Descrição de chapéu Pan-2019

COB usa o Pan para tentar se aproximar do governo Bolsonaro

Ministro Osmar Terra será o representante do país na cerimônia de abertura

Lima

Enquanto os atletas brasileiros se preparam para disputar medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Lima, os dirigentes esportivos do país entram em ação na articulação política.

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) vê o evento peruano como uma boa oportunidade de melhorar sua imagem, abalada por denúncias após a Olimpíada do Rio, e costurar apoios importantes junto ao governo de Jair Bolsonaro e entidades esportivas do continente.

Estão previstas para os próximos dias assembleias da Panam Sports (Organização Desportiva Pan-Americana) e da Odesur, sua correspondente sul-americana. O Brasil estará representado nelas pelo presidente do COB, Paulo Wanderley.

Paulo Wanderley (à dir.) e, ao seu lado, Marco La Porta, durante cerimônia de hasteamento da bandeira do Brasil na Vila dos Atletas
Paulo Wanderley (à dir.) e, ao seu lado, Marco La Porta, durante cerimônia de hasteamento da bandeira do Brasil na Vila dos Atletas - Wander Roberto/COB

Outros encontros importantes para a entidade serão com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, e o ex-jogador de vôlei de praia Emanuel Rego, hoje responsável pelas ações de alto rendimento da Secretaria Especial do Esporte, subordinada à pasta de Terra.

Segundo a secretaria, o ministro será o representante brasileiro na cerimônia de abertura dos Jogos, na sexta-feira (26).

"Depois de todo esse furacão que passou, conseguimos botar o barco no rumo. Agora estamos navegando, e esse trabalho é importante para dar sustentação com o governo federal", afirma Marco La Porta, vice-presidente do COB e chefe da missão brasileira em Lima.

Em 2017, o ex-presidente do comitê Carlos Arthur Nuzman foi preso renunciou ao cargo na entidade. Vice na época, Paulo Wanderley assumiu a presidência.

Nuzman é réu em ação que apura suposto pagamento de pagamento de propina a membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) para que o Rio de Janeiro sediasse os Jogos em 2016.

No último dia 4, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral afirmou que os ex-atletas Alexander Popov e Sergei Bubka receberam dinheiro para votar na entidade na eleição do COI em 2007. Eles negam a acusação do delator.

 

No dia 10 de julho, representantes do COB foram recebidos no gabinete do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão. Outro ponto de contato entre as partes é o ministro do Gabinete de Segurança Institucional do governo, general Augusto Heleno, que foi funcionário do comitê olímpico na gestão Nuzman.

"Apresentamos o trabalho que o COB vem fazendo e conseguimos em alguns casos reverter uma imagem que estava um pouco negativa. As pessoas entenderam o trabalho de reconstrução e tem sido muito bom", diz La Porta, formado pela escola de educação física do Exército.

De acordo com ele, um dos pilares da gestão de Wanderley é fortalecer a imagem da entidade também junto à população, algo que um bom desempenho no Pan de Lima poderia ajudar a fazer.

"Notamos que tinha muita coisa boa que o COB fazia e que não era divulgada. Por exemplo a natação.

Fizemos um esforço para que os atletas que estão no Mundial [na Coreia do Sul] venham de primeira classe, para que cheguem descansados e possam competir. Esse é o investimento que interessa. Gastar o dinheiro onde tem que ser gasto", afirma.

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