Descrição de chapéu Copa Libertadores

Gabigol revive, honra apelido e conduz Fla a bi da Libertadores

Virada contra o River em 3 minutos marca conquista do torneio após 38 anos

Lima

Nunca os mais de 30 mil flamenguistas que viajaram a Lima de avião, ônibus, a pé (ou todas as alternativas juntas) precisaram tanto que Gabriel justificasse o apelido que virou quase seu nome de batismo: Gabigol.

Quando o árbitro chileno Roberto Tobar apitou o início da final da Copa Libertadores entre Flamengo e River Plate no estádio Monumental, neste sábado (23), ele já era o artilheiro do torneio continental (7 gols) e do Brasileiro (22). Mas não fez quase nada por 87 minutos.

 

Para sorte rubro-negra, o jogo tem 90. E nos três que restaram (mais acréscimos), o atacante colocou seu nome na história do clube carioca. Gabigol anotou duas vezes, o Flamengo virou o placar sobre os argentinos por 2 a 1 e conquistou pela segunda vez a mais importante competição sul-americana.

Os dois chutes em dois lances de centroavante de área (o que ele não é) acabaram com a espera de 38 anos do Flamengo pela conquista.

Gabigol ainda foi expulso nos segundos finais, mas quase ninguém notou.

Foi o maior momento da carreira de um jogador que, desde as categorias de base, ficou famoso pela capacidade de fazer gols. Quando teve a transferência dos sonhos para a Europa, porém, viu o poço secar.

Encostado pela Internazionale, infeliz e sem brilhar nas poucas chances que recebeu também no Benfica (para onde foi emprestado), voltou para o Santos no ano passado. No início de 2019, chegou ao Flamengo.

Com a camisa 9 às costas do ídolo Nunes, referência de ataque do campeão da Libertadores e Mundial de 1981, Gabriel foi bem marcado pelo River Plate neste sábado. Buscou a bola nos dois lados do campo para tentar fazer algo, sem sucesso.

O que ele queria era ter espaço para finalizar. Quando teve, decidiu a partida.

A reviravolta causou um misto de euforia e incredulidade entre os torcedores. O dia que deveria ser de glória parecia destinado a ser uma das maiores decepções da trajetória do clube.

Com um plano de jogo que beirou a perfeição, Marcelo Gallardo armou o River Plate para anular todas as principais jogadas do rival. Bruno Henrique foi neutralizado por quase toda a decisão. Filipe Luís sofreu com as descidas de Matías Suárez e De La Cruz. Não foi só isso. Quando se imaginava que o time argentino defenderia, ele atacou. Foi melhor do que o Flamengo por boa parte do jogo.

Santos Borré abriu o placar aos 14 minutos, e a diferença poderia ser ainda maior. O melhor ataque do Campeonato Brasileiro, com 73 gols em 34 rodadas, não conseguia fazer uma finalização.

Não era esse o plano. Os flamenguistas que tomaram a capital peruana estavam lá pela glória. Entre o título de 1981 e a final deste ano foram 13 eliminações em diferentes fases, maneiras e com vários graus de decepção. A partida no estádio Monumental deveria ser o instante da redenção.

Vai entrar para o folclore do clube carioca a frase do técnico português Jorge Jesus dita na sexta (22). Afirmou que já sabia desde quando chegou à Gávea de que o time estaria na final da Libertadores. Será lembrado como uma profecia, mas poderia não ser assim. Isso acontecerá porque Gabigol apareceu, decisivo, quando a esperança estava no fim.

O roteiro foi perfeito porque teve a entrada de Diego durante o segundo tempo. Em julho, durante partida contra o Emelec (EQU), o meia sofreu fratura no tornozelo direito. Foi ele a carregar a taça antes desta ser erguida pelos demais jogadores. Teve o nome cantando insistentemente pela torcida. Agradeceu com um beijo no escudo.

O armador enfim conquistou o torneio sul-americano, e contra um rival argentino. Em 2003, então com 18 anos, era um dos astros do Santos derrotado na final pelo Boca Juniors. Mas para ele, Gabriel e os milhões de torcedores do Flamengo, 23 de novembro de 2019 era o dia da redenção.

Serviu até para a Conmebol. A aposta da final em partida única, questionada quando anunciada, deu certo. Não houve episódios de violência, brasileiros e argentinos conviveram bem em Lima (pelo menos até o final da partida) e, em campo, a Libertadores teve uma das decisões mais emocionantes da sua história, com o título nas mãos do clube mais popular do Brasil.

Tudo isso por causa de dois momentos de Gabriel, separados por intervalo de três minutos. A criança que chegou ao Santos aos 8 anos, levado pelo hoje presidente José Carlos Peres com o conselho de colocá-lo para jogar “porque ele só sabe fazer gols”, brilhou naquela que era a maior partida da sua carreira.

Na festa, a torcida no Monumental lembrou que ele está no Flamengo por empréstimo e começou a gritar “fica, Gabigol!”. Ele sorriu, bateu no peito e ergueu os braços.

Brasileiros campeões da Libertadores

São Paulo - (1992, 1993 e 2005)

Santos - (1962, 1963 e 2011)

Grêmio - (1983, 1995 e 2017)

Cruzeiro - (1976 e 1997)

Internacional - (2006 e 2010)

Flamengo - (1981 e 2019)

Atlético-MG - (2013)

Palmeiras - (1999)

Corinthians - (2012)

Vasco - (1998)

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