Descrição de chapéu Pan-2019

Após queda por erro em uniforme, argentinas vencem e choram

Seleção feminina de basquete perdeu por WO na quarta por não levar roupa correta

Daniel E. de Castro
Lima (Peru)

Ao começar sua última partida da fase de grupos dos Jogos Pan-Americanos , nesta quinta (8), oito pontos atrás do placar contra as Ilhas Virgens, parecia que a seleção feminina de basquete da Argentina ainda sentia os efeitos do incidente no dia anterior que causou sua eliminação.

Na quarta (7), a equipe perdeu para a Colômbia por WO por não ter levado ao ginásio o uniforme com o qual deveria se apresentar. O sorteio indicava que as argentinas usariam camiseta branca, mas apenas o conjunto azul, mesma cor que seria vestida pelas colombianas, chegou até o local.

Como não havia tempo para retornar até a vila das atletas e buscar o uniforme correto, as argentinas acabaram derrotadas e ficaram de fora da disputa por medalhas após somar seu segundo revés em dois jogos —tinham perdido para os EUA na primeira rodada por 70 a 62.

Ornella Santana, da seleção feminina de basquete da Argentina, durante a partida contra os Estados Unidos. Ela veste o uniforme azul-escuro que foi vetado no jogo contra a Colômbia
Ornella Santana, da seleção feminina de basquete da Argentina, durante a partida contra os Estados Unidos. Ela veste o uniforme azul-escuro que foi vetado no jogo contra a Colômbia - Susana Vera - 6.ago.2019/Reuters

Pelo menos foi possível deslanchar nos minutos finais da partida contra as Ilhas Virgens e vencer por 73 a 59. A saída de quadra foi marcada por muitos aplausos do público e choro das atletas. A maioria delas preferiu não falar com jornalistas.

"É difícil aceitar. Choramos desde ontem, não dormimos à noite, levantamos, chegamos aqui e seguimos chorando, mas por respeito ao trabalho de todas nós durante o ano fomos à quadra", afirmou a capitã do time, Debora González.

"Precisávamos mostrar que nós seguiremos lutando. O reconhecimento das pessoas que estão no Peru e também na Argentina emociona e é muito importante neste momento. Sabíamos que precisávamos mudar o chip e jogar", disse Melisa Gretter.

Mesmo resignados, os torcedores não deixaram de apoiar. “Qualquer equipe amadora sabe que tem que levar os dois jogos de camiseta”, disse o médico Francisco Astutti, 43, enquanto seu irmão participava de um desafio de arremessos durante o intervalo do jogo.

O veterinário Juan Manuel Lencina, 29, reclamou da falta de informações ao público que estava no ginásio para o confronto contra a Colômbia.

“Não sabíamos o que estava acontecendo. Estava tudo pronto para começar a partida, mas deram dez minutos a mais e depois anunciaram que havia um problema técnico. Nisso as pessoas que estavam fora já sabiam que a partida tinha sido suspensa”, contou.

Enquanto a seleção masculina do país foi campeã olímpica em 2004, o time feminino ainda busca seu espaço num país apaixonado por basquete. Para o professor de educação física Walter Gorena, 25, o erro cometido neste Pan não contribui para que isso aconteça.

“Sinto que com uma seleção de homens, tanto de basquete quanto de vôlei ou futebol, isso não ocorreria. O esporte é universal, para homens e mulheres, e a importância dada aos dois deveria ser a mesma”, disse.

Após o episódio, o chefe da delegação, Hernán Amaya, e a diretora de desenvolvimento do basquete feminino na confederação nacional, Karina Rodríguez, se demitiram dos seus cargos.

"As jogadoras se prepararam um monte para chegar aqui e fazer o seu melhor. Ficar fora de um Pan por uma situação assim é horrível. Tinham feito uma grande partida com os EUA apesar da derrota e poderiam ter se classificado não fosse por isso", afirmou Lencina.

As "Gigantes", como são conhecidas as jogadoras da seleção feminina, ainda participarão da decisão do quinto lugar nesta sexta (9), às 15h30 (de Brasília).

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