Descrição de chapéu Liga dos Campeões 2019 - 2020

Fenômeno italiano, Atalanta enfrenta o City pela Champions

Equipe foi rebaixada 3 vezes neste século e terminou Série A passada em 3º

São Paulo

Em 2016, parecia que Gian Piero Gasperini não teria grande futuro na Atalanta. Após sequência de derrotas no início do Campeonato Italiano, ele mesmo admitia aos jornalistas que “provavelmente” seria demitido.

“Estava prestes a acontecer”, ele diz, três anos depois.

Nesta terça (22), Gasperini leva seus jogadores à Inglaterra para enfrentar o Manchester City, pela terceira rodada do Grupo C da Champions League. É a primeira vez que o clube italiano, fundado em 1907, participa do mais importante torneio europeu.

Duvan Zapata  tenta marcar gol contra o Shakhtar Donetsk, pela segunda rodada da Champions League
Duvan Zapata tenta marcar gol contra o Shakhtar Donetsk, pela segunda rodada da Champions League - Vincenzo Pinto-1.out.19/AFP

Atual terceira colocada da Série A, a Atalanta se tornou, desde a chegada de Gasperini, um dos times com maior ascensão do continente. Antes de 2016, a equipe havia sido rebaixada três vezes neste século (2003, 2005 e 2010).

Na última temporada, terminou na terceira posição da competição nacional, à frente de Internazionale, clube que demitiu Gasperini em 2011 após apenas três meses de trabalho. Chegou à final da Copa da Itália. Acabou derrotada pela Lazio.

A campanha de 2018-2019 foi tão surpreendente que a diretoria não estava preparada. Os jogos em casa são disputados no San Siro, em Milão, porque o Atleti Azzuri d'Italia está em reformas por não atender aos requisitos da Uefa para a Champions. O estádio tem capacidade para 21.300 pessoas. Nas duas rodadas anteriores do torneio europeu, a Atalanta foi batida por Dínamo Zagreb (CRO) e Shakhtar Donetsk (UCR).

“O que pensavam de [Maurizio] Sarri [hoje técnico da Juventus] eu penso de Gasperini. O que fez no ano passado foi incrível. É como se tivesse vencido o campeonato com um time grande. É uma alegria ver a Atalanta jogar, eles têm coragem, jogam para os torcedores, atacam e se arriscam”, elogiou Pep Guardiola, treinador do Manchester City.

Os 77 gols anotados pela Atalanta na temporada passada a deixaram como ataque mais positivo da Série A. Os números foram apoiados principalmente nos 23 anotados pelo colombiano Duvan Zapata, emprestado pela Sampdoria.

“Nós sabemos agir bem no mercado, descobrindo jogadores que podem não estar bem em outras equipes, mas podem nos ser muito úteis. E também sabemos utilizar os garotos das categorias de base”, analisa o presidente Antonio Percassi.

Essa fórmula tem dado resultados não apenas esportivos, mas financeiros. Nos últimos cinco anos, a Atalanta gastou 178,3 milhões de euros (cerca de R$ 715 milhões) em reforços, mas vendeu 247,3 milhões de euros (cerca de R$ 990 milhões).

Um exemplo foi o meia Bryan Cristante, comprado do Benfica (POR) por 5 milhões de euros (cerca de R$ 20 milhões) em 2017. Um ano depois, foi vendido para a Roma por um valor que, somados os bônus por desempenho, pode chegar a 20 milhões de euros (cerca de R$ 100 milhões).

Gasperini tem sabido usar as revelações do clube que, segundo estudo da CIES Football Observatory, instituto suíço, tem a 8ª melhor categoria de base do futebol mundial e a melhor da Itália.

Não é de hoje. Com sistema de jogo nas divisões inferiores inspirado pelo Ajax (HOL), a Atalanta já revelou Gaetano Scirea e Roberto Donadoni. O primeiro foi campeão mundial com a seleção italiana em 1982. O último, finalista em 1994.

Gian Piero Gasperini concede entrevista antes da partida contra o Manchester City
Gian Piero Gasperini concede entrevista antes da partida contra o Manchester City - Paul Ellis/AFP

“Para nós é um prêmio jogar esse tipo de partida, mesmo que o coeficiente de dificuldade seja muito alto. Na história da Atalanta, este é um momento de ver as coisas de modo positivo”, pediu Gasperini.

O que ele, os jogadores de 14 nacionalidaes que compõem o elenco da equipe (entre eles os brasileiros Guilherme Arana e Rafael Toloi) e os dirigentes sabem é que, mesmo em caso de eliminação da fase de grupos, a Atalanta já venceu por estar na Champions League.

Nascido na pequena Grugliasco, na região italiana do Piemonte, Gian Piero Gasperini, 60, recebeu em setembro deste ano o título de cidadão honrário de Bérgamo, na Lombardia.

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