Descrição de chapéu Tóquio 2020 Coronavírus

COB defende adiamento da Olimpíada de Tóquio por um ano

Entidade diz que atletas não conseguirão se manter em seu melhor nível competitivo

São Paulo

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) passou a defender, na manhã deste sábado (21), que os Jogos Olímpicos de Tóquio sejam adiados por um ano.

"A posição do COB se dá por conta do notório agravamento da pandemia da Covid-19, que já infectou 250 mil pessoas em todo o mundo, e pela consequente dificuldade dos atletas de manterem seu melhor nível competitivo pela necessidade de paralisação dos treinos e competições em escala global", diz a nota oficial da entidade.

No fim da tarde de sexta, o comitê já havia manifestado sua preocupação com a doença e a dificuldade que atletas estão enfrentando para se prepararem da melhor forma para os Jogos, conforme recomendação dada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) na última quarta (18).

A entidade máxima do esporte olímpico defende que ainda é cedo para tomar o que chamou de "medidas drásticas" e por enquanto seu presidente, Thomas Bach, sustenta que a Olimpíada do Japão terá sua cerimônia de abertura no dia 24 de julho, embora já afirme considerar "muitos cenários diferentes".

“Como judoca e ex-técnico da modalidade, aprendi que o sonho de todo atleta é disputar os Jogos Olímpicos em suas melhores condições. Está claro que, neste momento, manter os Jogos para este ano impedirá que esse sonho seja realizado em sua plenitude”, afirma o presidente do COB, Paulo Wanderley.

O COB adota um tom diplomático para manifestar sua discordância com relação à posição do COI neste momento e "ressalta que a sugestão de adiamento em nada altera a confiança da entidade no Comitê Olímpico Internacional".

“O COI já passou por problemas imensos anteriormente, como nos episódios que culminaram no cancelamento dos Jogos de 1916, 1940 e 1944, por conta das Guerras Mundiais, e nos boicotes de Moscou-1980 e Los Angeles-1984", diz Paulo Wanderley. "Tenho certeza de que o Thomas Bach, atleta medalha de ouro em Montreal 1976, está plenamente preparado para nos liderar neste momento de dificuldade."

Na sexta, em entrevista à Folha, o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Mizael Conrado, já havia defendido o adiamento por um ano dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio.

"Entendo que não há condições primeiro pela incerteza, depois pela impossibilidade de os atletas treinarem e terceiro porque não é razoável você imaginar a maior competição do ciclo acontecer em meio a uma pandemia e num momento de calamidade na saúde pública mundial", disse.

A CBG (Confederação Brasileira de Ginástica) também divulgou nota na manhã deste sábado endossando o pedido do COB.

"Enquanto a pandemia desencadeada pelo novo coronavírus se expande, temos observado a angústia de nossos atletas, que se veem compelidos a manter a agenda de treinos, de forma a extrair o melhor de si mesmos, ao passo que as recomendações da Organização Mundial de Saúde e das principais autoridades sanitárias do Brasil vão no sentido contrário, conclamando os cidadãos para que se recolham a seus lares e mantenham o distanciamento social", diz trecho do posicionamento da entidade.

Entidades internacionais, como os comitês olímpicos da Espanha e da Noruega, assim como a USA Swimming (federação de natação dos EUA) e a US Track & Field (federação de atletismo dos EUA), também já se manifestaram oficialmente pelo adiamento.

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