Mamba, Vino, 8, 24 e 81: um glossário para conhecer Kobe Bryant

Confira explicações para os números usados pelo astro e alguns de seus apelidos

São Paulo

Dono de uma trajetória singular na NBA, Kobe Bryant é o único jogador a ter dois números aposentados em um mesmo time. Ninguém nunca mais usará a camisa 8 ou a camisa 24 do Los Angeles Lakers, uniformes hoje pendurados no teto do Staples Center, ginásio em que a equipe manda seus jogos.

O atleta, que morreu no último domingo (26), aos 41 anos, em um acidente de helicóptero, tem também uma série de palavras e expressões ligados à sua figura. Autoproclamado “Black Mamba” ou “Mamba Negra”, ele estabeleceu uma espécie de filosofia correspondente a seu comportamento, a “Mamba Mentality” ou “Mentalidade Mamba”.

Sem pudor de exaltar as próprias habilidades, Kobe adorava também romantizar sua lendária capacidade de preparação e alimentar o personagem que criou para si mesmo. Ele chegou a comparar seus movimentos aos de um guepardo, um dos verbetes do vocabulário associado ao craque:

8

O 8 foi o primeiro número adotado por Bryant na NBA. Ele havia usado as camisas 24 e 33 em seu time no colégio, mas os números estavam indisponíveis em sua chegada ao Los Angeles Lakers, em 1996. Ele, então, escolheu o uniforme 8, o mesmo usado em seus tempos de garoto na Itália. A opção também é ligada a seu número de inscrição no acampamento da Adidas para atletas colegiais: 143. A soma dos algarismos é igual a 8.

Kobe Bryant foi o camisa 8 dos Lakers de 1996 a 2006 - Adrees Latif - 21.mai.01/Reuters

10

A camisa 10 foi aquela usada por Kobe na seleção norte-americana, com a qual ele levou duas medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos (2008 e 2012). Ele passou parte da infância na Itália e se apaixonou por futebol, daí a opção pelo número geralmente exibido às costas dos craques que jogam com os pés. Também não incomodava o fato de o 10 estar logo acima do 9 vestido pelo ídolo Michael Jordan na equipe dos Estados Unidos.

24

Kobe passou a vestir a camisa 24 na metade de sua carreira, em 2006. Para marcar uma etapa nova em sua trajetória, ele decidiu voltar a usar seu primeiro número do colégio. “Simplesmente achei que era o momento de mudar e fazer algo diferente. Quando cheguei da Itália, o primeiro número que escolhi foi o 24. É um novo começo para mim”, disse. Jordan, alguém que Bryant sempre quis superar, era o 23 do Chicago Bulls.

Fãs fazem o polimento de desenho em uma quadra de basquete nas Filipinas, feito em homenagem a Kobe Bryant e a filha Gianna, mortos no domingo (26)
Fãs fazem o polimento de desenho em uma quadra de basquete nas Filipinas, feito em homenagem a Kobe Bryant e a filha Gianna, mortos no domingo (26) - Eloisa Lopez/Reuters

81

Em uma de suas atuações mais espetaculares, o ala-armador dos Lakers estabeleceu a segunda maior marca da história da NBA ao anotar 81 pontos em um jogo. Cada cesta do jogador, então com 27 anos, foi importante na vitória por 122 a 104 sobre o Toronto Raptors, em janeiro de 2006. O placar estava apertado até os minutos finais.

Kobe marca dois de seus 81 pontos no triunfo dos Lakers sobre o Toronto - Noah Graham - 22.jan.06/AFP

Black Mamba

Kobe adotou o apelido “Black Mamba” em 2003, depois de assistir a “Kill Bill”. No filme, “Black Mamba” é o codinome de Beatrix Kiddo (Uma Thurman), personagem cuja agilidade e crueldade encantaram Kobe. Ele, então, pesquisou sobre a mamba negra (tradução de “black mamba”), cobra extremamente venenosa. “Eu li sobre o animal e falei: ‘Incrível’. É a descrição de como eu quero que meu jogo seja”, contou.

Black Swan

Em uma tentativa de tornar mais agressivo em quadra o companheiro Pau Gasol, com quem jogou entre 2008 e 2014, Kobe pediu que ele se tornasse mais “black swan” ou “cisne negro”. Era uma referência ao balé “Lago dos Cisnes”, de Tchaikovsky, e ao filme “Cisne Negro”, que opunham um inocente e frágil personagem representado por um cisne branco a um malicioso cisne negro. Gasol até teve seus momentos mais ferozes, mas nunca houve dúvida sobre quem era o cruel cisne negro dos Lakers.

Dear Basketball

“Dear Basketball” ou “Querido Basquete” é o nome do poema que Kobe escreveu para anunciar sua aposentadoria. O texto acabou virando um curta-metragem de animação, com roteiro e narração do próprio Bryant. O filme ganhou o Oscar da categoria em 2018.

Kobe Bryant beija a estatueta do Oscar que ganhou em 2018 - Frederic J. Brown - 4.mar.18/AFP

Guepardo

Em uma entrevista ao New York Times em 2014, Kobe contou ter desenvolvido seu arremesso “fadeaway”, aquele em que o corpo do jogador se projeta para trás, depois de assistir a um documentário do Discovery Channel. “Eu tinha problemas com meu ‘fadeaway’. Um dia, vi um guepardo caçando. Quando o guepardo corre, seu rabo sempre lhe dá equilíbrio, mesmo que esteja bastante inclinado. E aí eu pensei: ‘Minha perna poderia ser o rabo, né’”, relatou o craque.

Mamba Mentality

A “Mamba Mentality” ou “Mentalidade Mamba” é uma espécie de filosofia derivada do apelido “Black Mamba”. “‘Se você me vir em uma luta com um urso, reze pelo urso.’ Sempre adorei essa frase. Isso é a “Mamba Mentality’. Nós não desistimos, nós não encolhemos, nós não fugimos. Nós suportamos e conquistamos”, explicou Kobe, que chegou a publicar um livro com esse título.

Mamba Out

“Mamba out”, algo como “Mamba de saída”, foi a frase que finalizou o icônico discurso de despedida de Kobe, em 2016. Depois de anotar 60 pontos e decidir a vitória por 101 a 96 do Los Angeles Lakers sobre o Utah Jazz, o craque refletiu sobre sua trajetória, agradeceu a todos, falou “Mamba out” e deixou o microfone no chão.

Kobe discursa em sua despedida antes de pôr o microfone no chão e dizer: "Mamba out" - Frederic J. Brown - 13.abr.16/AFP

Mr. Bean

Bean é o nome do meio de Kobe Bryant. Ele era lembrado por torcedores que o chamavam carinhosamente de Mr. Bean, referência ao carismático personagem de humor do ator inglês Rowan Atkinson.

Vino

Nos estágios finais de sua carreira, Kobe criou mais um apelido para si mesmo: “Vino”, “vinho” em italiano e em espanhol. O jogador queria dizer que, como o vinho, melhorava com o tempo.

 
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