Descrição de chapéu Copa do Brasil

Palmeiras ignora futebol moderno, marca atrás e quase não toma gol

Alviverde aposta na marcação para superar Inter e avançar na Copa do Brasil

Luciano Trindade Marcos Guedes
São Paulo

O fim da partida entre Palmeiras e Internacional, no dia 10 de julho, no Allianz Parque, tinha dois times aparentemente satisfeitos com o triunfo dos donos da casa por 1 a 0. Os alviverdes confiam na vantagem construída no duelo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, em São Paulo. Os colorados botam fé em sua casa, o Beira-Rio, em Porto Alegre, para superar a firme defesa do adversário, e virar o confronto.

A julgar pelos números apresentados na temporada, a aposta vermelha é arriscada. Em 35 jogos oficiais em 2019, os comandados de Luiz Felipe Scolari, 70, sofreram apenas dez gols. Uma média impressionante de 0,29 gol sofrido por confronto, explicada por um sistema de marcação baseado em triângulos e por um jogo de poucos riscos com a bola no pé.

É nessa consistência que a equipe joga suas fichas, a partir das 21h30 (de Brasília) desta quarta-feira (17), na partida de volta contra o Inter. Proteger a meta de Weverton significa avançar às semifinais, e o arqueiro terá a proteção de uma dupla de zaga com marcas ainda mais impressionantes do que as do próprio time.

O zagueiro Gustavo Gómez tem o trabalho elogiado no Palmeiras - Cesar Greco - 9.jul.19 - Ag. Palmeiras/Divulgação

Com Luan e Gustavo Gómez em campo, o Palmeiras não sofre um gol desde 2 de fevereiro, data da derrota por 1 a 0 para o Corinthians no Campeonato Paulista. São 1.160 minutos de invencibilidade. A parceria se formou 15 vezes no ano – número relativamente baixo, pelo rodízio de Felipão, pela ida do paraguaio à sua seleção e por problemas físicos do brasileiro – e só foi vazada duas vezes, uma média de 0,13 gol por partida.

“É uma equipe muito bem estruturada defensivamente”, diz Ney Franco, técnico da Chapecoense, um dos poucos adversários que foram à rede alviverde. Não foi suficiente para impedir a vitória por 2 a 1 do líder do Campeonato Brasileiro nem para colocar em xeque o poder de marcação do time paulista.

“Eles sempre têm um cara dando o bote na bola, além de jogadores por trás para dar uma cobertura. Eles não dão um abafa no adversário, não fazem marcação alta, mas induzem o adversário a entrar no campo de defesa deles, onde eles têm o Felipe [Melo], que joga muito bem posicionado à frente da defesa”, explica Franco.

Os números corroboram a visão do treinador. De acordo com a plataforma Wyscout, o Palmeiras consegue no Brasileiro apenas 15,8% de suas bolas recuperadas na faixa mais avançada do campo. Com sua marcação baixa, obtém muito mais recuperações na defesa (43%) e na faixa central (41,3%), área de atuação de Felipe Melo.

O técnico Luiz Felipe Scolari diz só se importar com os números do placar - Cesar Greco - 17.mai.19/Ag. Palmeiras/Divulgação

Se prefere roubar a bola na defesa, o Palmeiras não perde tempo em mandá-la ao ataque. Felipão contraria os técnicos de linhagem dita moderna, que pregam marcação no ataque e saída de bola com uso até do goleiro. Em seu jogo de poucos riscos, o time alviverde manda a bola diretamente ao ataque para que ela fique em disputa perto do gol rival.

Isso também se reflete claramente nas estatísticas. Ainda segundo o Wyscout, 56,9% das perdas de bola ocorrem no ataque, contra 15,5% na defesa e 27,6% no meio-campo. A posse de bola é de 45,1%, o que aponta na direção de uma conclusão óbvia: a equipe sofre pouco mesmo tendo menos a bola do que o adversário.

“Eles fazem o adversário ficar rodando a bola e, na hora de dar o bote, têm o que a gente chama de triângulo no futebol: a sustentação por trás do homem da bola, provocando o erro do adversário. Eles fazem isso com muita eficiência e também trabalham muito bem nas bolas paradas defensivas. Cedem poucos escanteios e sofrem poucos gols assim”, afirma Ney Franco.

A ideia do triângulo é simples. São sempre três os responsáveis pela marcação ao jogador adversário que tem a bola: um lhe faz o combate, outros dois ficam na cobertura e procuram lhe tirar as opções de passe. Não é um conceito exclusivo do Palmeiras, mas poucos times executam o plano com a mesma eficiência e nenhum sofre tão poucas finalizações no Campeonato Brasileiro (média de 8,38 conclusões por jogo).

