Descrição de chapéu Copa América

Motor do Chile, Aránguiz tenta levar seleção à terceira final

Ex-Inter, meia se destaca com assistências e cobranças de pênaltis

Bruno Rodrigues João Gabriel
São Paulo

Charles Aránguiz bate forte, com o peito do pé, e a bola vai no ângulo. Foi assim que o chileno converteu seu pênalti, o terceiro na disputa alternada ​contra o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2014. Era a terceira cobrança e os dois primeiros batedores, Mauricio Pinilla e Alexis Sánchez, tinham errado.

Júlio César, que terminaria aquela tarde como herói brasileiro, ficou completamente estático debaixo das traves na cobrança de Aránguiz. O Chile foi eliminado, mas o meia mostrou algo que virou rotina em decisões.

Aránguiz participou de todas as cinco disputas por pênaltis do Chile nos últimos anos. Foi assim na eliminação para o Brasil, nas finais de Copa América de 2015 e 2016, ambas contra a Argentina, na semifinal da Copa das Confederações, contra Portugal, e no triunfo sobre a Colômbia na Copa América na última sexta-feira (28).

Aránguiz cobra pênalti contra a Colômbia
Aránguiz cobra pênalti contra a Colômbia - Ueslei Marcelino-28.jun.19/REUTERS

Não errou sequer uma cobrança e pode ser decisivo caso a semifinal da Copa América contra o Peru, às 21h30 dessa quarta-feira (4), acabe empatada. 

Líder de assistências da competição, com três passes para gol, ele é o motor da equipe que tenta levar à terceira decisão seguida do torneio continental.

Na semifinal, Aránguiz retorna ao que foi sua casa por cerca de um ano e meio: Porto Alegre. Hoje no Bayer Leverkusen, ele tem como um de seus grandes amigos o lateral e companheiro de equipe na Alemanha Wendell, que jogava no Grêmio em 2014, quando o chileno defendia o Internacional. 

Próximos, os dois costumam se encontrar na casa de Aránguiz para ouvir reggaeton. “Ele ama churrasco e feijão, me cobra sempre quando faço. Fica pedindo para eu fazer uma feijoada e convidar ele”, conta o brasileiro.

Os dois se aproximaram logo na chegada do chileno ao Leverkusen, em 2015. No segundo treino, o volante se lesionou sozinho e precisou ser operado. O lateral foi um dos jogadores que o visitou no hospital.

De lá saíram amigos, tomando mate juntos e lembrando as longas viagens entre Porto Alegre e cidades da região central ou do nordeste brasileiro. Na nordestina Salvador, onde o Chile encarou o Equador na Arena Fonte Nova, Wendell aproveitou as férias para assistir ao companheiro das arquibancadas.

Tricampeão nacional pelo Universidad do Chile, Aránguiz vem de uma família com tradição no futebol. Em sua terra natal (Puente Alto, região metropolitana de Santiago), o garoto gostava de defender.

Quem conta essa história é sua mãe, Mariana, que foi atleta amadora e o treinou no Nueva Esperanza, pequeno clube local.

“A gente estava empatando em 1 a 1 e com esse resultado iríamos aos pênaltis contra o Huracán [no quadrangular de um torneio regional]. ‘Mamãe, quanto falta?’, me gritou Charles. ‘Cinco minutos, filho’. ‘Mamãe, me coloca no gol, me coloca no gol!’. Pensei: É meu filho, preciso ter fé, e mandei ele para o gol. Terminou defendendo alguns pênaltis e ganhamos”, lembra Mariana aos jornalistas Rodrigo Fluxá e Gazi Jalil, autores do livro "Leones", que conta a história do tricampeonato da Universidad do Chile.

O jeito para a bola parada viria de quatro tios, irmãos de sua mãe, todos eles jogadores do Nueva Esperanza. “Se havia uma bola parada, era gol”, lembra Mariana.

Se no Chile Aránguiz se tornou o cara dos pênaltis, na Alemanha ele perdeu a única cobrança que fez, na eliminação para o Sportfreunde Lotte na Copa da Alemanha de 2016. No tempo normal, bateu duas vezes e só converteu uma.​

Se a disputa de pênaltis pela seleção é o pesadelo de alguns grandes nomes do futebol mundial, como Sócrates em 1986, Roberto Baggio em 1994 ou até Lionel Messi, em 2016, Para Charles Aránguiz, pelo contrário, foi uma maneira de se firmar como referência no experiente elenco chileno.

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