Descrição de chapéu The New York Times

Onde ver, destaques e o que mais importa na Copa do Mundo de rúgbi

Maioria dos especialistas considera a Nova Zelândia favorita ao tri consecutivo

Joe Ritchie
Hong Kong | The New York Times

A Copa do Mundo de Rúgbi, que começa na sexta-feira em Tóquio, deve girar em torno de determinar qual das outras 19 seleções tem o necessário para tirar o All Blacks, da Nova Zelândia, vencedor dos dois últimos torneios mundiais, de seu trono.

A Nova Zelândia caiu ligeiramente em agosto. E depois de uma derrota para a Austrália e de uma combinação de outros resultados na Europa, o All Blacks perdeu o primeiro posto no ranking do rúgbi pela primeira vez desde novembro de 2009. Por três semanas, eles ficaram menos de um ponto abaixo da seleção do País de Gales no ranking. Mas depois de uma derrota galesa para a Irlanda em uma partida preparatória para a copa do mundo jogada em casa, em 31 de agosto, o All Blacks voltou ao primeiro posto e o País de Gales caiu para a quarta posição.

Jogadores da França entram no gramado do estádio de Tóquio para treino, antes da Copa do Mundo de rúgbi
Jogadores da França entram no gramado do estádio de Tóquio para treino, antes da Copa do Mundo de rúgbi - FRANCK FIFE - AFP

Uma semana depois, quando a Nova Zelândia massacrou a seleção de Tonga, que está na Copa do Mundo, por 92 a 7 em um amistoso, a Irlanda mesmo assim superou o All Blacks e tomou o topo do ranking, ao derrotar de novo o País de Gales. A Irlanda chega à Copa do Mundo como número um do ranking.

Mas a maioria dos especialistas continua a considerar a Nova Zelândia como forte favorita para o terceira título consecutivo de Copa do Mundo, e seu quarto título geral. No entanto, há desafiantes formidáveis.
As 20 seleções estão divididas em quatro grupos de cinco times, e os dois primeiros colocados de cada um deles avançam para as quartas de final.

Abaixo, um resumo sobre os grupos, com a posição de cada seleção no ranking do rúgbi em 9 de setembro.

Onde ver

No Brasil, o torneio terá seus 48 jogos transmitidos pela ESPN, entre 1h40 e 7h45, horários de Brasília. Não haverá exibição em canais de TV aberta. O Mundial será disputado entre 20 de setembro e 2 de novembro. A cerimônia começa às 6h30 desta sexta-feira (20), precedendo o duelo entre Japão e Rússia. A final está marcada para começar às 6h00.

Grupo A

Irlanda (1), Escócia (7), Japão (10), Samoa (16), Rússia (20)
A Irlanda é a favorita do grupo, apenas 18 meses depois de um título invicto na copa Six Nations da Europa, que se seguiu a uma vitória inesperada sobre a Nova Zelândia em Chicago, em novembro de 2016. Mas o melhor jogador da Irlanda, o "flyhalf" Jonathan Sexton, escolhido como melhor jogador de rúgbi do mundo em 2018, vem enfrentando lesões e fez muita falta no mês passado quando a Irlanda foi massacrada pela Inglaterra por 57 a 15 em um amistoso preparatório para a copa. Os irlandeses pareciam velhos e cansados, especialmente a linha dianteira, cuja idade média é de 34 anos e vem sendo liderada pelo capitão Rory Best, 37.

Mesmo assim, a Irlanda ainda deve ser vista como favorita a vencer o grupo, especialmente porque Sexton parece ter recuperado a forma; Escócia e o anfitrião Japão devem disputar o segundo posto. O Japão vem impressionando em recentes partidas internacionais, e jogar em casa pode fazer dele a surpresa do torneio.

O capitão dos Brave Blossoms, Michael Leitch, originalmente da Nova Zelândia, disse acreditar que sua seleção pode chegar ao título. Os japoneses provavelmente ganharam confiança ao derrotar os poderosos Springboks da África do Sul como azarões, na Copa do Mundo de 2015, uma vitória que muita gente definiu como a maior zebra na história do esporte.

O center irlandês Bundee Aki durante treino antes da Copa do Mundo de rúgbi no Japão
O center irlandês Bundee Aki durante treino antes da Copa do Mundo de rúgbi no Japão - CHARLY TRIBALLEAU/AFP

A Escócia não parece bem, recentemente, ainda que tenha encerrado o Six Nations deste ano com uma maravilhosa virada contra a Inglaterra. Os escoceses chegaram a estar perdendo por 31 a 0, mas marcaram 38 pontos consecutivos antes de ceder um empate no último minuto. Mas excetuada essa partida e uma série de duas partidas com uma vitória para cada uma contra a França, recentemente, a Escócia vem parecendo medíocre e é o time de primeira linha mais vulnerável à ascensão da seleção japonesa, e corre o risco de ficar de fora das quartas de final.

