Descrição de chapéu Pan-2019

Seleção feminina de basquete renova autoestima, mas com cautela

Após ouro no Pan, técnico José Neto projeta vaga olímpica difícil

Daniel E. de Castro
Lima (Peru)

Após quase duas décadas de serviços prestados à seleção brasileira feminina de basquete, a pivô Érika, 37, enfim pôde comemorar um título com a equipe nacional num grande torneio.

A medalha de ouro conquistada nos Jogos Pan-Americanos de Lima, a primeira do Brasil na competição desde 1991, fez com que a veterana fosse às lágrimas no pódio e durante entrevistas.

“Depois de todos esses anos, a gente sempre correndo atrás, sempre batalhando, mas sempre escapando das nossas mãos, agora é ser feliz. As meninas me ajudaram a ganhar essa medalha, então é impossível não se emocionar e chorar”, afirmou uma das líderes da equipe que derrotou os EUA por 79 a 73 na noite deste sábado (10).

Seleção brasileira de basquete feminino exibe as medalhas de ouro, conquistadas após vitória sobre os Estados Unidos na final do Pan-2019
Seleção brasileira de basquete feminino exibe as medalhas de ouro, conquistadas após vitória sobre os Estados Unidos na final do Pan-2019 - Alexandre Loureiro - 10.ago.2019/COB

Coube principalmente a ela e Clarissa, 31, conduzir uma seleção com passado vitorioso, mas que há anos busca renovação para voltar a ser protagonista pelo menos no continente.

Mesmo contra uma seleção americana que levou ao Pan sua equipe universitária, a medalha de ouro é um resultado significativo por quebrar uma série de performances ruins do time feminino em grandes competições internacionais.

Nas últimas três edições de Jogos Olímpicos, não passou da primeira fase. Dentro de casa, na Rio-2016, perdeu os cinco jogos que disputou. Também esteve ausente do último Campeonato Mundial, no ano passado, após falhar na classificação via Copa América.

Neste sábado, o destaque da vitória foi armadora Tainá Paixão, 27, que marcou 24 pontos. “Quando ganharam o último Pan eu estava nascendo, então fico muito feliz por fazer parte dessa história e conseguir um título que o basquete feminino estava precisando depois de alguns perrengues. É um alívio tão grande para a gente e também uma esperança”, disse, também emocionada.

Esse foi o primeiro torneio da equipe sob o comando de José Neto, 48, um dos técnicos mais vitoriosos do país com o time masculino do Flamengo (quatro títulos brasileiros, uma Liga das Américas e um Intercontinental) e que assumiu a seleção feminina há pouco mais de dois meses. Ele teve cerca de 20 dias de treinamento com as atletas antes do Pan.

“Elas acreditaram na proposta de trabalho que a gente tinha e se dedicaram 100%. Tem o lado do coração, não acredito numa vitória sem espírito, mas vimos um basquete de qualidade sendo jogado. Criamos uma estrutura de jogo simples em que elas acreditaram e executaram muito bem”, afirmou o treinador.

O comandante, porém, frisou que seu primeiro trabalho com uma equipe feminina ainda está em estágio inicial. O próximo objetivo é buscar a classificação para a Olimpíada de Tóquio-2020 em um processo que começa na Copa América, daqui a 40 dias, passa por um pré-olímpico continental e só será definida num pré-olímpico mundial.

“É um trabalho longo, e não estamos visando ao imediatismo. A gente acaba assumindo algumas responsabilidades quando ganha e cria-se uma expectativa grande que possa ter uma vaga na Olimpíada, mas é muito difícil pelo sistema de disputa. Sabemos que temos que amadurecer como equipe e vamos passo a passo”, disse.

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