Descrição de chapéu Copa América São Paulo

Sem teto nem arena prometida, Morumbi fez reparos e trocou grama

A principal obra foi a construção de um túnel de 25 metros de extensão

Carlos Petrocilo Toni Assis
São Paulo

Maior estádio de São Paulo em capacidade —64 mil espectadores— e terceiro do Brasil, o Morumbi está em 2019 bem diferente do que o São Paulo prometeu há oito anos.
 

Após ouvir um não da Fifa para sediar o Mundial, o clube lançou um projeto com reformas que previam cobertura das arquibancadas, uma arena para 25 mil pessoas, um prédio ao lado para abrigar hotel, estacionamento e um museu.

Nada disso está no Morumbi que recebe a Copa América 2019. Após ver naufragar o projeto de R$ 360 milhões –sem o aval do conselho deliberativo, a construtora Andrade Gutierrez rescindiu contrato com o clube– o estádio recebeu intervenções pontuais desde então.

A principal obra foi a construção de um túnel de 25 metros de extensão, com 8 metros de largura e 3,5 metros de altura, que interliga os vestiários atrás do gol.

Para o Mundial de 2014, a Fifa exigia que o túnel fosse construído a partir dos vestiários e até o centro do gramado, o que foi descartado pela diretoria do São Paulo diante do alto custo da obra. 

Para a Copa América, além do túnel, vestiários foram reformados e ampliados de 110 metros quadrados para 200 metros quadrados, o que gerou a cobertura parcial do fosso entre arquibancada e gramado. Também foi construído vestiário exclusivo para árbitras e 22 banheiros para pessoas com deficiências.
 

O diretor executivo de infraestrutura do clube, Eduardo Rebouças,  descarta retomar o projeto de cobertura do Morumbi, previsto pelo clube em 2012. 

“Cobrir é bacana, bonito. Mas temos 32 mil lugares cobertos (arquibancadas superior e inferior) e uma chuva por ano”, disse Rebouças. “O estádio tem 60 anos, vamos adaptando de acordo com as nossas condições e necessidades.”

Ele afirma que a atual administração estuda a possibilidade de construir a arena para 25 mil pessoas e prevê investir R$ 1,5 milhão para o museu. 

Os dois itens estavam no projeto divulgado pelo clube em 2011, logo após a Fifa descartar o estádio são-paulino para a Copa do Mundo. A reforma anunciada pelo então presidente Juvenal Juvêncio (morto em 2015) estava prevista para começar em 2012 e custaria cerca de R$ 400 milhões.   

A reforma milionária seria paga com ajuda de um fundo de investimento que, em contrapartida, teria participação nos lucros dos eventos esportivos e culturais na arena de 25 mil lugares.

Batizada provisoriamente de “Arena 25 mil”, o espaço ocuparia parte dos gramados atrás do gol próximo ao portão da avenida Giovanni Gronchi. No projeto da Andrade Gutierrez, uma ‘cortina’ reversível é acionada nos dias de eventos para separar a arena do campo de futebol.

O escopo do projeto previa, a partir do primeiro ano, pelo menos dez locações anuais e um retorno inicial de R$ 2,5 milhões.

O sistema de iluminação foi refeito, agora, com lâmpadas de LED e dois telões foram instalados sobre as arquibancadas laterais. Entre 2016 e 2017, o estádio havia recebido reforma no gramado, com novo sistema de drenagem, e a construção do novo centro de mídia.

Para anunciar a remodelação do Morumbi, Juvêncio organizou evento no salão nobre do estádio e reuniu o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab.

Na ocasião pediu, indiretamente, apoio dos políticos para garantir as licenças que o clube e a empreiteira precisariam para começar as obras. “Se o poder público aprovar logo, iniciamos as obras em 60 dias”, discursou o ex-presidente.

A proposta não foi aprovada por pelo menos 75% dos conselheiros do clube, conforme prevê o estatuto. 
José Francisco Manssur, ex-assessor de Juvêncio, era um dos defensores das obras do Morumbi.

“O São Paulo perdeu uma grande oportunidade de reformar o Morumbi. Mas, logo depois, o país entrou em recessão, o mercado da construção civil sofreu grande mudança por conta da Operação Lava Jato, e clube (depois do Juvenal Juvêncio) teve administrações instáveis”, disse Manssur.

A Andrade Gutierrez desfez o acordo com o São Paulo em janeiro de 2014 – quando a obra estava orçada em R$ 460 milhões.

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