Descrição de chapéu Pan-2019

Darlan supera febre de 40°C para dominar arremesso do peso no Pan

Um dos melhores do mundo, brasileiro leva o ouro após quase desistir da prova

Daniel E. de Castro
Lima (Peru)

Na primeira das seis tentativas que teve na noite desta quarta-feira (7), Darlan Romani arremessou o peso a 20,81 metros, distância que já seria suficiente para lhe dar a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima.

Mas o catarinense de 28 anos ainda faria outros cinco arremessos melhores do que esse, o último a 22,07 m, para quebrar o recorde da competição e confirmar um domínio impressionante na prova.

Darlan Romani celebra a conquista da medalha de ouro em Lima
Darlan Romani celebra a conquista da medalha de ouro em Lima - Luis Acosta/AFP

Tudo isso mesmo em recuperação após ter uma infecção na garganta que o fez chegar a 40ºC de febre há dois dias. O atleta passou 29 horas viajando da Europa ao Peru, com escalas na Colômbia e no Brasil.

Quando enfim chegou a Lima, já não se sentia bem. Um erro de logística para o qual ele não quis apontar culpados.

Na primeira noite na capital peruana, acordou de madrugada queimando na cama. Tomou antibiótico pela manhã, mas depois de quatro horas a febre ainda não tinha baixado.

“Tive dor nas articulações, levantava da cama para ir ao banheiro e ficava tonto, não conseguia tomar água e estava suando um monte. Numa noite troquei sete ou oito vezes de roupa porque ela estava toda molhada”, contou.

Sua mulher, Sara, saiu do Brasil e foi ao seu encontro com roupas na bagagem. "Não é fácil achar o número dele", explicou. O atleta de 1,88 m e 155 kg deixou a vila dos atletas para ficar com ela em um hotel. Não apenas a parte física, mas a psicológica também estava abalada para competir.

“Ontem eu pensei em desistir. Tive uma conversa e disse que ia pedir baixa, mas o médico disse que eu estava tomando um remédio pancada e ficaria bem”, afirmou.

A medicação fez o efeito esperado, e Darlan conseguiu descansar para não só suportar a prova, mas melhorar seu desempenho a cada arremesso sob o frio que fazia no estádio atlético peruano.

A medalha de ouro confirma uma ótima fase do brasileiro. Em junho, ele arremessou a 22,61 m durante um evento da Liga Diamante nos EUA, recorde sul-americano e décima melhor marca da história em todo o mundo. Ela seria suficiente, por exemplo, para garantir medalha de ouro em todas as edições dos Jogos Olímpicos.

“Eu não costumo falar de marcas ou medalhas, o que sempre falo é que me dedico 200% a cada treino. Sou um ser humano e pode passar qualquer coisa [na prova], como aconteceu aqui. Se tivesse sido ontem essa infecção, eu não sei se estaria aqui. Mas ainda não cheguei aonde tenho sonhado, então acho que vem coisa boa pela frente”, disse.

Desde 2003, apenas dois atletas tiveram uma performance melhor do que a dele: o neozelandês Tomas Walsh e o americano Ryan Crouser. Os dois foram medalhistas olímpicos na Rio-2016, quando o brasileiro ficou na quinta colocação. Na ocasião, sua melhor tentativa foi 21,02 m.

Para o catarinense de Concórdia, a rivalidade no arremesso do peso é tratada de forma diferente. “A gente torce um pelo outro. Quando alguém faz o resultado, o outro dá os parabéns. É muito legal. Nossa prova está crescendo cada vez mais e isso é gratificante. Quem diria que um brasileiro estaria lá no meio”, afirmou.

Em outubro, Darlan participará da principal competição do ano, o Mundial de Atletismo em Doha, no Qatar, como um dos favoritos.

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