Descrição de chapéu Tóquio 2020

Skate é algo de que brasileiros podem se orgulhar, diz Pedro Barros

Mundial de park realizado em São Paulo tem o catarinense como grande destaque

Daniel E. de Castro
São Paulo

Aos 24 anos, o skatista Pedro Barros acumula títulos de dezenas de eventos conquistados em países diferentes. Ainda assim, o catarinense viveu uma situação nova na sua carreira em novembro do ano passado, ao vencer o Campeonato Mundial da modalidade park realizado em Nanjing, na China.

“Foi bem legal ver a bandeira do Brasil subindo num outro país, quando eu estava fazendo algo que começou de forma muito natural na minha vida e me levou até lá, numa competição daquele nível. O skate com certeza é algo de que o brasileiro pode se orgulhar”, ele diz à Folha.

Símbolos nacionais, como bandeira, hino e uniforme de delegação, passaram a fazer parte da realidade dos skatistas após a entrada do esporte no programa olímpico de Tóquio-2020. Até então, o mais comum era os primeiros colocados receberem um cheque representativo com o valor da premiação, posarem para foto e se mandarem do pódio.

A competição na China foi o primeiro Campeonato Mundial sancionado pela World Skate, entidade reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) como responsável pela condução do esporte nesse nível.

A segunda edição do torneio será em São Paulo, desta quinta-feira (12) até domingo (15), no parque Cândido Portinari. A entrada é gratuita nos quatro dias de evento, que distribuirá o maior número de pontos na classificação para os Jogos de Tóquio-2020.

Pedro, segundo colocado do ranking olímpico do park, tentará defender seu título na competição, que terá outros nomes de destaques do país, por exemplo Luiz Francisco (terceiro) e Yndiara Asp (sétima). Entre as atrações internacionais está o americano Shaun White, tricampeão olímpico de inverno no snowboard.

Em 2016, quando a presença do skate foi confirmada nos Jogos do Japão, uma das preocupações apontadas pelos praticantes era que a atividade corria o risco de perder suas raízes de contracultura e transgressão em meio aos trâmites estabelecidos pelo COI.

O processo de adequação às normas antidoping e mesmo a questões em tese mais simples, como estabelecer uma entidade para gerenciar os campeonatos e criar um ranking internacional classificatório para a Olimpíada, enfrentou alguns percalços. A menos de um ano do evento da Olimpíada, essas regras estão estabelecidas.

“Se a gente estiver trabalhando unido para que o skate mantenha a sua essência, ela não vai deixar de existir. Agora, se todos os skatistas acharem que se resume a essa competição, a essência pode se perder”, afirma Pedro.

Em fevereiro deste ano, o catarinense foi julgado por testar positivo para um derivado da maconha durante torneio realizado em janeiro de 2018, num dos primeiros eventos com o controle de substâncias proibidas e que não tinha chancela de uma entidade reguladora do esporte.

Segundo as normas da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), o uso de maconha é vetado para atletas durante competições. O tempo máximo de punição previsto para esses casos poderia ter tirado o brasileiro dos Jogos, mas a suspensão de seis meses retroativa à data da infração eliminou as chances de prejuízo à sua participação.

“Não é uma situação fácil para ninguém lidar, mas a gente tinha um norte de que isso seria resolvido a tempo e com tranquilidade. Se tivessem avisado semanas antes do evento que já seriam feitos testes, não teria acontecido nada. Hoje acredito que todos já tiveram conhecimento sobre o tema, tanto que não houve mais nenhum problema”, diz.

A carreira em nível mundial de Pedro Barros começou em 2008. Dois anos mais tarde, ele conquistou o 1º de seus 6 títulos nos X Games. A exemplo de muitos dos seus pares, o catarinense defende que a Olimpíada precisa mais do skate do que o contrário.

Ele reconhece, no entanto, que os Jogos proporcionam uma oportunidade de extrapolar o alcance que o esporte teve no mundo até hoje: "Buscarei a medalha não para alavancar minha imagem, mas para ajudar o skate brasileiro. O que vai fazer a diferença é a caminhada até lá e a mensagem que estamos passando. Sinceramente, a medalha não muda quem eu sou”.

Ainda assim, hoje ele é o favorito para sair de Tóquio com o ouro, o que seria a sua conquista de maior visibilidade mundialmente. Ser visto por mais gente, segundo o skatista, também pode ter seus efeitos negativos.

“Para mim ainda é um luxo poder viver muitas vezes como anônimo, sair do aeroporto ou andar na rua tranquilo, mas sei que depois da Olimpíada isso pode desaparecer”, afirma Pedro, cujo perfil no Instagram é seguido por 324 mil pessoas.

C​ampeonato Mundial de Skate Park em São Paulo

Onde: Parque Cândido Portinari (av. Queiroz Filho, 1365 - Vila Hamburguesa)
Quando: De 12 (quinta) a 15 (domingo), em diferentes horários; programação completa em skatetotalurbe.com.br
Entrada gratuita
Transmissão: SporTV  (sábado, a partir das 13h15) e Globo (domingo, a partir das 10h15)

Como funciona a classificação para Tóquio-2020

Número de competidores:
20 na categoria street feminina
20 na categoria street masculino
20 na categoria park feminina
20 na categoria park masculino

Em cada evento há o limite de 3 representantes por país e o mínimo de 1 skatista por continente. O Japão tem vaga garantida em cada um deles

Park
A modalidade reúne vários elementos construídos para a prática do skate, como rampas de diversos tamanhos e raios, além de extensões e bowls (pista com formato de piscina)

Street
A categoria simula a paisagem urbana, com bancos, escadas, corrimões e calçamento como espaços de manobras

Mundiais
Os três primeiros colocados dos campeonatos mundiais da temporada 2020 já estarão classificados

Ranking
Levará em consideração eventos nacionais, continentais e mundiais disputados de 1º de janeiro de 2019 a 31 de maio de 2020. Serão considerados os dois melhores resultados da temporada 2019 (até 15 de setembro) e os cinco da temporada 2020 (de 16 de setembro até 31 de maio)

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