PSG ajudou seleção a ter melhor Daniel Alves na Copa América

Voltando de contusão, lateral atuou 26 vezes no ano para chegar bem ao Brasil

Marcos Guedes
Rio de Janeiro

As boas atuações de Daniel Alves na Copa América se tornam mais impressionantes se são levados em conta seus 36 anos de idade e o fato de que ele teve de se recuperar de uma lesão grave no joelho direito para conseguir estar à disposição de Tite.
 
Segundo o próprio jogador, esse desempenho só tem sido possível graças ao primeiro semestre que o lateral-direito teve no Paris Saint-Germain (FRA), transformado por ele em uma espécie de preparação para a seleção brasileira.

Daniel Alves celebra a vitória sobre a Argentina na semifinal da Copa América
Daniel Alves celebra a vitória sobre a Argentina na semifinal da Copa América - Washington Alves/Reuters

Considerado nome certo na convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2018 e, mais tarde, apontado como provável capitão do time em uma eventual final pelo técnico Tite, o lateral direito rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito em 8 de maio do ano passado, apenas seis dias antes do anúncio dos 23 convocados, e não pôde disputar o Mundial.
 
Após pouco mais de seis meses de tratamento, o baiano voltou aos gramados em novembro e resolveu recuperar o tempo perdido. Pediu ao técnico do clube francês, Thomas Tuchel, para atuar o máximo possível e ganhar ritmo. Desde então, ele participou de 32 das 37 partidas do seu clube.
 
“Se ele não tivesse tido todo o cuidado na sua recuperação, não chegaria à seleção nesse estágio. Se o PSG não tivesse dado todas as condições, isso não seria possível”, afirmou Tite, fazendo um agradecimento ao preparador físico Ricardo Rosa, que trabalha no clube francês e integra também a comissão técnica da seleção.

O comandante está muito satisfeito com a produção do veterano, a quem entregou a faixa de capitão durante a preparação para a Copa América.
 
Todas as atuações do lateral-direito no torneio foram elogiadas, mas o melhor até aqui foi visto no confronto com a Argentina na semifinal.
 
O lateral direito teve importante participação na construção da jogada do primeiro gol da seleção, dando um chapéu e a um drible desconcertante nos marcadores antes de tocar para Roberto Firmino, que deu passe para Gabriel Jesus marcar na vitória por 2 a 0.
 
“Primeiro, o Dani tem uma capacidade mental de superação. Segundo, capacidade física. Tudo aliado à qualidade técnica que ele demonstrou. Fico muito feliz pelo desempenho e pela naturalidade que ele tem. Digo assim: o Dani é do bem. E que bom lidar com atletas que têm essa característica”, disse o chefe.
 
A participação do jogador na Copa América torna possível o que parecia improvável: sua participação na Copa do Mundo de 2022. O baiano terá passado dos 39 anos quando a competição for disputada, no Qatar, e será o mais velho atleta a defender o Brasil em um Mundial se estiver entre os convocados para o torneio.
 
“Sei a idade que eu tenho e o que ela representa no futebol, mas aprendi também que as pessoas querem resultados. Eu me concentro nisso, não me concentro na minha idade ou no que vão pensar de mim”, disse Daniel, que adora se colocar como um jogador de personalidade.

“Não estou aqui para calar nenhuma boca, estou aqui simplesmente para fazer o meu trabalho”, completou.
 
Esse trabalho é admirado também pelos companheiros. A maior parte dos atletas da equipe brasileira costuma ser reverente ao lateral direito, que acumula 114 partidas pela seleção e impressionantes 39 títulos na carreira. O 40º pode ser obtido no próximo domingo (7), contra o Peru, na decisão continental.
 
“Sinceramente, o Daniel Alves é um espelho. Como pessoa e como jogador”, disse o lateral esquerdo Alex Sandro, 28. “Por onde ele passou, sempre levou alegria, experiência, qualidade. É uma pessoa muito importante dentro e fora do campo, sempre vem nos ajudando muito”, acrescentou.
 
Mesmo aos 36, o jogador não tem dado chance à concorrência. Fagner vive “o melhor momento da carreira”, de acordo com o técnico Tite, mas é um dos poucos entre os 23 atletas da seleção que ainda não entraram em campo na Copa América. Os outros são os goleiros Cássio e Ederson e o zagueiro Éder Militão.

Números e estatísticas de Daniel Alves

No PSG 

32 partidas das 37 do clube desde que se recuperou da lesão no joelho
2.396 minutos jogados pelo clube na temporada 2018/2019

Na Copa América 

4 jogos disputados na competição do início ao fim
1 gol marcado, na goleada por 5 a 0 sobre o Peru, na fase de grupos 

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