Descrição de chapéu Tóquio 2020 Pan-2019

Com entidades em crise, empresas patrocinam atletas diretamente

Times olímpicos retornam como opção de apoio em cenário de corte de gastos

São Paulo

Em meio a um ciclo olímpico marcado pelo corte de verbas públicas no esporte brasileiro e pela crise vivida por confederações, empresas estatais e privadas têm priorizado investimentos diretos nos atletas.

A formação dos chamados times, conjunto de esportistas patrocinados pela mesma companhia, prática comum no país antes da Rio-2016, ganhou mais uma adepta nesta terça (2), com o lançamento do Time Ajinomoto em São Paulo.

O grupo japonês passará a apoiar com ajuda financeira e suporte nutricional 17 atletas olímpicos e paraolímpicos.

Nissan e Petrobras, que já tinham equipes antes dos Jogos do Rio, também renovaram seu programa de patrocínio aos atletas para a Olimpíada de Tóquio-2020.

No caso da estatal, o investimento direcionado atualmente a 22 esportistas de modalidades olímpicas e paraolímpicas é de R$ 9,8 milhões por três anos. Nissan e Ajinomoto não divulgaram os valores dos seus projetos.

A opção pelos times, capazes de atingir mais modalidades a um custo menor, contrasta com o cenário vivido pelas confederações esportivas, que sofrem com cortes e dívidas nos últimos anos.

Após a Rio-2016, a Petrobras deixou de apoiar seis delas (judô, boxe, taekwondo, esgrima, remo e levantamento de pesos). De 2011 a 2017, o repasse da estatal a essas entidades e à primeira versão do seu time totalizou R$ 80,5 milhões.

Em junho, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, disse que a empresa não "rasgará os contratos" que tem com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), as confederações de ginástica e atletismo e as ligas masculina e feminina de basquete —todos vão até 2020. Mas afirmou que o foco dos próximos investimentos deverá mudar.

"A única mudança é que a gente vai fazer direto nos atletas a partir de agora. É muito mais eficiente. Além disso, para as pessoas mais humildes. Ainda estamos discutindo como será esse projeto", ele declarou durante evento com o presidente Jair Bolsonaro no Centro Paraolímpico, em São Paulo.

Em 2017, a Caixa não renovou contrato com as confederações de ciclismo e wrestling e diminuiu os valores pagos ao atletismo e à ginástica.

No ano passado, os Correios abriram mão de continuar com as entidades responsáveis pelo tênis e pelo handebol. Já a renovação de contrato com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), que chegou a ser anunciada pelo então presidente da estatal, o general Juarez Cunha, no início deste ano, nunca aconteceu.

Apresentador do evento em que foi lançado o Time Ajinomoto, o ex-nadador Fernando Scherer lamentou que os atletas sejam afetados pela crise de credibilidade das entidades esportivas no país.

Time Ajinomoto para os Jogos de Tóquio-2020
Time Ajinomoto para os Jogos de Tóquio-2020 - Divulgação

"Ficou mais conturbada essa parte do investimento, pelo receio [das empresas]. Mas quem está sendo punido são os que não são culpados, que treinam, se dedicam, se esforçam e querem chegar lá. Se pensar em não investir no atleta por outros fatores, o que vai acontecer é que no futuro ninguém mais vai ter ídolos para se espelhar", afirmou.

Recentemente, a Ajinomoto passou a patrocinar também o Comitê Olímpico do Brasil e o CPB, a exemplo do que faz sua matriz no Japão com os comitês locais.

No caso do COB, esse foi o primeiro contrato de patrocínio com repasse de dinheiro firmado pela entidade desde a saída do ex-presidente Carlos Arthuz Nuzman do comando. Suspeito de ter comprado votos para a realização da Rio-2016, o ex-dirigente chegou a ser preso em 2017.

Cartolas de outras entidades, como de esportes aquáticos, atletismo, basquete, handebol, entre outras, também tiveram problemas com a Justiça nos últimos anos.

"Assim como apoiar os atletas, apoiar as entidades também é importante. Os atletas, para se destacarem, precisam participar de eventos que são organizados pelas entidades. Sem eventos haverá dificuldades para que os talentos sejam repostos ao longo dos anos. O equilíbrio no apoio é o caminho ideal", afirmou o diretor-geral do COB, Rogério Sampaio, presente no evento desta terça.

Time de atletas da Nissan para os Jogos de Tóquio-2020
Time de atletas da Nissan para os Jogos de Tóquio-2020 - Divulgação

Além da abrangência de modalidades possibilitada pelos times, tanto Ajinomoto quanto Nissan destacam a percepção de heroísmo relacionada aos atletas como parte de suas estratégias.

"O retorno para nós é muito grande também na parte interna, no engajamento com nossos funcionários. Os atletas ensinam várias coisas quando conhecemos as histórias deles e o que eles fizeram para chegar lá", diz Humberto Gomez, diretor de marketing da Nissan no Brasil. A empresa tem 12 atletas no seu time olímpico e paraolímpico.

Integrantes dos times olímpicos

Ajinomoto
Adriana da Silva (maratona)
Allan Kuwahara (judô)
Arthur Nory (ginástica artística)
Ana Marcela Cunha (maratona aquática)
Bruna Takahashi (tênis de mesa)
Caio Pereira (arremesso de peso paraolímpico)
Dayanne Silva (natação paraolímpica)
Douglas Brose (caratê)
Eduardo Katsuhiro (judô)
Francisco Barreto (ginástica artística)
Gustavo Montan (atletismo)
Marcelo Contini (judô)
Marcelo Fuzita (judô)
Rafael Silva (judô)
Rosângela Santos (atletismo)
Valeria Kumizaki (caratê)
Verônica Hipólito (atletismo paraolímpico)

Nissan
Ágatha Bednarczuk Rippel (vôlei de praia)
Ana Marcela Cunha (maratona aquática)
Caio Ribeiro de Carvalho (canoagem paraolímpica)
Clodoaldo Silva (natação paraolímpica - mentor)
Duda Lisboa (vôlei de praia)
Hugo Calderano (tênis de mesa)
Jane Karla Gögel (tiro com arco paraolímpico)
Petrúcio Ferreira (atletismo paraolímpico)
Renato Rezende (ciclismo BMX)
Susana Schnarndorf (natação paraolímpica)
Verônica Hipólito (atletismo paraolímpico)
Ygor Coelho (badminton)

Petrobras
Ana Marcela Cunha (maratona aquática)
Ágatha Bednarczuk Rippel (vôlei de praia)
Almir Júnior (salto triplo)
Antônio Tenório (judô paraolímpico)
Arthur Nory (ginástica)
Beatriz Ferreira (boxe)
Daniel Dias (natação paraolímpica)
Darlan Romani (arremesso de peso)
Duda Lisboa (vôlei de praia)
Fernando Reis (levantamento de pesos)
Flávia Saraiva (ginástica)
Ian Gouveia (surfe)
Isaquias Queiroz (canoagem)
Kahena Kunze (vela)
Leticia Bufoni (skate)
Marcus D’Almeida (tiro com arco)
Maicon Andrade (taekwondo)
Martine Grael (vela)
Pedro Barros (skate)
Petrúcio Ferreira (atletismo paraolímpico)
Silvânia Costa (atletismo paraolímpico)
Verônica Hipólito (atletismo paraolímpico)

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