Descrição de chapéu Copa do Brasil

Técnicos quebram padrão e tentam levar Athletico e Inter ao título

Jovens Tiago Nunes e Odair Hellmann estão entre os mais longevos do país

Marcos Guedes
São Paulo

​Fazia mais de 40 anos que o Internacional não tinha um treinador que durasse tanto tempo no cargo quanto Odair Hellmann. Tiago Nunes está perto de se tornar o técnico mais longevo do Athletico-PR no século. São eles os comandantes que começarão a brigar pelo título da Copa do Brasil nesta quarta-feira (11), às 21h30 (de Brasília), na Arena da Baixada, em Curitiba, jogo com transmissão ao vivo da TV Globo e do SporTV.

Os jovens conseguiram quebrar um padrão de trabalhos curtos no futebol brasileiro e, entre os treinadores da Série A, só estão há menos tempo em seus clubes do que Renato Gaúcho, do Grêmio. Mais do que isso, os profissionais de 39 e 42 anos (bem abaixo da média de 50 do Campeonato Brasileiro) o fizeram em equipes com tradição recente de paciência diminuta com aquele que fica à beira do campo.

Hellmann, 42, parece ser o caso mais emblemático. Ele assumiu interinamente o Internacional no fim da campanha que rendeu o acesso à primeira divisão do Brasileiro, em novembro de 2017, e foi efetivado na sequência. Naquele momento, era o sétimo treinador da equipe colorada em apenas dois anos.

O técnico Odair Hellmann não era nem nascido quando Rubens Minelli dirigiu o Inter - Itamar Aguiar - 31.jul.19/AFP

Houve momentos de pressão, sobretudo porque nenhum título foi obtido, mas o catarinense de Salete já sobrevive faz 1 ano e 10 meses, superando qualquer passagem de nomes como Abel Braga, Tite e Muricy Ramalho. É a maior longevidade no time gaúcho desde que Rubens Minelli o dirigiu entre 1974 e 1976, conquistando três edições do Campeonato Gaúcho e duas do Brasileiro.

“É um orgulho, uma honra. Ter a oportunidade de treinar o Inter é para poucos, e essa marca me orgulha. Mas a gente quer mais”, disse o técnico, ciente exatamente do que está faltando. Se a durabilidade o coloca em uma lista com Rubens Minelli, a ausência de taças no currículo ainda o afasta dele.

“Já vi muitos comparativos que falavam que o Odair não tinha conquistado títulos, mas a maioria dos treinadores que hoje conquistam títulos levaram cinco, dez anos para conquistar o primeiro. O Odair, só por manter o trabalho esse tempo todo em um clube grande como o Inter, ainda que tenha passado dificuldades, tem um mérito muito grande”, disse o vice-presidente de futebol colorado, Roberto Melo.

Não resta dúvida, porém, de que o Internacional não vai esperar cinco ou dez anos para ser campeão com Papito –como é chamado o ex-jogador, meia formado no próprio Inter, de carreira relativamente discreta. Criticado por ter perdido as duas edições que disputou do Gaúcho e bastante questionado na recente eliminação diante do Flamengo na Copa Libertadores, ele sabe que precisa do troféu para não ter a longevidade ameaçada.

A situação de Tiago Nunes, 39, é mais tranquila. Ele já conquistou um Campeonato Paranaense antes mesmo de assumir o time profissional do Athletico, triunfando com a formação sub-23 na edição de 2018 do estadual (contra as equipes principais dos rivais), e foi o comandante de um dos grandes títulos da história do clube, o da Copa Sul-Americana de 2018.

O gaúcho Tiago Nunes já derrubou o Grêmio e quer fazer o mesmo com o Inter - Raul Arboleda - 5.mar.19/AFP

O gaúcho de Santa Maria –que não foi atleta e construiu sua carreira a partir de clubes menores, depois de se formar em educação física– passou a dirigir o time em junho de 2018, após a demissão de Fernando Diniz. O carimbo de interino o acompanhou até o final do ano, algo que não o incomodou.

Entre o período como treinador provisório e aquele após a efetivação, ele acumula 1 ano e 2 meses no cargo. Não chega a ser uma marca espetacular, mas é atípica em um clube que troca de técnico com muita facilidade. Só na era dos pontos corridos do Brasileiro, de 2003 para cá, foram 63 mudanças na direção da equipe, com 37 nomes diferentes.

Na virada de setembro para outubro, não havendo uma improvável saída, Nunes vai ultrapassar Paulo Autuori (2016/2017) como o mais longevo treinador do Athletico no século. E ele espera atingir esse patamar colocando em outro patamar também o clube, que tem um projeto de se estabelecer como um dos principais do país.

“Eu sou um cara extremamente abençoado. Tive muitas dificuldades no início da carreira, provei o gosto amargo de trabalhar em estruturas mínimas. Tudo isso teve um sentido, uma razão, que foi não desistir”, disse, empolgado com a possibilidade de crescimento ao lado do time rubro-negro: “O céu é o limite”.

Vencer a Copa do Brasil seria um passo importante, especialmente derrubando um grande na final. As duas principais conquistas do Athletico que superaram os limites do Paraná foram obtidas diante de rivais sem o peso do Inter –o Brasileiro de 2001, em final contra o São Caetano, e a Sul-Americana de 2018, em decisão contra o colombiano Junior Barranquilla.

Para cumprir o objetivo, Tiago Nunes terá de superar Odair Hellmann, outro técnico jovem, para quem a taça também seria muito importante. Ao fim do segundo jogo, na próxima quarta (18), em Porto Alegre, um dos treinadores terá crescido em importância no futebol brasileiro e ampliado a confiança dos dirigentes em seu já duradouro trabalho.

A trajetória dos treinadores finalistas

Tiago Nunes, 39
Formado em educação física, o gaúcho não foi jogador. Atuou como preparador físico antes de se tornar treinador, dirigindo equipes menores, como Sapucaiense e Luverdense. Trabalhou também nas categorias de base do Grêmio, do Juventude e do próprio Athletico-PR, o primeiro time profissional de Série A que comanda.

Odair Hellmann, 42
Meia em uma carreira relativamente discreta como jogador, o catarinense começou no próprio Internacional e ganhou a Copa São Paulo de juniores de 1998; encerrada a carreira de atleta, trabalhou em comissões técnicas nas categorias de base do clube colorado e chegou a assumir interinamente a equipe profissional em 2015, passando a dirigi-la definitivamente no final de 2017.

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