Nem Rússia e nem Samoa devem passar pela fase de grupos.

Jogadores a observar no Grupo A:

  • Irlanda: Peter O’Mahony ("flanker"), Conor Murray ("scrumhalf")
  • Escócia: Jonny Gray ("lock"), Greig Laidlaw ("scrumhalf")
  • Japão: Michael Leitch (Nº. 8), Kotaro Matsushima ("utility back": "wing", "fullback" ou "center")
  • Samoa: TJ Ioane ("flanker"), Alapati Leiua ("wing")
  • Rússia: — Andrei Ostrikov ("lock"), Ramil Gaisin ("flyhalf")

Grupo B

Nova Zelândia (2), África do Sul (4), Itália (14), Canadá (22), Namíbia (23)
A primeira partida do Grupo B, entre Nova Zelândia e África do Sul, deve determinar quem fica com o primeiro e o segundo lugar do grupo. As seleções são duas das favoritas do torneio e disputaram diversas partidas espetaculares recentemente. A Nova Zelândia tem uma boa vantagem e parece ser favorita, mas, sob o comando do treinador Rassie Erasmus, os Springboks têm um empate e uma vitória recentes contra o All Blacks jogando na casa do adversário.

Sam Cane treina com a seleção da Nova Zelândia, os All Blacks, antes do Mundial de rúgbi do Japão
Sam Cane treina com a seleção da Nova Zelândia, os All Blacks, antes do Mundial de rúgbi do Japão - CHARLY TRIBALLEAU/AFP

A Nova Zelândia acredita que deveria receber o troféu Webb Ellis em caráter permanente, e ficou feliz ao recapturar a liderança do ranking mundial recentemente. O All Blacks prospera quando pressionado. A seleção tradicionalmente conta com o maior pool mundial de talentos, com múltiplos jogadores talentosos e experientes para cada posição.

Beauden Barrett, duas vezes selecionado como melhor jogador mundial de rúgbi e que tem dois irmãos na seleção, é uma grande ameaça e foi movido da posição de "flyhalf" para a de "fullback" ou "center". Richie Mo'unga assumiu as responsabilidades da posição de "flyhalf" antes exercidas por Barrett, e as de chutador de penalidades e conversões, uma função nas qual Barrett enfrentava dificuldades.

A África do Sul tem diversos defensores excepcionais, muito velozes, mas a força do jogo dos Springboks é sua defesa contra corridas e a capacidade de forçar perdas de bola pelos adversários. O "hooker" Malcolm Marx é especialmente bom nisso. O "flanker" Siya Kolisi, o primeiro capitão negro da seleção sul-africana, é um líder inspirador que acaba de retornar de uma lesão de joelho e parece estar em forma.

O scrumhalf dos Springboks, Herschel Jantjies, é um dos destaques da seleção sul-africana para a Copa do Mundo de rúgbi
O scrumhalf dos Springboks, Herschel Jantjies, é um dos destaques da seleção sul-africana para a Copa do Mundo de rúgbi - CHARLY TRIBALLEAU/AFP

A Itália é a terceira seleção de primeiro nível no Grupo B. Enfrentou Nova Zelândia e África do Sul 14 vezes cada, e só venceu uma partida contra a África do Sul. O placar coletivo da seleção italiana contra esses dois adversários deve subir a uma vitória e 29 derrotas na copa.

Namíbia e Canadá vão jogar para vencer um ao outro e talvez apanhar a Itália em um dia de descuido e registrar uma segunda vitória.

Jogadores a observar no Grupo B:

  • Nova Zelândia: Kieran Read (Nº 8), Sevu Reece ("wing")
  • África do Sul: Siya Kolisi ("flanker"), Herschel Jantjies ("scrumhalf")
  • Itália: Sergio Parisse (Nº 8, "flanker"), Mattia Bellini ("wing")
  • Canadá: Tyler Ardron (Nº 8), Jeff Hassler ("wing")
  • Namíbia: Renaldo Bothma ("flanker"), Justin Newman ("center")

Grupo C

Inglaterra (3), França (8), Argentina (11), Estados Unidos (13), Tonga (15)
Os Estados Unidos vêm recuperando o atraso com relação à elite do rúgbi mundial, mas os USA Eagles caíram em um grupo que certamente merece o apelido de Grupo da Morte. A Inglaterra, terceira do ranking mundial, está jogando de novo como candidata séria ao título, e a França rejuvenesceu seu time e parece perigosa; ainda que os resultados recentes da Argentina venham sendo decepcionantes, a seleção tem muitos talentos de classe internacional e foi semifinalista da Copa do Mundo de Rúgbi de 2015. Mesmo Tonga tem a capacidade de derrubar um time grande ocasionalmente.

