Medina arranca e conta com histórico por tri no Mundial de surfe

Surfista brasileiro lidera a três etapas do fim, nas quais costuma ir bem

Daniel E. de Castro
São Paulo

A três etapas do fim da temporada 2019 da Liga Mundial de Surfe (WSL), o brasileiro Gabriel Medina, 25, lidera a classificação com uma ligeira vantagem para o segundo colocado, seu compatriota Filipe Toledo, 24. Em busca do tricampeonato, Medina soma 44.695 pontos, contra 44.400 de Toledo.

Mais do que essa diferença, o que dá o favoritismo ao bicampeão é principalmente seu bom histórico nos eventos da reta final da competição. A próxima parada da WSL será em Hossegor, na França, onde a janela de competição vai das 4h (de Brasília) desta quinta-feira (3) até o dia 13 de outubro. A ESPN e o site da liga (worldsurfleague.com) transmitem.

Logo na sequência, de 16 a 28 deste mês, será realizada a etapa de Peniche, em Portugal. A disputa chega ao fim de 8 a 20 de dezembro, com a derradeira etapa de Pipeline, no Havaí.

Nos últimos cinco anos, o desempenho nessas três etapas foi decisivo para Medina conquistar seus dois títulos mundiais. Mesmo nas edições em que não levou o troféu de campeão, o surfista de São Sebastião (litoral de São Paulo) saiu-se bem na perna final.

Nas suas 15 participações em Hossegor, Peniche e Pipeline de 2014 a 2018, apenas 3 vezes ele não ficou entre os 8 primeiros. Chegou à decisão em 7 ocasiões e venceu 4. Em outras 2 parou nas semifinais.

Nenhum dos seus perseguidores mais próximos, lista que inclui, além de Toledo, o americano Kolohe Andino, 25, e o sul-africano Jordy Smith, 31, ostenta um histórico parecido.

A boa relação entre Medina e as ondas francesas vem desde 2009, quando o brasileiro, então com 15 anos, começava a aparecer para o mundo. Na ocasião, ele venceu no país um evento paralelo ao da elite mundial, e seus aéreos chamaram a atenção do então dominante astro americano Kelly Slater.

Dois anos mais tarde, Medina passou a integrar o quadro da WSL durante a temporada e conquistou seu primeiro título de etapa justamente em Hossegor. Ele chegou à decisão na França em mais quatro oportunidades desde então, com duas vitórias e duas derrotas em finais.

Soberano a partir do segundo semestre, o brasileiro costuma ter mais dificuldade na primeira metade da temporada. Foi assim em 2019, quando acabou na 17ª posição por duas vezes e na 5ª em outras três durante as cinco etapas iniciais do ano.

Recuperou-se, porém, nos últimos três eventos, com dois títulos e um vice-campeonato para assumir a ponta e vestir a lycra amarela destinada ao líder.

Gabriel Medina durante a etapa em piscina de ondas da Califórnia, que o colocou na ponta da classificação
Gabriel Medina durante a etapa em piscina de ondas da Califórnia, que o colocou na ponta da classificação - Sean M. Haffey - 21.set.19/AFP

Enquanto isso, ele viu o havaiano bicampeão mundial John John Florence, 26, que liderava a classificação e parecia um forte concorrente ao tricampeonato, romper o ligamento do joelho em junho, durante a etapa do Rio de Janeiro. A lesão o tirou de disputa até o fim do ano, algo que já havia ocorrido no ano passado.

Além do título mundial, a temporada 2019 da WSL também definirá os principais surfistas da Olimpíada de Tóquio, que marcará a estreia do esporte no programa dos Jogos.

Há três atletas na briga pelas duas vagas destinadas aos representantes brasileiros no Japão. Além de Medina e Toledo, que hoje ficariam com elas, Ítalo Ferreira, 25, é o quinto colocado da temporada, com     34.600 pontos, e mantém vivas suas chances.

No feminino, as vagas brasileiras devem ficar com Tatiana Weston-Webb, 23, e Silvana Lima, 34, ambas distantes da disputa pelo título mundial. A liderança é da havaiana Carissa Moore, 27, seguida pela americana Lakey Peterson, 25, e pela australiana Sally Fitzgibbons, 28.

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