Com Mattos, gasto com futebol do Palmeiras mais que dobrou

Diretor do departamento chegou junto com a patrocinadora Crefisa ao clube

São Paulo

Próximo de completar cinco anos à frente do futebol do Palmeiras, Alexandre Mattos, foi demitido neste domingo (1º). Com ele como diretor de futebol, o clube viveu um período de bonança, financiada pela patrocinadora Crefisa, instabilidade com técnicos e conquistas de títulos nacionais— uma Copa do Brasil (2015) e dois Brasileiros (2016 e 2018). 

Com Mattos, o gasto do departamento de futebol do Palmeiras subiu de R$ 243,7 milhões em 2014 para R$ 537,6 mi em 2018, segundo valores do balanço anual alviverde, atualizados.

Nos anos que antecederam sua chegada, também houve crescimento, mas em menor proporção: 26,6% entre 2012 (primeiro ano disponível para consulta no site do Palmeiras) 2014, também em quantias corrigidas pela inflação.

O valor inclui direitos econômicos e de imagem, o pagamento de salários e até despesas administrativas do setor. Nos cinco primeiros meses de 2019, o time já acumulava R$ 230,5 milhões em despesas com o futebol.

Em 2018, o Palmeiras foi o clube que mais gastou com o departamento, quase R$ 150 milhões a mais que Corinthians e Flamengo, equipes que vem logo em seguida.

No período sob Mattos, o Palmeiras investiu em contratações. Foram 76 atletas que chegaram. Em 2015, no primeiro ano do dirigente, o clube registrou pouco mais de R$ 60 milhões em aquisições de novos atletas. No último, R$ 175 mi.

Apesar de o valor ter quase triplicado neste período (considerando números atualizados), é importante ressaltar que as cifras anuais podem conter parcelas de pagamentos de contratações antigas. Ao mesmo tempo, se algum jogador trazido por Mattos ainda tiver parte de sua transação a ser quitadas nos próximos anos, o valor ainda não consta nestes números.

No período, o Palmeiras também lucrou com a venda de atletas. Na última temporada, por exemplo, o clube divulgou uma receita de quase R$ 170 milhões com as negociações de Yerri Mina, Danilo, João Pedro, Fernando, Marcos França, Daniel Fuzato e Roger Guedes.

Com a principal função de contratar jogadores e montar um time campeão, acumulou nomes de peso que não converteram dinheiro em resultado dentro de campo.

Um dos principais gastos da última leva de reforços foi o meia Carlos Eduardo, 22. Ele custou cerca de US$ 6 milhões (R$ 25,2 mi) ao Palmeiras e fez apenas um gol nos 19 jogos que disputou na temporada.

Borja, que chegou, em 2017, como grande artilheiro do Atlético Nacional (COL) campeão da Libertadores, custou US$ 10,5 milhões (R$ 33 milhões à época), valor pago com ajuda da patrocinadora Crefisa, que aceitou auxiliar também em parte do salário de R$ 320 mil e com as luvas de R$ 1 milhão.

O atacante fez, em três temporadas com a camisa alviverde, 36 gols em 112 jogos (uma média de 37 partidas e 12 bolas na rede por ano).

Alexandre Mattos durante coletiva no Palmeiras
Alexandre Mattos chegou ao Palmeiras em 2015 e liderou o departamento de futebol durante a era da Crefisa - Cesar Greco/Divulgação/Agência Palmeiras

Durante a gestão de Mattos, o Palmeiras teve oito técnicos nunca começou e terminou um ano com o mesmo nome à beira do gramado.

Começou com Oswaldo de Oliveira e depois vieram Marcelo Oliveira, Eduardo Baptista, Cuca (duas vezes), Alberto Valentim, Roger Machado, Luiz Felipe Scoari e Mano Menezes.

Felipão e Cuca (em sua primeira passagem) foram campeões brasileiros e Marcelo Oliveira, da Copa do Brasil. Quem ficou mais tempo no cargo também foi Scolari que chegou em julho de 2018 e foi embora em setembro deste ano.

Poderoso desde 2015 no clube, o dirigente recebia salário de R$ 180 mil em 2017 e 2018, cifra que aumentou após ele ter renovado seu vínculo com o clube, no fim do ano passado, até 2021. Também tinha o aluguel de seu apartamento na capital paulista pago pelo clube.

Além disso, recebia premiações pelo desempenho da equipe. Faturou R$ 22.433,37 com o primeiro lugar na fase de grupos da Libertadores em 2018. Também ganhou mais R$ 16.825,03 após o time eliminar o América-MG na Copa do Brasil.

Os valores foram divulgados pelo conselho fiscal do clube, órgão que fazia oposição à presença do diretor.

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