Descrição de chapéu Pan-2019

Brasileiro com vaga em Tóquio ficou muito perto de largar o tênis

Finalista do Pan, mineiro de 22 anos diz que falta de bons resultados o deixava depressivo

Lima

Após quase desistir da carreira de tenista muitas vezes, o brasileiro João Menezes, 22, obteve seu maior resultado neste sábado (3), em Lima, ao vencer o jogo de semifinal dos Jogos Pan-Americanos e assim ficar muito perto de poder participar da Olimpíada de Tóquio-2020.

A vaga já é sua por direito, mas para confirmá-la ele precisará estar entre os 300 primeiros colocados do ranking mundial em 8 de junho do ano que vem, quando termina o período de classificação para o evento. Atualmente é o 212º, mas praticamente não tem pontos para defender até o fim do ano.

O mineiro de Uberaba nunca foi o mais badalado dos tenistas brasileiros na sua época de juvenil. Não tinha o melhor ranking nem recebeu convocações para representar o país nos torneios sul-americanos sub-12, 14 e 16 anos.

“Mas talvez tenha sido o que mais persistiu e trabalhou. Não tem muito o que explicar, pode ser sorte ou acaso, mas o trabalho tem uma parcela grande nisso”, disse após derrotar o argentino Facundo Bagnis por 2 sets a 1. Nas quartas, havia vencido o principal jogador do torneio, o chileno Nicolas Jarry (55º do ranking).

Os momentos em que chegou perto de largar o esporte davam para escrever um livro, de acordo com Menezes, que saiu de Minas Gerais aos 15 anos para morar em Itajaí (SC). Mais tarde, foi ainda mais longe na tentativa de alavancar a carreira e passou dois anos na Espanha por conta própria.

“Como eu não tinha resultados foi difícil. Tinham meninos da minha geração que ganhavam mais, eram mais badalados, e eu sempre ficava em segundo ou terceiro plano. Era difícil manter a convicção de que ia chegar”, afirmou.

Na Espanha, ele evoluiu e passou por alguns momentos bons, mas outros nem tanto. “Fiquei depressivo porque dependia muito do resultado para ficar feliz. Quando ele não vinha, ficava cabisbaixo. No fim do ano passado quase parei de jogar tênis, foi por muito pouco.

Felizmente não o fez, convencido por sua antiga equipe de Itajaí, com quem voltou a trabalhar em novembro passado. Seus técnicos na academia ADK são o argentino Patricio Arnold e o brasileiro Luiz Peniza.

Menezes ocupa hoje sua melhor posição no ranking e vem embalado por uma sequência de bons resultados. Sabe que precisa aproveitar o momento para continuar em crescimento. “Estou no início da caminhada, não posso me dar por satisfeito. Pezinho no chão, trabalhar dia a dia e seguir”, dá a receita.

O próximo desafio será a final do Pan, neste domingo (4), quando buscará a medalha de ouro para o Brasil contra o chileno Tomás Barrios. Depois, retomará a sequência de torneios no circuito mundial. Afinal, quem está longe do top 100 ainda vive muito distante do glamour da modalidade.

“Quando a gente chega a uma final de Pan, todos olham e falam 'que legal', mas ninguém vê o que está lá embaixo, escondido. O pessoal está vendo a pontinha do iceberg, mas o que está para baixo da água ninguém vê. Agora acho que a parte mais difícil já passou”, disse.

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