Descrição de chapéu Tóquio 2020

Brasil encara nova realidade no Mundial feminino de handebol

Equipe campeã em 2013 passa por renovação em meio a cenário de crise financeira

São Paulo

Campeã do Mundial feminino de handebol há seis anos, a seleção brasileira entra na edição de 2019 do torneio, com início neste sábado (30), no Japão, para testar a força que possui atualmente no cenário internacional.

Não é mais a mesma que levou a equipe àquela inédita conquista de 2013 e a credenciou como favorita ao pódio nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, quando parou nas quartas de final após se classificar em primeiro lugar na fase de grupos.

Depois disso, no Mundial de 2017, veio o choque de realidade, com a eliminação ainda na fase inicial após campanha de uma vitória, dois empates e duas derrotas —resultando na 18ª colocação entre 24 participantes.

O handebol brasileiro passa por um processo de renovação. A equipe convocada para o torneio pelo técnico espanhol Jorge Dueñas tem cinco campeãs mundiais de 2013.

Regionalmente, esse grupo manteve o Brasil como potência ao vencer com tranquilidade os Jogos Pan-Americanos de Lima, em julho, e garantir a classificação para a Olimpíada de Tóquio. Agora vem o teste real pensando em quanto poderá ambicionar no próximo ano.

Uma das remanescentes da geração vitoriosa no elenco atual, a armadora Eduarda Amorim, 33, eleita a melhor jogadora do mundo em 2014, coloca como objetivo terminar o Mundial entre as 12 melhores equipes, mas vê a chave em que o Brasil caiu como maior desafio para evoluir em relação à edição anterior.

São cinco seleções campeãs do mundo no grupo B. Além das brasileiras, francesas (duas vezes), dinamarquesas, alemãs e coreanas já venceram a competição. O Brasil estreia às 3h (de Brasília) deste sábado (28), diante da Alemanha.

Não haverá transmissão de TV para o país. Alguns jogos serão exibidos no canal do YouTube da Federação Internacional de Handebol (IHF), mas ainda não foi divulgada uma programação detalhada.

Líder do renovado time brasileiro, Duda afirma à Folha que há evolução no desempenho da equipe.

"Faz parte [voltar a um patamar inferior]. Estamos construindo uma boa e competitiva geração novamente. É um prazer para mim fazer parte desse momento também. Gosto muito da nossa equipe e acredito no potencial dela".

Com planos para jogar por mais duas temporadas no seu time, o húngaro Gryori, atual tricampeão da Champions League, Duda ainda sonha com a conquista de uma medalha olímpica em sua derradeira chance.

"Eu me sinto muito bem, hoje jogo sem preocupações, aproveitando muito os jogos e sendo feliz dentro de quadra. Sinto que já conquistei praticamente tudo que sonhei, tive uma carreira brilhante, falta mesmo uma medalha olímpica, quem sabe ainda consigo junto à seleção", ela diz.

A armadora Duda Amorim em jogo contra o Argentina na final dos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru
A armadora Duda Amorim em jogo contra o Argentina na final dos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru - Wander Roberto - 30.jul.19/COB

Além da queda nos resultados vista nos últimos anos, o handebol brasileiro se encontra em meio a uma crise financeira e administrativa.

Em abril do ano passado, Manoel Luiz de Oliveira, no comando da confederação (CBHb) desde 1989, foi afastado temporariamente por decisão da Justiça.

Ele é acusado de irregularidades em convênios firmados entre a entidade e o Ministério do Esporte para a realização em São Paulo do Mundial de 2011. Ricardo Souza, então vice-presidente e aliado de Oliveira, assumiu o comando.

Na sequência, o Banco do Brasil, apoiador do handebol desde 2013, decidiu que não renovaria o acordo que pagava R$ 15,5 milhões por dois anos para a confederação. O contrato de patrocínio com os Correios terminou no início de 2019.

Como a confederação está impedida de receber repasses do Comitê Olímpico do Brasil, a solução foi o COB pagar diretamente os custos da equipe nacional.

"Os investimentos nas seleções não foram afetados em 2019. Atendemos todas as fases de treino que a federação internacional permite nas suas datas. Para 2020 também estamos garantindo o planejamento proposto pela comissão técnica", diz Souza.

O dirigente afirma não ver uma queda de patamar da seleção feminina no cenário internacional: "Tanto que somos convidados pelas principais seleções do mundo para treinamentos e torneios. Estamos passando por mudanças que estão sendo positivas, com a entrada de atletas jovens, porém já atuando na Europa".

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