Descrição de chapéu Futebol Internacional

Fifa diz que ucranianos devem investigar caso de injúria racial

Brasileiros Taison e Dentinho foram alvos de torcedores do Dínamo de Kiev

São Paulo

Após os brasileiros Taison e Dentinho, do Shakhtar Donetsk, serem alvos de injúria racial no clássico contra o Dínamo de Kiev pelo Campeonato Ucraniano, no último domingo (10), a Fifa afirmou que a responsabilidade sobre o caso é das autoridades locais.

"Não estamos a par de todos os detalhes acerca deste incidente. Enquanto é a responsabilidade das autoridades ucranianas cuidar, investigar e agir sobre qualquer incidente na liga ucraniana, o posicionamento da Fifa é inequívoco no sentido de que qualquer tipo de discriminação não tem espaço no futebol", respondeu a entidade à Folha por meio de um porta-voz.

A declaração cita ainda o artigo 4º do estatuto oficial da Fifa, que diz que qualquer ato discriminatório é "proibido e passível de ser punido com suspensão ou expulsão". O mesmo documento atesta, em suas declarações finais, que a Fifa "deve agir" em casos de abuso racial, problema que tem sido reincidente no futebol europeu.

Taison, do Shakhtar, mostra o dedo do meio para local das arquibancadas de onde vieram os gritos racistas
Taison, do Shakhtar, mostra o dedo do meio para local das arquibancadas de onde vieram os gritos racistas - Oleksandr Osipov/Reuters

O Código Disciplinar da entidade foi atualizado em julho deste ano, com punições mais severas contra casos de racismo. Foi nesta alteração que se acrescentou o novo procedimento de três etapas: primeiro a paralisação da partida, depois o aviso por meio do alto-falante do estádio e finalmente o encerramento do jogo—sendo declarado o time infrator como derrotado.

No caso envolvendo Taison e Dentinho, as duas primeiras etapas foram cumpridas, depois o jogo foi reiniciado. Taison, que reagiu às ofensas chutando a bola para as arquibancadas e mostrando o dedo do meio para a torcida do Dínamo, acabou expulso de campo.

O mesmo aconteceu com o zagueiro Kalidou Koulibaly, do Napoli, em dezembro do ano passado. O atleta se revoltou após ser insultado por sua cor de pele em uma partida contra a Internazionale de Milão, aplaudiu ironicamente o árbitro do jogo. Recebeu o cartão vermelho e foi suspendo por dois jogos. Posteriormente, a Federação Italiana puniu a Inter com dois jogos sem torcida.

A Fifa foi questionada sobre a punição à vítima de racismo com um cartão vermelho, mas não contemplou o tema em sua resposta à Folha.

Em um caso mais recente, o da seleção da Bulgária —que viu seus torcedores fazerem cantos racistas e gestos fascistas durante a derrota para a Inglaterra— A Fifa pressionou a Uefa para que agisse contra a seleção búlgara. A entidade europeia seguiu a orientação de sua superior e puniu o país com um jogo de arquibancadas vazias.

A polícia local ainda identificou e prendeu torcedores envolvidos no incidente.

No posicionamento sobre o caso de Taison e Dentinho, a Fifa reforçou as declarações de seu presidente, Gianni Infantino, sobre o episódio anteior na Bulgária. "[Podemos] estender essa punição ao nível mundial", finalizou.​

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