Em Brasília, judoca Teddy Riner defende invencibilidade de nove anos

Brasileiros Rafael Silva e David Moura buscam derrubar o astro em Grand Slam

Daniel E. de Castro
Brasília

O último dia do Grand Slam de Brasília contará com uma rara aparição do maior astro do judô, o francês Teddy Riner, 30.

Dez vezes campeão mundial, bicampeão olímpico (2012 e 2016) e invicto desde setembro de 2010, quando perdeu para o japonês Daiki Kamikawa, Riner é a grande estrela da categoria acima de 100 kg, uma das cinco que serão disputadas nesta terça (8) no Centro Internacional de Convenções do Brasil, a partir das 12h. A entrada é gratuita, mediante lotação.

Como o francês explicou em entrevista à Folha em 2018, ele prefere não participar de muitas competições e se poupar para as mais importantes, como a Olimpíada do ano que vem, em Tóquio, e a de 2024, dentro de casa, em Paris.

"Faz anos que estou no circuito [ganhou o primeiro Mundial profissional em 2007, no Brasil, aos 18 anos]. Quero continuar sendo guloso. Para isso, preciso ser inteligente. O corpo se desgasta muito mais rapidamente quando se luta em alto nível, e estou há muito tempo nisso", afirmou.

Judoca francês Teddy Riner durante o Grand Prix no Canadá
Judoca francês Teddy Riner durante o Grand Prix no Canadá - AFP

​Riner ficou um ano e meio sem competir, do fim de 2017 até julho de 2019, quando lutou e venceu o Grand Prix de Montreal. Apesar de ter mantido a invencibilidade, ele teve trabalho em alguns combates, principalmente diante do tcheco Lukas Krpalek, atual campeão mundial e vice-líder do ranking.

As ausências frequentes em torneios fazem com que Riner seja apenas o 58º colocado da lista, posição que ele precisará melhorar se quiser ser cabeça de chave na Olimpíada.

Krpalek também estará em ação em Brasília, assim como os brasileiros Rafael Silva, o Baby, quarto colocado do ranking, e David Moura, sexto lugar. Ambos têm 32 anos e travam um duelo direto pela única vaga olímpica a que o país tem direito na categoria.

“A expectativa de lutar no Brasil é sempre muito boa, a torcida com toda a certeza faz a diferença e coloca toda a pressão para cima dos adversários”, diz Silva, dono de duas medalhas olímpicas de bronze (2012 e 2016).

Ele acredita que o astro francês tenha chegado em boa forma a Brasília, por precisar de pontos na classificação olímpica. “Espero atrapalhar esse objetivo. Fazer uma boa luta com ele aqui será muito bom, é um dos principais adversários pensando nos Jogos do ano que vem. Enfrentá-lo antes é um privilégio, já que ele está competindo pouco”, afirma.

Os dois brasileiros perderam para Riner no último Mundial disputado por ele, em 2017. David, derrotado na decisão daquele ano, sonha em dar o troco dentro de casa.

“Acredito que o Teddy queira pegar ritmo, já que lutou apenas uma competição neste ano. Acho que é um bom momento para ganhar dele. Com a torcida toda gritando, derrotá-lo no Brasil seria marcar a história, e estou muito empolgado com essa ideia”, diz.

Riner estreia em Brasília contra o japonês Kokoro Kageura, 13º do ranking, e pode encarar Krpalek nas semifinais. Silva e Moura também podem se enfrentar nessa fase da competição.

 

Após um primeiro dia de Grand Slam, no domingo, com 9 medalhas conquistadas, os atletas brasileiros encerraram a segunda-feira (7) com mais 4 pódios: Ketleyn Quadros (ouro 63 kg), David Lima (prata 73 kg), Alexia Castilhos (prata 63 kg) e Maria Portela (bronze 70 kg).

Nesta terça (8), mais 20 representantes do país estarão em ação. Além dos pesados, ocorrem as disputas até 90 kg e até 100 kg no masculino.

Entre as mulheres, encerram o torneio as atletas acima de 78 kg, em que o Brasil tem Maria Suelen Altheman e Beatriz Sousa como destaques, e aquelas de até 78 kg, categoria da bicampeã mundial Mayra Aguiar, que nesta segunda desistiu de participar do torneio por conta de uma lesão no joelho.

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