Owen Farrell (à esq) levanta peso durante treino físico em Sapporo (Japão), visando a Copa do Mundo de rúgbi de 2019
Owen Farrell (à esq) levanta peso durante treino físico em Sapporo (Japão), visando a Copa do Mundo de rúgbi de 2019 - William WEST/AFP

Mesmo assim, os Estados Unidos jogaram bem na recente Copa das Nações do Pacífico e, desde que o "flyhalf" A.J. MacGinty se recupere de uma lesão no tornozelo sofrida no primeiro tempo de um jogo contra o Japão, os Eagles devem disputar fortemente todos os jogos, e talvez vençam um ou dois deles. Mas parece improvável que vençam dois dos três times que estão acima deles no ranking, em seu grupo, para conseguir classificação.

Dado o desempenho recente da equipe, e com talentos internacionais como Owen Farrell, Maro Itoje, Billy Vunipola e Courtney Lawes todos em boa forma,é difícil imaginar outra seleção que não a Inglaterra vencendo o grupo.

Jogadores a observar no Grupo C:

  • Inglaterra: Maro Itoje ("lock"), Joe Cokanasiga ("wing")
  • França: Louis Picamoles ("flanker", Nº 8), Maxime Médard ("fullback")
  • Argentina: Pablo Matera ("flanker"), Emiliano Boffelli ("wing")
  • Estados Unidos: Malon Al-Jiboori ("flanker"), A.J. MacGinty ("flyhalf")
  • Tonga: Paea Fa’anunu ("prop"), Siale Piutau ("center")

Grupo D

País de Gales (5), Austrália (6), Fiji (9), Geórgia (12) e Uruguai (19)
O Grupo D deve ser uma corrida entre duas seleções pelas quartas de final, com o País de Gales como favorito do grupo e a Austrália preparada para avançar. O país de Gales conta especialmente com o avanço, depois de um ano em que venceu o Six Nations sem derrotas e recentemente conquistou o primeiro posto do ranking mundial (por algum tempo), derrubando o All Blacks.

Jogadores do País de Gales no treino, no estádio de Kitakyushu, dias antes o início do Mundial de rúgbi
Jogadores do País de Gales no treino, no estádio de Kitakyushu, dias antes o início do Mundial de rúgbi - Christophe SIMON/AFP

Mas os galeses e australianos não devem subestimar Fiji, que tem muitos corredores rápidos e fortes, hábeis em descarregar a bola e marcar pontos em jogadas longas de contra-ataque. Fiji é uma força dominante na versão do rúgbi para sete jogadores, mais veloz e mais curta, e conquistou a medalha de ouro olímpica da modalidade. Alguns dos jogadores de Fiji são veteranos daquele time. E jogar no Japão deve ser confortável para os ilhéus do Pacífico.

Se alguns dos jogadores nascidos em Fiji mas que jogam por outras seleções pudessem ser persuadidos a defender o time de seu país natal na Copa do Mundo de Rúgbi, isso poderia fazer dele um dos favoritos ao título. A lista inclui, entre outros, o goleador Sevu Reece (Nova Zelândia), Isi Naisarani e Marika Koroibete (Austrália), Joe Cokanasiga (Inglaterra) e Alivereti Raka (França).

A história é semelhante no caso de Samoa e Tonga, as duas outras nações ilhoas do sul do Pacífico que participam do torneio, mas Fiji, o time mais forte dos três, parece ser o mais prejudicado.

Jogadores a observar no Grupo D:

  • País de Gales: Alun Wyn Jones ("flanker"), Leigh Halfpenny ("fullback")
  • Austrália: Michael Hooper ("flanker"), Kurtley Beale ("fullback")
  • Fiji: Leon Nakarawa ("lock"), Ben Volavola ("flyhalf")
  • Geórgia: Levan Chilachava ("prop"), Merab Sharikadze ("center")
  • Uruguai: Juan Manuel Gaminara ("flanker"), Leandro Leivas ("wing")

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