Descrição de chapéu Tóquio 2020

Bicampeão olímpico, Kobe abraçou os Jogos também fora da quadra

Ex-jogador dos Lakers era embaixador da Olimpíada de Los Angeles-2028

São Paulo

Quando Kobe Bryant pisou em Las Vegas para o período de treinos prévios à Olimpíada de Pequim, em 2008, o ala-armador já colecionava três títulos da NBA (2000, 2001 e 2002) e havia acabado de ser eleito o melhor jogador da temporada regular na liga norte-americana de basquete.

Nem mesmo o armador Jason Kidd, que com 35 anos era o único mais velho que Kobe (29) no elenco, tinha currículo tão vencedor quanto o astro do Los Angeles Lakers. Mas Kidd, um dos melhores armadores da história, tinha uma medalha de ouro pelos Estados Unidos, conquistada em 2000, nos Jogos de Sidney.

Para uma mentalidade vencedora como a de Kobe Bryant, desprezar uma conquista olímpica não fazia parte de seus planos para a carreira.

Kobe Bryant, com a camisa 10 dos Estados Unidos, na Olimpíada de Londres-2012
Kobe Bryant, com a camisa 10 dos Estados Unidos, na Olimpíada de Londres-2012 - Action Images via Reuters/Paul Childs

Estreante em Jogos Olímpicos (ficara fora de Atenas-2004 em razão de uma acusação de abuso sexual), ele estava determinado a encerrar essa conta pendente na China.

"Conquistar a medalha de ouro é mais importante [que ser campeão da NBA] porque você está representando o seu país. Não está jogando por uma região, um estado ou uma marca. Você está jogando pelos Estados Unidos da América", afirmou Kobe, morto neste domingo (26) em um acidente de helicóptero, durante a preparação em 2008.

A seleção norte-americana masculina vinha de experiência ruim na edição anterior do evento. Após perder para a Argentina nas semifinais, precisou se contentar com a medalha de bronze, seu pior desempenho desde 1992.

Em Pequim, Kobe liderou os companheiros no que ele chamou de "redenção" do basquete dos Estados Unidos.

Com média de 15 pontos por partida, ajudou a equipe a exorcizar o fantasma argentino nas semifinais e, na decisão pelo ouro, teve grande atuação contra a Espanha, anotando 20 pontos (só pontuando menos que Dwyane Wade, com 27) e distribuindo seis assistências (líder no quesito) para conquistar sua primeira medalha olímpica.

"Quando perdemos em 2004, foi um golpe muito duro para nós. E eu acho que houve beleza no fato de perdermos, porque significava que o jogo estava crescendo e outros países estavam jogando em alto nível. Mas ao mesmo tempo pensamos 'Ok, foi bonito, mas nós queremos isso de volta!'. Para nós foi a chance de mostrar ao mundo que somos o país de melhor basquete", disse ele, ao canal oficial dos Jogos.

Em 2012, e com mais dois títulos de NBA conquistados (2009 e 2010), Kobe Bryant –desta vez o mais velho do grupo, aos 33 anos– voltou a guiar os americanos na conquista de um novo ouro para confirmar a reconquista da soberania americana no basquete olímpico masculino.

Nos Jogos de Londres, registrou 12,1 pontos por partida e foi menos protagonista que em Pequim, mas se mostrou importante ao longo da competição. Contra a Austrália, nas quartas de final, terminou como cestinha dos EUA: 20 pontos, sua melhor marca naquela edição.

Em mais uma final diante da Espanha, voltou a ter atuação destacada na vitória sobre os espanhóis com 17 pontos em 27 minutos de jogo, atrás apenas de LeBron James (19) e Kevin Durant (30) –que jogou todos os minutos– como melhores pontuadores.

Aposentado das quadras desde 2016, Kobe seguiu ligado ao movimento olímpico.

Em 23 de junho de 2013, no Dia Olímpico (comemorado nesta data após a fundação do Comitê Olímpico Internacional, em 1894), ele gravou um vídeo para o canal oficial dos Jogos convocando pessoas do mundo todo a se exercitarem e dando dicas de como treinar. "Saia do sofá", diz Kobe ao final do vídeo.

Às vésperas dos Jogos do Rio de Janeiro, visitou a delegação de ginástica norte-americana nas seletivas para o evento após convite de Nadia Comaneci, romena campeã olímpica que tem uma academia voltada para a modalidade nos Estados Unidos.

Recentemente, Kobe Bryant se engajou com afinco na empreitada de Los Angeles para sediar a Olimpíada de 2024. Além de participar de ações promocionais, o astro dos Lakers também formou parte da diretoria da candidatura e do comitê consultivo dos atletas.

Era dele, inclusive, a voz que encerrava o vídeo de apresentação do projeto Los Angeles-2024 mostrado ao Comitê Olímpico Internacional.

Por decisão unânime dos membros do comitê, as duas candidaturas apresentadas na ocasião, Paris e Los Angeles, ganharam o direito de sediar o evento, com a capital francesa recebendo o torneio em 2024 e a cidade americana em 2028.

"Ter a Olimpíada aqui [em Los Angeles] e ter tantas culturas representadas seria uma linda história para contar", narrou o ex-jogador, que morreu aos 41 anos.

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