Bronze em Brasília, Rafaela Silva quer foco no tatame em meio a doping

Judoca faz sua primeira participação internacional depois de caso vir à tona

Daniel E. de Castro
Brasília

Na sua primeira competição internacional desde que veio à tona um resultado positivo de doping, a judoca Rafaela Silva, 27, ficou com a medalha de bronze do Grand Slam de Brasília, que teve início neste domingo (6).

Após vencer suas duas primeiras lutas na categoria até 57 kg, ela foi derrotada pela também brasileira Ketelyn Nascimento, 21, nas semifinais. A jovem abriu vantagem de 2 a 0 no confronto direto.

Na disputa pelo bronze contra a portuguesa Telma Monteiro, a campeã olímpica e mundial levou a melhor, comemorando muito no tatame montado no Centro Internacional de Convenções do Brasil. Já Ketelyn ficou com a prata após perder a final para a britânica Nekoda Smythe-Davis.

Rafaela Silva enfrenta a cubana Odelin Garcia durante o Grand Slam de Judô de Brasília
Rafaela Silva enfrenta a cubana Odelin Garcia durante o Grand Slam de Judô de Brasília - Abelardo Mendes Jr/rededoesporte.gov.br

No início de agosto, Rafaela testou positivo nos Jogos Pan-Americanos de Lima para a substância proibida fenoterol, presente em remédios para doenças respiratórias e que tem efeito broncodilatador. Como consequência, perdeu a medalha de ouro que havia conquistado no Peru.

O caso dela, que pode render suspensão de até quatro anos, ainda não começou a ser analisado pela Federação Internacional de Judô. A brasileira tampouco recebeu punição preventiva, medida que não é exigida pela Wada (Agência Mundial Antidoping) para substâncias proibidas que estão especificadas no seu código.

Assim, Rafaela está liberada para competir nos eventos internacionais e por enquanto mantém a medalha de bronze que conquistou no Mundial do Japão, no fim de agosto.

“Não estou muito preocupada com isso, deixo para o meu advogado, até porque não entendo nada, então não adiantaria ficar quebrando a cabeça. Tenho que quebrar minha cabeça dentro do tatame, estudando as minhas adversárias. Meus advogados fazem o trabalho deles, e eu faço o meu”, disse Rafaela após a participação no Grand Slam.

Em sua defesa, a atleta afirma que a substância proibida entrou no seu corpo por meio do contato com a bebê de uma amiga que faz uso da medicação.

Sobre a segunda derrota em dois confrontos para a compatriota (o primeiro foi no Troféu Brasil de 2018), que até o ano passado estava na categoria juvenil, Rafaela elogiou a oponente: “É muito bom ver que a nova geração do judô feminino brasileiro está crescendo, e serve de alerta para eu treinar e me dedicar mais. Aprendemos com os erros, e ganhar sempre também atrapalha”.

O Grand Slam de Brasília, que vai até terça (8) e tem entrada gratuita, é a primeira grande competição internacional de judô organizada no país desde que o Rio de Janeiro realizou o Campeonato Mundial, em 2013.

Esse evento está no terceiro nível de importância do esporte, atrás do Mundial e do Masters, torneio no fim do ano que reúne os melhores atletas da temporada.

Como país-sede, o Brasil pode inscrever até quatro atletas por categoria e aproveitou para preencher todas as suas cotas. Assim, judocas mais jovens ou com posições inferiores no ranking têm a oportunidade de evoluir no cenário internacional.

Dos 20 brasileiros que foram ao tatame neste domingo, 10 chegaram às semifinais e 9 foram medalhistas.

Além de Ketelyn e Rafaela, o primeiro dia teve os pódios de Allan Kuwabara (ouro 60 kg), Daniel Cargnin (ouro 66 kg), Gabriela Chibana (prata 48 kg), Larissa Pimenta (prata 52 kg), Eric Takabatake (prata 60 kg), Eleudis Valentim (bronze 52 kg) e Willian Lima (bronze 66 kg).

A maior atração será o judoca francês Teddy Riner, 30, bicampeão olímpico, dez vezes campeão mundial e invicto desde 2010. A categoria dele, acima de 100 kg, encerra o torneio na terça (8).

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