Descrição de chapéu Pan-2019

Fratus vê medalha como obrigação para natação brasileira no Pan

Nadador brasileiro disputa os 50 m livre e terá Nathan Adrian como rival

Daniel E. de Castro
Lima (Peru)

Antes de acabar a prova do revezamento 4 x 100 m livre da natação, na última terça (6), Bruno Fratus já estava fora da piscina e correu até a arquibancada do centro aquático de Lima para pegar uma bandeira do Brasil.

Foi enrolado nela que comemorou, alguns segundos depois, a medalha de ouro da equipe brasileira nos Jogos Pan-Americanos ao lado dos seus companheiros nessa prova: Breno Correia, 20, Pedro Spajari, 22, e Marcelo Chierighini, 28.

Aos 30 anos, Fratus é o mais velho desse time e também o mais vitorioso, com três medalhas em campeonatos mundiais de piscina longa na prova de 50 m. A última delas foi conquistada há duas semanas, na Coreia do Sul.

Bruno Fratus, favorito para a final dos 50 m, após o ouro conquistado no revezamento 4x100, nos Jogos Pan-Americanos de Lima
Bruno Fratus, favorito para a final dos 50 m, após o ouro conquistado no revezamento 4x100, nos Jogos Pan-Americanos de Lima - Sergio Moraes - 6.ago.2019/REUTERS

Para o atleta, seu currículo e experiência não o colocam automaticamente numa posição de liderança, mas ele tampouco a rejeita.

“Não gosto muito de me autointitular líder, chamar a coisa para mim. Eu sou fã de liderar pelo exemplo. É muito raro eu chegar e puxar alguém para conversar, mas quem quiser seguir o exemplo e aprender, porque eu estou fazendo isso já faz um tempo, que venha junto que eu ensino com o maior prazer”, diz.

Ele será o favorito na prova de 50 m, a mais rápida da natação, que tem sua final no Pan de Lima marcada para a noite desta sexta-feira (9). Pela régua que coloca para si mesmo e os demais colegas de equipe, Fratus só sairá satisfeito se passar da piscina para o lugar mais alto do pódio.

“Eu gosto de pensar que a gente está sempre abaixo da expectativa. Quando a natação brasileira vem para o Pan-Americano, a obrigação é ganhar todas as provas. E algumas com dobradinha. Natação tem que ser o carro-chefe [do Brasil] mesmo. Tem que chegar aqui, comparecer e varrer o máximo de medalhas de ouro”, afirmou após a vitória no revezamento.

Fratus voltou a nadar essa prova no Mundial, quando o time ficou na sexta posição, e no Pan. Gabriel Santos, então titular do revezamento, foi suspenso em julho por doping.

Com uma lesão no ombro que o obrigou a passar por uma cirurgia no ano passado, o veterano não vinha se dedicando com a mesma intensidade aos 100 m. Ele mora na Flórida e tem como técnicos a esposa, Michele Lenhardt, e o australiano Brett Hawke.

Depois de ganhar seu primeiro ouro nos Jogos, o brasileiro contou que gostou da vila dos atletas por ela ser compacta. “Nadador odeia andar, e entre os nadadores eu sou o que mais detesta”, brincou.

Dentro da água, porém, a preguiça passa longe. Fratus se considera obstinado por melhorar seus resultados e mostrou esse comportamento após ter ficado com a medalha de prata nos 50 m, atrás de Caeleb Dressel, no último Mundial.

O americano de 22 anos foi o grande destaque da competição ao ganhar oito medalhas e quebrar o recorde de Michael Phelps nos 100 m borboleta. Agora o brasileiro terá um ano para tentar alcançá-lo na Olimpíada de Tóquio-2020.

“Chego ao Pan com vontade de trabalhar, porque no ano que vem com certeza vai ter ele e mais gente num momento mais foda ainda, então eu tenho que trabalhar e me certificar de que o meu momento vai ser o mais foda de todos”, diz.

Para a disputa dos 50 m no Pan, seu concorrente será outro americano de currículo extenso. Nathan Adrian, 30, tem oito medalhas olímpicas e foi bronze nessa prova na Rio-2016.

No fim do ano passado, Adrian descobriu ter um câncer no testículo, mas após duas cirurgias e alguns meses de recuperação conseguiu estar apto novamente para competir. Não foi ao Mundial na delegação americana, mas tem demonstrado estar feliz com sua primeira participação em Jogos Pan-Americanos.

Até agora, ele já conquistou duas medalhas em revezamentos 4 x 100 m livre (prata no masculino e ouro no misto) e uma nos 100 m livre individual (prata), esta última na noite desta quinta (8), ao ser superado pelo brasileiro Marcelo Chierighini.

“A perspectiva é enorme. Eu sonho, vivo, como e durmo pensando em medalhas, mas no fim das contas há outras coisas que são igualmente importantes ou mais importantes na minha vida”, afirmou.

​Ele recusa o rótulo de maior estrela do evento e elogiou alguns de seus concorrentes, entre eles Fratus. Ao ser informado das palavras do americano, o brasileiro se mostrou desconfiado: “Dá mole para ele para você ver o que acontece”.

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