Após queda de Carille, Sheik sai e Corinthians prevê reformulação

Além do técnico e do ex-jogador, clube demitiu quatro profissionais

Luciano Trindade
São Paulo

Um dia após a demissão do técnico Fábio Carille, 46, o coordenador de futebol do Corinthians, Emerson Sheik, 41, pediu demissão do clube nesta segunda-feira (4). 

A Folha apurou que Sheik costumava se atrasar para, praticamente, todas as reuniões do departamento de futebol, situação que incomodava não só a comissão técnica como os próprios jogadores. O ex-atacante tinha a função de gerenciar os atletas. 

Ele não falou com a imprensa nesta segunda. O clube marcou uma entrevista coletiva, na terça (5), com ele para comentar a sua saída. 

Emerson Sheik durante amistoso que marcou sua despedida como jogador do Corinthians, em 2018
Emerson Sheik durante amistoso que marcou sua despedida como jogador do Corinthians, em 2018 - 1.jan.19 - Daniel Augusto/Ag. Corinthians

Quando assumiu a função, em janeiro deste ano, o ex-atacante argumentou que cumprir horários e ter disciplina seriam os seus maiores desafios com o novo cargo. 

"Toda minha história e esses erros vão servir agora. Vou poder identificar um atleta que está errando e falar para ele com propriedade que não é um bom caminho", disse, em sua primeira entrevista coletiva como coordenador de futebol, em janeiro deste ano.

Além de Emerson Sheik, outros quatro funcionários do departamento de futebol deixaram o Corinthians nesta segunda. A exemplo de Carille, foram demitidos os auxiliares Leandro Silva e Fabinho, o preparador físico Walmir Cruz e o analista de desempenho Denis Luup.

As saídas de Cruz e Silva eram mais esperadas, uma vez que eles chegaram ao clube junto com Carille, no início desta temporada. Eles trabalharam com o técnico na Arábia Saudita. Fabinho e Luup faziam parte da comissão técnica fixa do time do Parque São Jorge.

Até as confirmações das saídas, o departamento de futebol contava com 71 profissionais, de diversas áreas. Restaram, agora, 66. 

Logo após a derrota para o Flamengo, no domingo (3), quando anunciou o desligamento de Carille, o presidente corintiano, Andrés Sanchez, afirmou que o clube teria "mudanças drásticas" e que "pouca gente" iria ficar. A direção não descarta novas demissões.

Dos funcionários que foram demitidos, no entanto, apenas o cargo de Sheik não deve ter reposição. A função foi criada quando ele se aposentou como atleta. O ex-atacante dividia com o ex-zagueiro Vilson as atribuições que eram do ex-gerente de futebol do clube, Alessandro. Vilson segue no clube.

A saída pela portas dos fundos contrasta com as passagens vitoriosas Emerson como jogador. Pelo time alvinegro, conquistou seis títulos, entre eles a Libertadores e o Mundial de 2012.

Para o lugar de Fábio Carille, o principal nome que a diretoria tenta viabilizar neste momento é Tiago Nunes, 39, treinador do Athletico-PR, atual campeão da Copa do Brasil.

No Athletico, Tiago desenvolveu um trabalho com estilo tático diferente do que Carille costumava fazer no Corinthians. O treinador da equipe paranaense gosta de um futebol com toque de bola rápido, sobretudo no campo de ataque, e bastante veloz. Também busca compactação entre as linhas de meio de campo e ataque, além de pressionar a saída do adversário.

Já o ex-treinador alvinegro tinha como principal característica formar sistemas defensivos fortes. Apostava em contra-ataques e, não raro, jogava por uma bola e depois se fechava para segurar o resultado.

No mês passado, o empresário de Tiago Nunes, Luiz Paulo Chignall, esteve no CT do Parque Ecológico durante um treino de Carille. Na ocasião, ele disse que foi ao locar para visitar seu amigo Ramiro, volante que o Corinthians contratou do Grêmio. 

O técnico tem contrato com a equipe paranaense até o fim desta temporada e disse, no domingo (3), que pretende se reunir com a diretoria do clube nesta semana para definir o seu futuro profissional.

"Eu desejo definir a minha situação para o futuro na próxima semana. Caso contrário, eu vou ouvir outros clubes. Mas como já disse, vou cumprir o meu contrato até o dia 8 de dezembro", disse Nunes após a vitória do Athletico sobre o CSA, pelo Campeonato Brasileiro.

Ele afirmou que, independentemente do desfecho da negociação com o Athletico, pretende cumprir o seu contrato até o fim. Desta forma, caso insista em contratá-lo, o Corinthians terá de esperar até dezembro para ter ele à frente da equipe.

Enquanto negocia com ele e busca alternativas, o Corinthians terá Dyego Coelho, 36, ex-jogador do clube e, atualmente, técnico da equipe sub-20, como treinador da equipe principal. 

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