Descrição de chapéu Pan-2019

Por homenagem a técnico, Isaquias tenta superar luto na canoagem

Ao lado de Erlon Souza, canoísta tenta sua primeira medalha de ouro no Pan de Lima

Rio de Janeiro

Um dos principais atletas brasileiros nos Jogos Pan-Americanos de Lima, Isaquias Queiroz, 25, é favorito a ganhar uma medalha logo no primeiro dia oficial de disputas do evento. A conquista seria também uma forma de tributo a quem fez dele um atleta.

A final da prova de duplas de 1.000 m da canoagem velocidade, em que ele compete ao lado de Erlon Souza, será realizada neste sábado (27), às 15h10 (de Brasília).

Responsável pelos atletas de elite do Brasil desde 2013, o técnico espanhol Jesús Morlán morreu em novembro do ano passado, cerca de dois anos após ter sido diagnosticado com um câncer no cérebro.

Morlán, referência no esporte por ter treinado o espanhol David Cal, ganhador de cinco medalhas olímpicas de 2004 a 2012, conduziu os brasileiros a três pódios na Rio-2016.

Isaquias foi prata na prova individual dos 1.000 m e bronze nos 200 m. Ele e Erlon também ficaram na segunda posição nos 1.000 m. Agora a canoagem brasileira tenta seguir com suas próprias pernas, embora a contribuição do espanhol ainda se faça muito presente.

O treinador já havia deixado um planejamento de treinos para os atletas brasileiros até os Jogos de Tóquio. Caso eles conquistem as duas medalhas que devem disputar no Japão (a prova dos 200 m foi retirada do programa olímpico), farão com que Morlán, ainda que postumamente, chegue à marca pretendida de 10 láureas com seus atletas.

“Vai ser muito diferente do que ter a obrigação de representar um país. Vou ter a obrigação de representar um cara que se dedicou a vida inteira ao esporte. Por isso que a gente continua firme, para honrar a memória dele com a décima medalha olímpica”, afirmou Isaquias à Folha em entrevista realizada no Rio de Janeiro no dia 16 de julho.

Se o programa de treinamento está traçado, o canoísta sente a falta do mentor em outras momentos. Para refinar sua técnica, motivá-lo a seguir em frente diante das dificuldades ou mesmo para um bate-papo ao fim do expediente. Morlán não era apenas um técnico.

“O apoio na água e a inteligência dele são incomparáveis. Tinha muito apego por ele, de chegar e ficar conversando sobre o trabalho, e ele sempre passava tranquilidade”, diz.

O espanhol Jesús Morlán, que treinou o canoísta  Isaquias Queiroz. Morlán morreu em novembro do ano passado, cerca de dois anos após ter sido diagnosticado com um câncer no cérebro
O espanhol Jesús Morlán, que treinou o canoísta Isaquias Queiroz. Morlán morreu em novembro do ano passado, cerca de dois anos após ter sido diagnosticado com um câncer no cérebro - Zanone Fraissat - 19.dez.2016/Folhapress

Isaquias conta que mal teve tempo de absorver o luto. Precisava voltar para a água em Lagoa Santa (MG), onde fica o centro de treinamento da seleção, e treinar pesado sob o comando de Lauro de Souza Junior, ex-auxiliar do espanhol que assumiu o comando da equipe.

“A gente teve que se preparar mentalmente rapidamente. É muito difícil perder quem você ama. Ele foi um cara que ajudou muito, e vimos o quanto ele amava o Brasil. Até os últimos dias não queria ir para a Colômbia, onde a família dele morava”, afirma.

Seus primeiros resultados internacionais após a perda não foram bons. Neste ano, ele ficou longe do pódio na disputa dos 1.000 m em duas etapas europeias da Copa do Mundo. Triunfou nos 500 m, distância que não está no programa olímpico.

O canoísta retornou ao Brasil para se preparar melhor e agora está em Lima com o objetivo de competir no Pan. O foco, porém, é o Mundial da Hungria, de 21 a 25 de agosto, que vale vaga no Japão.

Chegada do canoísta Isaquias Queiroz a Lima, no Peru, para a disputa dos Jogos Pan-Americanos
Chegada do canoísta Isaquias Queiroz a Lima, no Peru, para a disputa dos Jogos Pan-Americanos - Alexandre Loureiro - 25.jul.2019/COB

Lá ele terá que superar seus rivais de sempre, o alemão Sebastian Brendel (amigo do brasileiro a ponto de ele dar o nome de Sebastian ao filho) e o tcheco Martin Fuksa, mas também novos competidores que apareceram com destaque nos últimos meses.

O brasileiro, no entanto, afirma não se preocupar muito com estes últimos. “A gente já viu esse cenário outras vezes. Em 2016, alguns estavam andando muito, mas chegou na Olimpíada e não andaram nada. Sabemos que alguns atletas fazem uma preparação errada e na hora agá não conseguem remar direito”, diz.

No Pan, Isaquias é favorito ao ouro no individual (C1. 100 m), mas a expectativa por um duelo regional com os cubanos Serguey Torres e Fernando Enríquez, vices-campeões mundiais, é alta no C2 1.000 m.

Essa deverá ser a grande disputa do primeiro dia com distribuição de medalhas no Pan e um confronto direto pelo segundo lugar no quadro de medalhas ao fim do evento em Lima.

O jornalista viajou a convite da Petrobras

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