Com Mattos, Palmeiras nunca abriu e fechou ano com mesmo técnico

Clube demitiu Luiz Felipe Scolari nesta segunda-feira (2)

Luciano Trindade
São Paulo

Desde janeiro de 2015, quando Alexandre Mattos foi contratado pelo Palmeiras como diretor de futebol, o clube não conseguiu iniciar e terminar uma temporada com o mesmo treinador. No período, sete técnicos diferentes passaram pelo time. Luiz Felipe Scolari, 70, foi o último e acabou demitido na segunda-feira (2).

Nesta terça-feira (3), Mano Menezes, 57, foi anunciado como novo comandante palmeirense. O contrato dele vai até o fim de 2021.

Antes de FelipãoRoger Machado, Alberto Valentim, Cuca (em duas passagens), Eduardo Baptista, Marcelo Oliveira e Oswaldo de Oliveira também comandaram o time alviverde na gestão Mattos. Valentim teve, ainda, três trabalhos como interino.

Com o dirigente, o Palmeiras conquistou três títulos, sendo dois Brasileiros (2016 e 2018) e a Copa do Brasil (2015), desempenho que em cinco anos não garante uma média de, pelo menos, um título por ano. Isso mesmo com o diretor de futebol iniciando sua trajetória no time alviverde justamente no começo da era Crefisa.

Por temporada, a empresa investe cerca de R$ 80 milhões em patrocínio. Nos primeiros anos, além do valor repassado pelo acordo, gastou ainda R$ 120 milhões em reforços. Isso gerou uma multa da Receita Federal e a obrigação de mudar o acordo em 2018

Logo no primeiro ano da parceria, 25 jogadores foram contratados com o aval de Mattos. 

No mesmo período, o Corinthians teve seis técnicos diferentes, além de duas passagens de Fábio Carille, o atual comandante da equipe. Nos últimos cinco anos, o clube alvinegro conquistou cinco troféus: dois do Campeonato Brasileiro (2015 e 2017) e três do Campeonato Paulista (2017, 2018 e 2019).

Entre os rivais do estado, só o São Paulo teve mais técnicos nas últimas cinco temporadas, com 15 trocas de comando. O clube não conquistou nenhum título.

Scolari foi anunciado pelo Palmeiras em 26 de julho de 2018. Ele ocupou a vaga de Roger Machado, demitido após atuar em 44 jogos, com 27 vitórias, 8 derrotas e 9 empates, aproveitamento de 68%.

A saída de Machado ocorreu um dia depois de Mattos ter dito que "blindava" o trabalho do técnico, que àquela altura havia perdido o título paulista em uma final contra o Corinthians e estava na sexta colocação do Nacional, com 23 pontos, oito a menos do que o então líder Flamengo.

"É dando calma para ele [Roger Machado], blindando ele [que vamos subir na tabela]. Temos confiança total no trabalho, os números são bons", afirmou o dirigente na época.

Na semana passada, Mattos teve postura semelhante com Felipão. Dois dias após a eliminação nas quartas de final da Taça Libertadores, diante do Grêmio, o cartola assegurou a permanência de comandante. "Felipe é nosso treinador e está conosco. Não passa por nossa cabeça fazer uma troca."

​Na segunda-feira (2), quatro dias após esta declaração, Scolari acabou demitido e, no mesmo dia, o clube fez uma oferta a Mano Menezes.

O mais recente ex-treinador do Palmeiras foi quem mais resistiu na gestão de Mattos. Ele comandou a equipe em 76 jogos, com 46 vitórias, 21 empates e nove derrotas. Como assumiu em julho de 2018, ele completou um ano e um mês no clube. Nenhum de seus sucessores nos últimos cinco anos completaram, pelo menos, 365 dias no cargo.

Então auxiliar promovido a técnico, Alberto Valentim foi o que menos teve a continuidade de seu trabalho. Ficou no comandou somente durante os 11 jogos finais da temporada 2017. Entre os treinadores contratados pelo diretor, Eduardo Baptista teve a passagem mais curta, durante 23 jogos, em quatro meses.

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