas de borracha se soltavam na antiga pista e ameaçavam a integridade física dos atletas.

O então técnico da equipe brasileira, Jayme Netto Jr, levou o time para treinar numa pista de terra batida na cidade vizinha de Álvares Machado. "Dividíamos o espaço com animais de um circo que estava abrigado no gramado da pista de atletismo da cidade", lembra André Domingos

O atual time de Presidente Prudente conta com quatro atletas com índice para algumas das principais competições de atletismo deste ano.

Maria Vitoria Belo de Sena (filha do técnico Inaldo Sena) e Giovana Rosalia dos Santos podem disputar os Jogos Pan-Americanos de Lima nos 400 m. Giovana ainda conseguiu índice para o Mundial sub-20, que será disputado em Helsinque, na Finlândia.

Além delas, o maratonista Paulo Roberto de Almeida representará o Brasil no Pan e no Mundial do Qatar, e Deisiane Teixeira disputará o lançamento de dardo do Pan-Americano sub-20, na Costa Rica.

Segundo levantamento da Unesp, o estádio olímpico da universidade já forjou 49 atletas premiados com 60 medalhas de ouro, 23 de prata e 18 de bronze entre competições internacionais (Olimpíadas, Mundiais, Pan e Sul-Americano), nacionais e estaduais.

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