Descrição de chapéu Pan-2019

Estrela do esporte peruano, carateca intimida pelo nome

Atual campeã do Pan, Alexandra Grande, 29, tenta repetir feito em casa

Daniel E. de Castro
Lima (Peru)

A primeira desconfiança que Alexandra Grande, 29, teve que superar foi daqueles que achavam que caratê era “coisa para homens”. Uma das estrelas do esporte peruano, ela espera derrubar outras barreiras com seu desempenho nos Jogos Pan-Americanos de Lima. Ela compete neste sábado (10).

“Ser esportista no Peru é um pouco duro, porque as empresas não estão acostumadas a ter esportistas de alto nível no país. Há alguns, mas não são muitos. Aqui se apoia quem tem resultado. Se não tiver resultado não terá um bom apoio”, afirma à Folha a atual campeã do Pan na categoria 61 kg.

Atualmente, Alexandra conta com suporte financeiro que a permite sonhar com uma medalha olímpica nos Jogos de Tóquio-2020, mas ela deseja que o mesmo se estenda para o esporte peruano de uma forma geral.

Outra esperança que ela alimenta é que o Pan ajude a ampliar a cultura esportiva no país, quase toda voltada ao futebol.

“É complicado pensar que os peruanos possam começar a apoiar outros esportes ou que digam ‘caratê, uau!’, mas o interesse melhorou muitíssimo com o Pan”, diz.

A atleta era uma das mais cotadas para ser a porta-bandeira da delegação do país-sede na cerimônia de abertura do evento, mas o posto ficou com o velejador Stefano Peschiera. A ela coube representar todos os atletas durante o juramento.

Alexandra integra o time de dez embaixadores do evento escolhidos pela Panam Sports, entidade organizadora dos Jogos, ao lado de nomes como o ginasta brasileiro Arthur Zanetti e o nadador americano Nathan Adrian, medalhistas olímpicos.

Filha de uma carateca e um lutador de kung fu, a atleta também passou por balé e ginástica na infância, mas aos oito anos decidiu que seu lugar era mesmo no mundo das artes marciais.

Atualmente na sexta colocação do ranking olímpico da modalidade, ela precisa rodar o mundo em competições para se manter firme na disputa pelas vagas em Tóquio.

Por esse motivo, faz cinco anos que não luta dentro de casa.

“Penso que será uma pequena pressão, porque estarão família, amigos, mas tento levar com calma. Poder cantar com meus companheiros o hino nacional à capela será uma sensação muito bonita”, ela afirma.

Se por um lado a peruana acredita que possa sentir o peso da responsabilidade, no continente é ela quem tem o poder de intimidar as adversárias. Pelos seus resultados, principalmente, mas também por ser praticamente xará do antigo rei da Macedônia.

“Meu treinador me diz que meu sobrenome põe a pessoa que vai lutar comigo em alerta”.

Mas a associação não se limita a essa, mais óbvia. Seu nome completo é Alexandra Grande Risco. Em espanhol, risco também pode significar penhasco.

“Grande risco é uma união perfeita”, ela define.

O Brasil terá boas chances de pódio na modalidade, já que conta com três medalhistas em campeonatos mundiais na delegação: Douglas Brose, 33, Vinicius Figueira, 28, e Valéria Kumizaki, 34. O Pan não vale vaga direta na Olimpíada do ano que vem, mas tem peso para a definição dos participantes no Japão.

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