Descrição de chapéu Pan-2019

Do hospital, cavaleiro vibra com medalha no Pan após queda assustadora

Ruy Fonseca faz parte do time que conquistou vaga olímpica no hipismo CCE

Daniel E. de Castro
Lima

Do quarto de um hospital de Lima após sofrer uma queda no sábado (3), o cavaleiro Ruy Fonseca, 46, torceu para seus companheiros na equipe brasileira, que fechou o concurso completo de equitação (CCE) com a medalha de prata e obteve a vaga na Olimpíada de Tóquio-2020.

Sem a presença de Ruy, que fraturou o braço esquerdo e três costelas após seu cavalo, Ballypatrick SRS, tropeçar em um obstáculo no cross country, os conjuntos Rafael Losano/Fuiloda G, Carlos Parro/Quaikin Qurious e Marcelo Tosi/Starbucks mantiveram a vantagem do país sobre o Canadá e garantiram o segundo lugar, atrás dos EUA.

"Posso dizer que foi uma das quedas mais assustadoras que eu já tive. A gente já teve outras, mas essa ocorreu num momento de muita importância para a equipe. Mas graças a Deus está tudo bem comigo, é tudo consertável", ele disse à Folha após a confirmação do resultado.

 Rafael Losano, Carlos Parro e Marcelo Tosi vencem medalha de prata no concurso completo de equitação (CCE)
Rafael Losano, Carlos Parro e Marcelo Tosi conquistam medalha de prata no concurso completo de equitação (CCE) - Divulgação/CBH

A medalha de prata e o boneco de cerâmica da mascote do evento, presente destinado aos medalhistas do Pan, serão levados a ele no hospital por Judie Purgly, chefe da equipe brasileira em Lima. De acordo com ela, que o conhece há muitos anos, Ruy "com certeza vai chorar".

Segundo comunicado divulgado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) neste domingo, ele seguirá mais 24 horas em observação. "Ruy está estável e não apresenta nenhum risco, mas o protocolo pede que se mantenha em monitoramento por conta de contusão pulmonar causada pelo trauma em seu tórax", afirmou o comitê.

Os médicos aguardam a liberação clínica do cavaleiro para determinar se a cirurgia será feita em Lima ou no Brasil.

"Estou feliz pelos meus companheiros de equipe e pela qualificação. Com todas as dificuldades que passamos para chegar até aqui, nosso desempenho mostra que o esporte está crescendo. Amanhã já vamos focar em Tóquio e se Deus quiser logo logo vou estar de volta às pistas", disse ​Ruy.

Medalha e mascote que será entregue a Ruy Fonseca, que está hospitalizado
Medalha e mascote que serão entregues a Ruy Fonseca, que está hospitalizado - Folhapress

No individual, Carlos Parro ficou com a medalha de bronze após zerar o percurso de saltos neste domingo. Ruy havia conquistado a mesma medalha em Toronto-2015.

"Sabíamos que seria bem complicado, mas nossos cavaleiros se superaram. Foram de uma garra e uma determinação especiais. Conseguimos um resultado que é muito importante para a evolução do nosso esporte. Foi uma hora de superação de todos, e a resposta veio além do que a gente esperava. Por tudo isso, a medalha tem ainda mais valor", afirmou o técnico do time, Ademir Oliveira.

Com a ausência de Ruy, o Brasil contava com apenas três conjuntos na disputa e não podia descartar nenhuma nota, o que aumentou a pressão sobre os outros integrantes.

"Isso é parte do nosso esporte. Não queremos que aconteça, mas somos profissionais, temos que levantar a cabeça e ir para a próxima. Sempre me senti pronto e sabia que podia representar o Brasil de uma ótima forma", afirmou com leve sotaque britânico Rafael Lozano, 21, o mais novo da equipe e que mora na Inglaterra há cinco anos.

O país já tinha conseguido a vaga olímpica no hipismo adestramento, mesmo com a medalha de bronze (os EUA já estavam classificados e não concorriam por ela).

Com o time dos saltos, formado por Eduardo Menezes/H5 Chaganus, Luiz Felipe de Azevedo Filho/Hermes Van de Vrombautshoeve, Marlon Modolo Zanotelli/Sirene de La Motte, Pedro Veniss/Quabri de L’Isle e Rodrigo Lambre/Chacciama, o país fecha as disputas hípicas no Pan de Lima e busca sua terceira vaga olímpica a partir de terça (6).

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