Descrição de chapéu The New York Times

Calouro cumpre expectativas e já assusta rivais na NBA

Com só 13 jogos, Zion Williamson, ala dos Pelicans, desponta na liga de basquete

Scott Cacciola
Los Angeles | The New York Times

Em sua primeira temporada como armador do Philadelphia 76ers, uma década atrás, a única esperança de Jrue Holiday era ser escalado por alguns minutos a cada jogo. Mas ele ainda recorda a empolgação que sentiu em seus primeiros jogos contra luminares como Kobe Bryant, Dwyane Wade e Shaquille O’Neal – este último um sujeito que Holiday via como especialmente imponente na vida real.

“Era bem assustador”, disse. "Nem vou tentar mentir."

Holiday joga hoje pelo New Orleans Pelicans, um time que emprega um ala chamado Zion Williamson, que está em sua primeira temporada na NBA. Mas embora Williamson tenha admitido que é bacana enfrentar astros como LeBron James pela primeira vez –“um cara que você viu na TV por tanto tempo”, disse–, para ele o cálculo é diferente: já está entre os jogadores que assustam, e não entre os que se assustam.

Com apenas 13 jogos na NBA até o momento, Williamson certamente fez sua parte para satisfazer as expectativas absurdas que o acompanham desde que foi selecionado pelos Pelicans como a primeira escolha do draft do ano passado. Suas enterradas fazem com que as agulhas dos sismógrafos se movam. Ele mostrou ser surpreendentemente habilidoso nos passes. E ajudou a colocar os Pelicans no caminho dos playoffs.

“Muitas vezes, quando um jogador dessa idade é verdadeiramente talentoso, você vê vislumbres de brilho”, disse J.J. Redick, colega de Williamson nos Pelicans. “Mas ele mostrou muito brilho e muita intensidade a cada noite em que esteve na quadra, até agora. A consistência de seu desempenho vem sendo notável.”

Depois de marcar 29 pontos em uma derrota por 118 a 109 diante do Los Angeles Lakers no ginásio do adversário, terça-feira (25) à noite, Williamson estava a ponto de iniciar sua entrevista coletiva no pós-jogo quando Brandon Ingram, ala dos Pelicans selecionado para o All-Star Game (Jogo das Estrelas) deste ano, passou por perto e gritou: “Zion, você é o GOAT [acrônimo em inglês para “maior de todos os tempos]”.

Williamson pareceu não ter gostado do elogio. “Ele não quer ser o centro das atenções”, disse o treinador dos Pelicans, Alvin Gentry. “Nunca quer ser o centro das atenções.”

Mas é, quer Williamson goste, quer não. Desde que fez sua estreia no mês passado, depois de passar a primeira metade da temporada fora do time devido a uma lesão no joelho, o atleta vem mantendo uma média de 23,3 pontos e 7,1 rebotes por jogo, e acertando 57,3% dos seus arremessos de quadra.

Depois da partida da terça-feira, Lebron disse que considerava o jogo de Williamson um “encaixe perfeito” para a NBA: rápido, explosivo, multidimensional. Ao mesmo tempo, James fez questão de deixar claro, curiosamente, que ele e Williamson não se conhecem.

“Nunca conversei com ele”, disse o astro dos Lakers. “Nunca tinha me encontrado com ele antes. Nunca. Nunca tivermos uma conversa. Nunca o encontrei."

O jogo foi interessante –Lebron marcou 40 pontos, seu maior total na temporada, como se quisesse deixar claro que ele é o presente da NBA, e não seu passado– e serviu como prévia de um possível emparelhamento na primeira rodada dos playoffs.

A chegada de Williamson coincidiu com uma disputa muito competitiva por vagas nos playoffs da conferência oeste. Na quarta-feira (26), os Pelicans (25 vitórias, 33 derrotas) estavam 3,5 vitórias abaixo do Memphis Grizzlies (28 vitórias, 29 derrotas), que vem enfrentando muitas lesões, na disputa pela última vaga nos playoffs do oeste.

Desde a estreia de Williamson, em 22 de janeiro, os Pelicans têm oito vitórias e seis derrotas. Ele parecia incomodado com o resultado da terça-feira. “Cada vitória importa”, disse Williamson, “E cada derrota importa.”

Redick disse que conhece muitos jogadores que são ardilosamente produtivos –caras que aparecem estar em uma noite calma e de repente marcam um triplo duplo. Williamson, apesar de sua pirotecnia no aro, é um desses jogadores. Leve em conta que ele vem tentando apenas 15,3 arremessos por jogo. Sua eficiência parece muito clara para seus colegas de equipe.

“Ele vai se desenvolver e será um dos jogadores de elite da NBA”, disse Redick, que listou algumas áreas em que Williamson pode melhorar. “Basta seguir a lista: ele pode arremessar melhor, pode defender melhor, pode passar melhor, pode fazer muita coisa melhor. Mas já está fazendo tudo muito bem agora.”

A atenção a Williamson só se intensificou nas últimas semanas.

“É uma verdadeira loucura, mesmo, e em cada hotel, cada restaurante, todo o lugar que vamos, há um monte de gente querendo conversar com ele”, disse Gentry. “E acho que ele tenta ao máximo atender a todos. Mas obviamente não há como parar e assinar todos os autógrafos, ou coisas assim. Zion tenta, porém.”

Tradução de Paulo Migliacci

Erramos: o texto foi alterado

O sobrenome de Alvin​, treinador dos Pelicans, é Gentry, não Landry. O texto foi corrigido.
 

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