Descrição de chapéu Campeonato Brasileiro

Clubes tradicionais dobram na Série A feminina em 2020

Segunda divisão deste ano foi inchada por exigência de elencos de mulheres nos clubes

Bruno Rodrigues
São Paulo

A Série A do Brasileiro feminino de 2019 começou com quatro equipes que também disputam a elite nacional no masculino: Corinthians, Santos, Flamengo e Internacional. Em 2020, o torneio das mulheres terá o dobro de times que estão também na primeira divisão dos homens.

Com a exigência da CBF e da Conmebol para a criação de times femininos, a Série B deste ano foi inchada para que entrassem alguns dos clubes mais tradicionais do Brasil que não tinham equipe feminina.

A segunda divisão teve 36 times. Quatro conquistaram vaga para a elite em 2020: São Paulo, campeão da Série B, Cruzeiro, que foi o vice, além de Palmeiras e Grêmio, semifinalistas. Atlético-MG, Botafogo, Ceará, Chapecoense, Fluminense, Vasco e Bahia, que têm uma parceria com o Lusaca, seguiram na Série B.

A atacante Cristiane, do São Paulo, finaliza durante primeiro jogo da semifinal do Campeonato Paulista de futebol feminino de 2019, contra o Santos
A atacante Cristiane, do São Paulo, finaliza durante primeiro jogo da semifinal do Campeonato Paulista de futebol feminino de 2019, contra o Santos - Rubens Chiri - 14.set.2019/saopaulofc.net

A entrada desses times tradicionais confirmou um temor compartilhado por dirigentes de equipes menores, o de que a força e o peso dessas camisas poderia começar a mudar a ordem do futebol feminino no país.

“É um cenário que você olha e fica com medo. Mas o que a gente faz? Vamos profissionalizar muitas coisas e investir na base para a gente sobreviver”, diz Ana Lorena, coordenadora do futebol feminino da Ferroviária. “A gente sabe que não vai brigar financeiramente, a gente vai brigar com estrutura”, completa.

Na bicampeã Ferroviária, por exemplo, não são todas as atletas que têm carteira assinada. Segundo Lorena, 16 jogadoras são registradas, pouco mais de 50% do elenco.

Derrotado na final, o Corinthians também não possui o grupo completo com carteira assinada. Mas tem investimento maior do que as outras equipes do país, com uma folha salarial de cerca de R$ 170 mil.

Entre os poucos clubes que têm todas as jogadoras registradas (8 dos 52, contando as duas divisões) estão Cruzeiro, Santos, Internacional e Grêmio, todos integrantes da Série A masculina e que também disputarão a elite feminina no ano que vem.

Atlético-MG, Ceará e Chapecoense, que jogam a elite masculina mas não conseguiram acesso na Série B do feminino, também possuem 100% das atletas com carteira assinada.

“Na minha opinião, os times sem camisa [equipes que não têm futebol masculino] vão acabar. Somos um time 100% amador, trabalhamos com meninas desde os dez anos e é tudo de graça para a comunidade.O s times de camisa têm dinheiro e vão se reforçar demais. Eles vão poder contratar e dar uma boa estrutura de alojamento, enquanto a nossa tendência é sumir”, afirmou Luiz Cézar, treinador e presidente do Aliança-GO, em março, à Folha.

Campeão goiano, o Aliança foi o lanterna de seu grupo na Série B do Campeonato Brasileiro, que tinha Taubaté, Cruzeiro, Fluminense, Cresspom e Vasco. A equipe do Centro-Oeste perdeu todas as cinco partidas da primeira fase e terminou a disputa da segunda divisão com 16 gols de saldo negativo (levou 17 e fez somente um). Pela 2ª rodada, inclusive, foi goleada pelo Cruzeiro por 7 a 0.

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