Boca blinda ônibus para visitar River e evitar incidente de 2018

Final foi transferida para Madri após ataque de torcida no ano passado

Bruno Rodrigues
São Paulo

Os dois clubes de maior torcida na Argentina repetem nesta terça-feira (1º), às 21h30 (SporTV) o confronto que definiu o campeão da Copa Libertadores do ano passado. Boca Juniors e River Plate se reforçaram para chegar à semifinal de 2019 e reeditarem o duelo que ficou marcado por violência na última final. 

No caso do Boca, vice em 2018, além do italiano Daniele De Rossi, 36, o reforço foi pesado e blindado.

Depois de o elenco ser apedrejado na chegada ao Monumental, em novembro de 2018, no jogo de volta da decisão, o clube mandou blindar o ônibus utilizado pela delegação.

O veículo, que pertence à empresa FlechaBus, é o mesmo utilizado em 2018, mas com os vidros reforçados para evitar o incidente que lesionou Pablo Pérez, então capitão do Boca, e o juvenil Gonzalo Lamardo, que acompanhava o plantel.

Novo ônibus do Boca Juniors é blindado e tem o apelido de "La Bestia" (A Fera, em espanhol)
Novo ônibus do Boca Juniors é blindado e tem o apelido de "La Bestia" (A Fera, em espanhol) - Boca Juniors/YouTube

Motorista do clube há dez anos e torcedor "desde a barriga da minha mãe", Darío Ebertz acredita que os jogadores estarão bem protegidos para o clássico desta terça em Buenos Aires.

"O ônibus tem todos os vidros blindados, suporta pedradas. A parte de fora até lasca, mas não passa nada para dentro. O que bate volta", conta Ebertz, 55, conhecido como "Gringo", à Folha.

Ele diz que o carro ganhou o apelido de "La Bestia" (A Fera, em espanhol), alcunha de sua autoria.

Era Ebertz o homem responsável por levar a delegação do clube ao Monumental no dia 24 de novembro do ano passado, data do confronto de volta pela final da Libertadores. 

A Conmebol quis realizar a partida no dia seguinte. Mas o Boca bateu o pé alegando que não havia segurança e nem condições de jogo. Pablo Pérez, por exemplo, foi a uma clínica no sábado para tratar o olho lastimado pelos cacos de vidro e o gás de pimenta lançado pela polícia para dispersar os torcedores do River que estavam próximos do ônibus.

Alguns milhares de torcedores do River Plate chegaram a entrar no Monumental e esperaram a bola rolar no domingo (25), mas foram avisados após cerca de seis horas da abertura dos portões que a final seria adiada mais uma vez.

O presidente do Boca Juniors, Daniel Angelici, tentou a anulação do jogo e que o clube fosse declarado campeão. Do lado do River, o mandatário Rodolfo D'Onofrio reclamava a necessidade de se disputar o clássico no Monumental, apesar dos incidentes.

A solução que a Conmebol encontrou foi transferir a partida para Madri, no estádio Santiago Bernabéu, a casa do Real Madrid (ESP).

Após sair atrás no placar, os comandados de Marcelo Gallardo conseguiram a virada e venceram o rival por 3 a 1. O jogo de ida tinha terminado empatado em 2 a 2. Com a vitória na Espanha, o River garantiu o tetracampeonato da América.

Os rivais voltaram a se encontrar no Monumental de Nuñez no último dia 1º de setembro, pela Superliga Argentina. A partida terminou 0 a 0 e sem incidentes.

"A operação policial foi muito boa, não aconteceu nada. Afastaram as pessoas do caminho que pudessem fazer algo com o ônibus", diz Ebertz.

Boquense fanático, Darío Ebertz transportou nesses últimos dez anos alguns dos maiores ídolos do Boca Juniors, como Juan Román Riquelme e Martín Palermo. Com Riquelme, que viajava na cabine com ele, compartilhava o mate.

"Como torcedor do Boca, ter o gosto de levar o plantel já realiza todos os meus sonhos", diz o motorista, que espera por um clássico seguro na casa do rival.

As autoridades argentinas, porém, estão em alerta. O que preocupa agora são os enfrentamentos recentes entre torcedores do próprio River, em ataques de facções inimigas da principal barra brava do clube, a "Los Borrachos del Tablón". No último dia 18, contra o Godoy Cruz, pela Copa Argentina, membros da torcida entraram em conflito e a polícia interveio na confusão. No fim de semana seguinte, seguidores do time foram detidos em uma operação policial.

Para o clássico desta terça-feira, a polícia de Buenos Aires mobilizará pouco mais de mil agentes para o Monumental de Nuñez e seus arredores.

"Oxalá que um ataque como aquele do ano passado não aconteça nunca mais. Que ganhe o Boca, e que seja tudo em paz", afirma o "Gringo", o motorista de La Bestia.

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