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VAR à inglesa terá menos intervenção e mais poder para árbitro

Antes resistente, Premier League estreia tecnologia nesta temporada

Alex Sabino João Gabriel
São Paulo

O VAR estreia na Premier League nesta sexta (9), quando Liverpool e Norwich abrem a a temporada 2019-2020. Torneio nacional mais rico, o Inglês é a última fronteira para o árbitro de vídeo entre as principais competições do futebol mundial. Mas a ideia de dirigentes e árbitros na Inglaterra é não ter o recurso usado da mesma forma que no resto do planeta.

A prioridade é evitar que o recurso atrapalhe o ritmo da partida e aumente muito o tempo de jogo, algo que tem acontecido no Campeonato Brasileiro, por exemplo. Levantamento da Folha mostra que, até a 11ª rodada do Campeonato Brasileiro, o uso do VAR acrescentou quase nove minutos aos jogos.

Em 2018, o futebol inglês usou como laboratório para o uso da tecnologia a Copa da Inglaterra e a Copa da Liga Inglesa. Também fez testes em partidas da primeira divisão, mas sem comunicação entre a cabine e o árbitro em campo ou reversão de decisões, por exemplo. Os resultados agradaram aos clubes.

Telão de Wembley mostrando o resultado da revisão do VAR na final do Community Shield, entre Liverpool e Manchester City
Telão de Wembley mostrando o resultado da revisão do VAR na final do Community Shield, entre Liverpool e Manchester City - John Sibley - 4.ago.2019/Reuters

“Nós seremos mais flexíveis. Queremos que o VAR interrompa o mínimo possível a partida e que seja mais dinâmico”, explica Mike Riley, chefe dos árbitros da Premier League.

As mudanças em alguns critérios não foram bem recebidas pelas autoridades da International Board, que zela pelas regras do futebol. Eles se manifestaram, no início, contra as mudanças previstas pelos ingleses.

“Este é um assunto a ser definido pelas autoridades do futebol na Inglaterra, não pela International Board”, respondeu David Elleray, diretor técnico da entidade e ex-árbitro da própria Premier League.

A Folha entrou em contato com Lukas Burd, secretário da International Board, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Uma das metas mais ambiciosas estipuladas pelo comando da arbitragem inglesa é a de reduzir o tempo gasto para revisão da jogada no gol.

Ao contrário do que acontece nos outros países que usam o VAR, o dispositivo não será utilizado na Premier League para determinar se o goleiro se adiantou ou não no momento da cobrança do pênalti. A indicação da infração será responsabilidade do quarteto de arbitragem em campo.

A Premier League orientou os árbitros a consultarem o monitor apenas quando for imprescindível e se a observação dos auxiliares do VAR for totalmente diferente do que foi marcado em campo.

Haverá também mudança de interpretação do que é pênalti em toques com o braço na bola. Pela regra da International Board, a infração deve ser marcada, com a ajuda do VAR, se o jogador assumiu o risco de tornar o seu corpo maior ao esticar o braço. Na Premier League, a orientação é de dar a penalidade apenas se a arbitragem acreditar ter havido a intenção de desviar a bola.

“Não queremos que o zagueiro tenha de ficar o tempo inteiro com os braços atrás do corpo. Ninguém fica assim e não é uma posição natural. Era uma interpretação que já tínhamos antes do VAR e vamos continuar com ela”, completa Riley.

Com a interpretação prevista no Inglês, os títulos da Copa do Mundo do ano passado e da última Champions League poderiam ter destinos diferentes. Provavelmente, a arbitragem não marcaria pênalti no desvio com o braço do croata Perisic na final do Mundial com a França, em Moscou. Quando aconteceu a jogada, o placar era de 1 a 1. Houve também o lance em que a bola acertou Sissoko, do Tottenham Hotspur (ING), no primeiro minuto da decisão do torneio europeu diante do Liverpool (ING) e foi anotada a infração.

“Não queremos que a chegada do VAR interrompa demais as partidas, mas estamos conscientes de que vai causar alguma controvérsia no início”, reconhece o chefe executivo da Premier League, Richard Masters.

Deverá haver também uma diferença no procedimento para assinalar impedimentos. Em torneios como o Brasileiro, a orientação é que o assistente espere o desfecho da jogada para levantar a bandeira, se for o caso. Na Inglaterra, a instrução é para que a bandeira seja erguida se o impedimento for claro, mas que não aconteça em lances duvidosos, que podem ser corrigidos pelo VAR.

Os árbitros de vídeo de todos os jogos ficarão em um escritório em Londres, na região de Stockley Park.

Pela televisão, os espectadores verão os mesmos replays usados pelos árbitros de vídeo enquanto a imagem for revisada. Será mostrado aviso de que o VAR está em andamento em 18 dos 20 estádios da Premier League que possuem telões. Se a decisão for mudada pela arbitragem de vídeo, o lance será mostrado também para quem estiver no local. Nos dois campos sem televisores nas arquibancadas (Old Trafford, do Manchester United, e Anfield, do Liverpool), os anúncios serão feitos pelo sistema de som.

 

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