Descrição de chapéu Copa do Mundo Feminina

Holanda vence Suécia, e final consagra técnicas na Copa feminina

Holandesas ganham com gol na prorrogação e enfrentarão EUA na decisão

João Gabriel
São Paulo

Elas eram 9 dentre os 24 técnicos de seleções na fase de grupos da Copa do Mundo feminina da França. Tornaram-se maioria nas quartas de final e, agora, com a vitória da Holanda sobre a Suécia por 1 a 0 na prorrogação, nesta quarta-feira (3), dois  times comandados por treinadoras mulheres vão decidir o título da Copa do Mundo de 2019.

Na final, as holandesas enfrentarão os Estados Unidos, que bateram a Inglaterra na terça (2). O jogo será no próximo domingo (7), às 12h (de Brasília), e terá o encontro entre as técnicas Jill Ellis (EUA) e Sarina Wiegman (HOL).

Até aqui, apenas três técnicas foram campeãs na Copa do Mundo, a própria Ellis, em 2015, e as alemãs Silvia Neid, em 2007, e Tina Theune-Meyer, em 2003 —única edição que teve duas treinadoras mulheres na decisão, com a sueca Marika Domanski-Lyfors ficando com o segundo lugar.

Jackie Groenen (número 14) e Shanice van de Sanden (7) comemoram o gol da Holanda contra a Suécia na semifinal da Copa do Mundo de 2019.
Jackie Groenen (número 14) e Shanice van de Sanden (7) comemoram o gol da Holanda contra a Suécia na semifinal da Copa do Mundo de 2019. - Benoit Tessier/REUTERS

A britânica Jill Ellis, 52, foi viver nos Estados Unidos na década de 1980. Lá, teve breve carreira como jogadora de futebol antes de se tornar treinadora de times universitários e das divisões de base do país.

Se tornou assistente da seleção feminina em 2008, passou a diretora de desenvolvimento do futebol no país (cargo que ocupa até hoje) e, em 2014, tornou-se a treinadora principal. Um ano depois, comandou os Estados Unidos na conquista do tricampeonato mundial, no Canadá.

Jill Ellis, 52, treinadora dos Estados Unidos
Jill Ellis, 52, treinadora dos Estados Unidos - Lionel BONAVENTURE-26.jun.19/AFP

A família tem relações com o futebol desde quando ela morava na Inglaterra. Seu pai, John, foi embaixador do esporte pelo governo britânico e um dos responsáveis por implementar um programa de fomento ao esporte em Trinidad e Tobago. Um de seus irmãos, Paul, foi treinador de times universitários e regionais nos Estados Unidos.

Já a holandesa Sarina Wiegman, 49, foi uma das principais jogadoras da história do seu país. Atuou pela seleção de 1987 a 2001, participando inclusive da edição teste da Copa do Mundo, em 1988. No seu último ano como atleta, tornou-se a primeira holandesa com cem partidas pelo time nacional.

Wiegman começou a treinar equipes do futebol feminino em 2003, até tornar-se assistente da seleção em 2014. É treinadora principal desde 2017 e uma das principais responsáveis pelo crescimento recente da modalidade no país.

Sarina Wiegman, 49, treinadora da Holanda
Sarina Wiegman, 49, treinadora da Holanda - Yves Herman-29.jun.19/REUTERS

A Holanda participou de um Mundial pela primeira vez em 2015, quando chegou às oitavas de final. Sob o comando de Wiegman, venceu pela primeira vez a Euro em 2017. O time também garantiu sua primeira participação olímpica com vaga nos Jogos de Tóquio-2020.

A vitória sobre o Japão, que colocou as holandesas pela primeira vez nas quartas de uma Copa do Mundo, teve mais audiência na Holanda, por exemplo, que a final da Liga das Nações de futebol masculino, em que a seleção jogou contra Portugal, segundo dados divulgados pela Fifa.

Nesta quarta, o gol da semifinal foi marcado por Jackie Groenen, aos 8 minutos do segundo tempo da prorrogação. A meio-campista veste a lendária camisa laranja com o número 14 às costas, assim como Johan Cruyff.

Groenen, 24, que foi campeã nacional de judô quando mais jovem, já usava a numeração no Frankfurt, seu clube até o fim da temporada 2018-19, quando foi para o Manchester United. A paixão pelo futebol veio de seu pai, um grande admirador de Cruyff.

​Neste Mundial, a Holanda está invicta. Sofreu apenas três gols e já marcou 11. Mesmo assim, o favoritismo na decisão está do lado dos Estados Unidos, que só venceu até aqui.

As americanas, três vezes campeãs mundiais, já marcou 24 gols na atual edição -13 deles na goleada por 13 sobre a Tailândia, a maior da história das Copas do Mundo- e foram vazadas em apenas três ocasiões.

A final da Copa colocará frente a frente, além das duas treinadoras, a maior hegemonia do futebol feminino contra um país que, em cerca de dois anos, deixou o anonimato para se tornar uma nova potência da modalidade.

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