Descrição de chapéu Mundial de Clubes 2019

Trios ofensivos levam Flamengo e Liverpool à final do Mundial

Finalistas apostam em futebol ofensivo e atacantes na final deste sábado

Doha

Quando a situação era dramática na final da Libertadores, Bruno Henrique começou uma jogada, Arrascaeta cruzou e Gabriel tirou o Flamengo do sufoco contra o River Plate. No intervalo da semifinal do Mundial, os três jogadores conversaram sobre trocas de posições que poderiam ajudá-los a virar a partida contra o Al-Hilal.

Bruno Henrique entrou mais na área por ser melhor no jogo aéreo e fez um gol de cabeça. Arrascaeta já havia empatado minutos antes em troca de passes que Gabriel definiu como “inesquecível.”

“A gente se entende pelo olhar”, afirmou o centroavante.

O Flamengo entra em campo neste sábado (21), às 14h30 (de Brasília), para fazer a final do Mundial de Clubes, em Doha, contra o Liverpool, apoiado nos gols de seus três atacantes. É a mesma fórmula do rival, que tem como referência o entrosamento quase musical de Roberto Firmino, Mohamed Salah e Sadio Mané.

Os números da temporada apontam que o Flamengo depende mais do seu trio ofensivo do que o Liverpool do dele. E os atletas do clube carioca atuaram mais vezes em 2019 e fizeram mais gols.

Dos 150 gols anotados pelo time brasileiro em 2019, 97 foram de Bruno Henrique, Gabriel ou Arrascaeta. Isso representa 64,6% do que o Flamengo obteve na temporada.

“Eles jogam em um estilo muito intenso e tem uma escalação muito estável, um time em que todos sabem o que têm de fazer. Eles têm diferentes jeitos de jogar e são perigosos pelas pontas”, opinou Jurgen Klopp depois de assistir a algumas partidas do adversário deste sábado. Antes da semifinal diante do Monterrey (MEX), na última quarta (18), ele havia dito não ter visto o Flamengo jogar até então.

O principal artilheiro do Flamengo em 2019 é Gabriel, com 43 gols, seguido por Bruno Henrique (35) e Arrascaeta (19).

Arrascaeta (esq.), Gabriel e Bruno Henrique (dir.) comemoram gol no Mundial
Arrascaeta (esq.), Gabriel e Bruno Henrique (dir.) foram importantes para a virada do Flamengo contra o Al Hilal, da Arábia Saudita, na semifinal do Mundial - Karim Jaafar - 17.dez.2019/AFP

Na semifinal diante do Al-Hilal, Arrascaeta e Bruno Henrique marcaram. Gabriel só passou em branco porque a bola que iria para ele na pequena área foi desviada para a rede pelo zagueiro Al-Bulaihi.

“Ele tirou o meu gol”, reclamou o camisa 9 depois da partida.

Os atacantes do Flamengo são mais importantes (no número de gols) do que os concorrentes do Liverpool, que chegaram ao torneio com a fama de um dos trios ofensivos mais letais do futebol mundial.

Em 2019, o Liverpool fez 123 gols e Mané-Salah-Firmino anotaram 66 vezes. Representam 53,6% do total. O principal artilheiro da equipe, considerados os últimos 12 meses, é Saido Mané, com 30. Salah marcou 24 vezes, o dobro de Roberto Firmino (12).

Embora ambos sejam ataques centenários, não são os mais positivos de seus continentes a chegarem ao Mundial de Clubes nesta década. O Real Madrid campeão de 2017 marcou 156 gols naquele ano. O Atlético Nacional (COL) foi eliminado na semifinal pelo Kashima Antlers em 2016, mas chegou ao torneio com 145 anotados. 

Jurgen Klopp até reveza seu time para disputar diferentes competições, não tem tantas opções assim para substituir sua trinca ofensiva. O nome mais escolhido no banco é o do belga Origi, que começou como titular contra o Monterrey e foi substituído por Firmino.

Quando não pode contar com algum dos seus atacantes, as principais opções de Jorge Jesus são Vitinho e o garoto Lincoln, revelado pelas categorias de base.

Um dos projetos do Flamengo para 2020 é ter mais opções no elenco para 2020. Além do Estadual, do Campeonato Brasileiro, da Copa do Brasil e da Libertadores (com a possibilidade de Mundial), o time terá também a Recopa Sul-Americana.

“Fizemos contratações de bom nível no Brasil, mas não há comparação. Vamos enfrentar um campeão da Champions League. São os melhores do mundo. O Flamengo tem os melhores do Brasil e está em uma fase em que podemos fazer equilíbrio com a diferença tática”, avaliou Jorge Jesus.

A maior prova do quanto o Liverpool depende de seu trio ofensivo aconteceu na semifinal. Com apenas Salah, ídolo local, escalado, a equipe patinou para se sobrepor aos mexicanos. Isso apenas aconteceu no segundo tempo com as entradas da Mané e Roberto Firmino. Este último fez o gol da vitória aos 45 minutos do segundo tempo.

Klopp argumenta que os números de seus atacantes, se considerados apenas os gols, podem enganar. Ele vê o maior mérito de Firmino, por exemplo, na capacidade de movimentação, abrir espaços e deixar seus companheiros em condições para finalizar.

“A intensidade deles em campo e a troca de posições confundem os marcadores. Em mesmo teria muita dificuldade se os enfrentasse e tenho certeza que é o mesmo para qualquer sistema defensivo”, analisa o lateral esquerdo do Liverpool, Andrew Robertson, que teve problemas para anular Pabón, do Monterrey e pode ter a missão de enfrentar Bruno Henrique neste sábado.

Não há discussão a respeito da escalação do Flamengo. Como Klopp mesmo observou, é um time estável, que costuma usar sempre as mesmas peças. É garantido (salvo alguma lesão de última hora) que Gabriel, Bruno Henrique e Arrascaeta estarão no gramado do Khalifa International Stadium. A questão é o que Klopp vai fazer.

Na semifinal, ele poupou Mané e Firmino. Existe a dúvida se pretende colocar Salah em campo desde o início ou resguardá-lo, o que seria uma enorme decepção para o público qatari que idolatra o egípcio.

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