Tite terá de ajustar equipe e ganhará novo coordenador no ciclo de 2022

Treinador perde membros da comissão e coordenador que escolheu para a seleção

Marcos Guedes
Rio de Janeiro

Em festa pelo título da Copa América, Tite terá ajustes a fazer na estrutura da seleção brasileira na sequência do ciclo até a Copa do Mundo de 2022, no Qatar.

Sua comissão técnica, que já ficou desfalcada com a saída de Sylvinho antes mesmo da competição continental, terá mais uma baixa. As mudanças não ocorrerão só nos postos inferiores ao do treinador, ao menos do ponto de vista hierárquico.

Edu Gaspar, coordenador de seleções escolhido pelo próprio Tite para chefiá-lo no momento em que foi contratado, está de saída para o Arsenal. Ex-jogador do clube inglês, o dirigente assumirá um cargo de gerência em sua velha casa, algo que está acertado há alguns meses. Ele decidiu ficar até o término do torneio sul-americano, porém a CBF já vinha se movimentando para substituí-lo.

Tite é jogado para cima pelos jogadores brasileiros após a conquista da Copa América, no Maracanã 
Tite é jogado para cima pelos jogadores brasileiros após a conquista da Copa América, no Maracanã  - Mauro Pimentel/AFP

O nome que desponta para a vaga aberta é o de Juninho Paulista, campeão do mundo como camisa 19 do Brasil em 2002. Ele ostenta o cargo de diretor de desenvolvimento na confederação desde abril e tem bom trânsito com a cúpula da entidade, tendo frequentado o ambiente do grupo verde-amarelo já na preparação para a Copa América.

Juninho preenche os requisitos que têm sido usados como base para o cargo, ocupado por Gilmar Rinaldi antes de Edu: ter jogado bola e ter experiência em cargo de gerência. O ex-meia, hoje com 46 anos, trabalhou por dez na gestão do Ituano, o clube que o revelou, e se entendeu bem nas conversas com o presidente da CBF, Rogério Caboclo.

“Ele representa o que queremos para o futebol brasileiro”, declarou Caboclo, há três meses, quando contratou o ex-atleta. “É um vencedor dentro e fora de campo, um exemplo de seriedade e profissionalismo. É pentacampeão do mundo com a seleção brasileira, é ídolo dos clubes em que atuou e tem sólida carreira como dirigente.”

Será surpresa se ele não for o escolhido, mas há outros postos a serem preenchidos. A saída de Sylvinho, ex-jogador que exercia o papel de auxiliar e assumiu o comando do Lyon, acarretará no adeus de outro profissional. Fernando Lázaro, filho do ex-lateral direito do Corinthians Zé Maria, fará parte da equipe do brasileiro no clube francês.

Lázaro permaneceu na comissão até a conquista de domingo. Ele era responsável pela análise em vídeo dos jogadores da seleção e também dos adversários, mas tinha ganhado importância nos próprios treinamentos da equipe, conduzidos por Tite e por seu auxiliar principal de longa data, Cleber Xavier.

Quem vai ficar, apesar dos questionamentos, é Matheus Bachi, filho do treinador. Com o adeus de Sylvinho, o jovem de 30 anos assumiu o terceiro posto na hierarquia da comissão técnica, atrás apenas do pai e de Cleber. Seu currículo é inexpressivo, porém sua capacidade é sempre defendida pelo pai.

Com o título da Copa América, Tite ganhou fôlego para bancar Matheus e fazer escolhas. De qualquer maneira, o desenho da comissão técnica e da estrutura do departamento de futebol da CBF serão diferentes do imaginado inicialmente para o ciclo que tem como objetivo buscar o hexacampeonato no Mundial de 2022.

Na entrevista coletiva após o título, Tite falou sobre a própria permanência, colocada em dúvida nos últimos dias. Ele manteve a posição da véspera, dizendo ter contrato até 2022. Sinalizou que deverá ficar, mas espera conversar com a CBF sobre o preenchimento das vagas abertas na comissão técnica antes de confirmar isso.

Tite também comentou as declarações feitas por Messi no sábado (6). Irritado com a arbitragem na derrota por 2 a 0 da Argentina para o Brasil na semifinal e expulso na disputa pelo terceiro lugar, o craque falou em “corrupção” e disse que o torneio estava, “lamentavelmente, armado para o Brasil”.

“Aquele que eu coloquei como um jogador extraordinário, como um extraterrestre, tem que ter um pouquinho mais de respeito. E tem que entender e aceitar quando é vencido. Fomos prejudicados em uma série de jogos. Ele botou uma pressão muito grande pela grandeza que tem”, afirmou.

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