Os jogadores e Felipão adotam a explicação habitual para sistemas defensivos eficientes. “É fruto do trabalho de toda a equipe, não só dos zagueiros”, diz o técnico, que chegou a demonstrar impaciência com o assunto e celebrar ironicamente o gol sofrido no triunfo sobre a Chapecoense, no mês passado.

“Graças a Deus. Isso tudo enche o saco: ‘Ah, não toma gol, ah, não toma gol’. Que tome gol e faça gol”, afirmou o gaúcho, minimizando estatísticas e colocando os do placar como os únicos números que o interessam. “Se não tomar gol, ótimo. Se tomar, vai ter que fazer mais. Pode tomar, desde que a gente consiga as vitórias.”

Como se viu na vitória por 2 a 1 em Chapecó, a muralha não é intransponível. Houve quem chegasse à rede verde, e as bolas nela colocadas mostram alguns caminhos. Um deles é atacar o lado esquerdo da defesa e a dificuldade do lateral Diogo Barbosa na marcação. Cinco dos dez gols sofridos foram construídos em cima do camisa 6 ou aproveitando uma subida sua ao ataque.

Os adversários também tiveram algum sucesso quando conseguiram tirar o alviverde de seu plano de jogo. Felipão prefere uma marcação recuada e evita riscos com a bola com o claro intuito de evitar contragolpes. Um possível antídoto é também recuar a marcação e obrigar o Palmeiras a trocar passes, usando a arma do rival, o contra-ataque.

O Internacional dificilmente poderá adotar essa estratégia no Beira-Rio. Como a formação colorada está em desvantagem nas quartas de final da Copa do Brasil, terá de buscar o ataque para sobreviver na competição. A equipe alviverde tem, portanto, um jogo teoricamente desenhado para sua estratégia de marcar atrás e contragolpear.

Se a defesa se mostrar firme novamente, o Palmeiras avançará para um provável confronto com o Cruzeiro, que venceu o primeiro jogo contra o rival Atlético-MG por 3 a 0. Bahia x Grêmio e Flamengo x Athletico-PR, após empates por 1 a 1 nas partidas de ida, definirão os semifinalistas do outro lado da chave. Todos os embates ocorrerão na noite de quarta (17).

ATLÉTICO-MG
CRUZEIRO
19H15, Independência
Na TV: SporTV e PPV

Dos quatro confrontos desta fase da Copa do Brasil, o menos equilibrado é justamente o único clássico regional. Como venceu o jogo de ida por 3 a 0, o Cruzeiro poderá perder do Atlético-MG por até dois gols diferença nesta quarta-feira que mesmo assim vai avançar à semifinal.

Em busca de uma virada história, o Atlético teria de, no mínimo, vencer o rival na Arena Independência, às 19h15, pela mesma diferença para levar a decisão para os pênaltis. 

Nesta temporada, a equipe de Mano Menezes só perdeu uma vez por uma diferença superior a dois gols. Em duelo pelo Brasileiro, acabou goleada pelo Fluminense por 4 a 1, na quinta rodada.

Quem se classificar deste confronto, vai enfrentar o vencedor do duelo entre Palmeiras x Internacional. 

FLAMENGO
ATHLETICO-PR
21H30, Maracanã
Na TV: SporTV e PPV

No terceiro jogo do técnico Jorge Jesus à frente do Flamengo, o time carioca recebe o Athletico-PR nesta quarta-feira, às 21h30, e precisa vencer para avançar à semifinal.

O treinador português estreou pelo clube rubro-negro justamente no duelo de ida, quando as duas equipes empataram por 1 a 1. Os paranaenses, porém, tiveram uma atuação mais segura e ofensiva, além de terem dois gols anulados pelo VAR.

No jogo seguinte, este pelo Campeonato Brasileiro, o Flamengo já mostrou evolução e goleou o Goiás por 6 a 1. O Athletico também vem de vitória, pois ganhou do Internacional, em casa, por 1 a 0.

BAHIA
GRÊMIO
19H15, Fonte Nova
Na TV:  Sportv 2 e PPV

Colados na tabela do Nacional, em 10º e 11º, respectivamente, Grêmio e Bahia voltam a duelar nesta quarta na Arena Fonte Nova, às 19h15.

O time do técnico Renato Gaúcho tem apresentado desempenho irregular nesta temporada e o treinador, então, resolveu fazer o último treino antes da decisão sem a presença da imprensa, para esconder qual escalação vai mandar a campo.

​A única certeza é que Diego Tardelli estará com a delegação em Salvador. O atacante viajou junto com o time mesmo após não gostar de ser criticado por Renato durante um treinamento. A atitude do jogador foi repreendida pelo presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr.

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