Seleção busca vitória sem vaias e vaga antecipada na Copa América

Após críticas na estreia, em São Paulo, Brasil enfrenta Venezuela em Salvador

Marcos Guedes
São Paulo

Anfitrião da Copa América, o Brasil fez sua estreia com vaias e vitória em São Paulo. Agora, em Salvador, busca construir uma relação melhor com as arquibancadas e assegurar sua classificação antecipada às quartas de final da competição.

Depois de superar as críticas ouvidas no intervalo e derrotar a Bolívia por 3 a 0 no Morumbi, na última sexta-feira (14), a seleção terá pela frente a Venezuela. Basta vencer o confronto, marcado para as 21h30 desta terça (18), na Fonte Nova, para que a vaga nos mata-matas do torneio continental seja confirmada com uma rodada de antecedência.

O técnico Tite observa a estreia de sua equipe, que foi alvo de vaias na sexta-feira (14) - Henriy Romero - 14.jun.19/Reuters

Com seis pontos, o time verde-amarelo se certifica de que ficará no mínimo com a segunda colocação do Grupo A, mas a busca não é apenas pela pontuação necessária. A expectativa é obter uma recepção mais calorosa do público baiano, algo que o juazeirense Daniel Alves, 36, colocou explicitamente.

“Em São Paulo, é normal [ouvir vaias]. É sempre muito complicado jogar em São Paulo”, disse o lateral, logo após o triunfo sobre a Bolívia. “Na Bahia, o axé é diferente. As pessoas sentem falta da seleção brasileira, dessa energia que a seleção leva por onde passa. Certeza de que lá vai ser mais animado do que aqui”, acrescentou.

Já em Salvador, Daniel Alves procurou minimizar a crítica ao comportamento dos paulistanos, dizendo que se referia à distância maior da arquibancada para o gramado no Morumbi.

De qualquer maneira, ele espera uma atitude diferente dos torcedores na Fonte Nova, onde o público fica mais perto e o humor é geralmente distinto do observado na capital paulista.

“Vou insistir para que as pessoas entendam que estamos aqui representando nosso país. Não estamos aqui para brincadeira, perdendo tempo, ou porque ficamos mais bonitos vestindo a camisa da seleção brasileira. Estamos aqui para uma missão. Não importa se você gosta ou desgosta de certo jogador, se ele joga em um time de que você não gosta. É momento de estarmos unidos, fechados. Quando há conexão, os resultados são mais favoráveis”, afirmou o capitão.

O lateral Daniel Alves confia no calor do povo baiano contra a Venezuela - Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação

Tite, 58, não adotou a mesma linha, mas apontou que “o jogador sente, o treinador sente” a vaia. Para evitá-la, o treinador deverá finalmente contar com toda a formação titular que imaginou para a Copa América após o corte de Neymar por lesão no tornozelo direito.

Arthur, que machucou o joelho direito no último amistoso preparatório e não pôde encarar a Bolívia, tem boas chances voltar ao time. O volante de 22 anos provavelmente recuperará o posto que ficou com Fernandinho, 34, na sua ausência e ajudar a formar o meio-campo dinâmico desenhado pelo comandante.

Como ocorreu na estreia, a seleção deverá encontrar um adversário defensivo. A Venezuela estreou empatando por 0 a 0 com o Peru, em um jogo no qual conseguiu atacar pouco, em Porto Alegre. Seu técnico não faz questão de fingir que haverá uma busca maior pelo gol diante dos donos da casa.

“Jogar de igual para igual com o Brasil é uma loucura. Sabemos o que é o Brasil. Temos que tentar realizar nosso jogo, com muita segurança. Vamos um enfrentar uma das melhores seleções do mundo. É um time fisicamente fortíssimo, uma seleção modernizada, que realiza um jogo admirável. Buscaremos fazer um bom jogo”, disse Rafael Dudamel, 46.

Contra um rival fechado, a equipe verde-amarela terá de mostrar alguma paciência para rodar a bola, como afirmou Tite. Isso pode significar trocar passes no campo de defesa, à espera do momento correto para o bote, o que costuma gerar inquietude nos torcedores mais ansiosos.

Em Salvador, os jogadores esperam se ver diante de um público mais receptivo à realidade que encontrarão.

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