Descrição de chapéu Copa do Mundo Feminina

Veterana, canadense persegue recorde mundial de gols por seleções

Aos 36 anos, Christine Sinclair está a três gols de igualar americana Abby Wambach

Bruno Rodrigues
São Paulo

No dia 19 de agosto de 2015, a centroavante americana Abby Wambach marcou seu último gol pela seleção dos Estados Unidos. O registro final de uma extensa lista que a mantém até o dia de hoje, mesmo aposentada há três temporadas, como a recordista mundial por seleções, com 184 gols.

Quatro anos depois daquela vitória por 7 a 2 sobre a Costa Rica, no amistoso disputado em um estádio universitário no Tennessee diante de 20.535 pessoas, Wambach vê seu recorde enfim ameaçado.

Pela quinta vez disputando uma Copa do Mundo, a veterana capitã canadense Christine Sinclair, com 36 anos completados no último dia 12, persegue a marca da americana.

Christine Sinclair comemora gol contra a Austrália em jogo da Olimpíada de 2016, em São Paulo
Christine Sinclair comemora gol contra a Austrália em jogo da Olimpíada de 2016, em São Paulo - Paulo Whitaker/Reuters

Já são 181 gols na carreira pela seleção do Canadá, catálogo pessoal que ela tentará atualizar nesta quinta-feira (20), contra a Holanda, às 13h, em Reims, depois de passar as duas primeiras rodadas do Mundial em branco. O jogo terá transmissão do SporTV.

A importância do feito, porém, não é algo que parece tirar o sono de Sinclair, dona de uma sólida trajetória no futebol, mas praticamente escrita à margem dos holofotes.

“Eu nem sei qual é o recorde da Abby [Wambach]. Simplesmente não é algo que eu presto atenção. Eu quero que este time e este país [o Canadá] tenham sucesso no cenário feminino e que vençam um grande torneio”, disse a jogadora em 2017 em entrevista ao site Sportsnet, quando ainda tinha 168 gols.

Da mesma forma que Sinclair nunca foi colocada no mesmo patamar de outras estrelas do futebol feminino como a brasileira Marta, a própria Abby Wambach e a também americana Alex Morgan, por exemplo, seu estilo de jogo parece ser uma metáfora de quem ela é fora de campo.

Muitos de seus gols são marcados de maneira simples, às vezes com um toque só, sem grandes lances plásticos.

“Ela é tão decisiva dentro e ao redor da área que, é verdade, ela marca gols legais, mas a maioria das vezes ela marca gols irritantes, de rebote, e é isso o que faz uma boa atacante. Ela é a melhor do mundo nesse aspecto”, analisa a australiana Sam Kerr, 25, considerada uma das melhores da atualidade e de personalidade muito mais expansiva, oposta à da canadense.

Christine Sinclair começou a bater bola aos quatro anos de idade com o irmão mais velho. O beisebol era outra de suas paixões na infância, influenciando até mesmo no número de seu uniforme.

Sinclair utiliza a camisa 12 em referência a Roberto Alomar, atleta porto-riquenho que jogou na década de 1990 pelo Toronto Blue Jays, da Major League Baseball, e integra o hall da fama do esporte.

A carreira no futebol começou ainda na Universidade de Portland, nos Estados Unidos, instituição na qual se formou em “Life Sciences”, uma área que não tem tradução exata para o português (seria algo como Ciências da Vida) e que combina conhecimentos de biologia, farmácia e química.

Bicampeã universitária, sua primeira aparição de destaque no cenário internacional foi no Mundial Sub-20 de 2002, em Edmonton, em seu país natal, marcando dez gols e terminando o torneio como artilheira e melhor jogadora.

No ano seguinte, Sinclair já estava disputando a Copa do Mundo com a seleção principal, anotando seus primeiros três gols em Mundiais. Foram mais três participações e outros seis gols no torneio até esta edição na França.

Com dois títulos da principal liga do mundo (Estados Unidos) no currículo, a canadense ganhou notoriedade principalmente por seus feitos em competições de seleções. E o Brasil sabe bem disso.

Em 2016, um gol de Sinclair decretou a vitória por 2 a 1 do Canadá sobre a seleção brasileira, jogo que valeu a medalha de bronze na Olimpíada do Rio de Janeiro. Foi o segundo bronze da atacante, também laureada com a medalha na edição anterior, de 2012, na cidade de Londres.

Em um país cuja seleção masculina está longe de ser uma potência, é a equipe feminina que melhor representa a nação no futebol.

Um bom exemplo disso é a versão canadense da capa do game Fifa 16, que além de Lionel Messi estampa uma imagem de Sinclair com o uniforme da seleção. O tipo de fama e reconhecimento para o qual a veterana dá de ombros.

“Ainda me esforçando por melhorar”, é a frase em inglês de seu perfil no Twitter e que, ao melhor estilo Sinclair de fazer gols, resume com fidelidade a carreira silenciosa, mas triunfal, de uma das maiores futebolistas que o jogo já viu.

CANADÁ
HOLANDA

13h (de Brasília), em Reims
​Na TV: SporTV

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